quarta-feira, 4 de março de 2026

Breve olhar sobre a corrupção

 

Seria perda de tempo, nesta oportunidade, ocupar-me da corrupção enquanto deterioração física de uma substância ou matéria orgânica e até mesmo falar de alterações de um estado ou característica original. Volto meu olhar, portanto, ao comportamento desonesto, fraudulento, ilegal, algo que implique troca de dinheiro, valores ou serviços em proveito próprio. O curioso é que a corrupção vincula-se, amiúde, à pessoa ou organização a quem foi delegada posição de autoridade. Figuradamente, a corrupção vem refletir uma degradação moral, indiferentemente se ativa ou passiva.

Vejamos! A corrupção, definitivamente, não é coisa de brasileiro! Na Grécia Antiga, pasmai, (430-322 a.C.) de 6 a 10% dos oficiais foram investigados. Na Roma Antiga, a corrupção foi endêmica, o que degradou não só o sistema político, mas também a economia em finais do Império. É de cair o queixo pois fala-se, inclusive, em suborno eleitoral, desvio de verbas, etc. Salvo melhor juízo, parece-me que a corrupção é parte integrante da raça humana, principalmente aos ínsitos em o âmbito político.

Uma primeira pergunta: e a democracia melhoraria esse “status”? Claro que não, a corrupção independe de sistemas políticos. Foi a democracia que condenou Sócrates. A corrupção está presente em nossa vida, em nosso dia-a-dia. E por que será? Parece-me que a política, ou a geopolítica (como quiserdes) não consegue emancipar-se da corrupção. Em qualquer lugar do planeta, volta e meia escândalos irrompem e desmascaram um bando de “filantropos”. Então a corrupção se autorregula. Como? Os apontados são “justiçados”, isto é, presos, condenados, executados. E vida que segue!

Mesmo em dias atuais, com o advento da tecnologia, a coisa permanece. Mas por que? o que há por trás de tudo? Economicamente falando, o que tem importância, o que traz dinheiro ao mundo? Petróleo, água, drogas! (não necessariamente nessa ordem). Poucos são os países que têm petróleo; poucos os países que têm água em abundância. Drogas? É disso que falamos? Sim, exatamente. Pablo Escobar tinha sob seu comando mais homens do que o exército peruano. Sabeis, porventura, que a droga movimenta, anualmente, bilhões de dólares? Bem mais que o PIB de muitos países.

E o como o tráfico pode se manter? Os gastos da instituição policial no combate ao tráfico são muito elevados. Será que há, de fato, interesse no combate ao tráfico de drogas? Não vos enganeis, a caçada a Osama Bin Laden foi apenas cortina de fumaça, pois grande quantidade de droga estava deixando de ser transportada do Afeganistão. Muita gente estava perdendo dinheiro. Estai atentos: o Estado Islâmico e a CIA são a Al Quaeda.  Países considerados pequenos implementam as drogas visando a própria sobrevivência; grandes nações estão a prosperar graças ao tráfico que lava dinheiro. E como o tráfico permanecerá? Onde está o suporte? Na corrupção!

Infelizmente, em nosso país, a corrupção está institucionalizada; as coisas são feitas quase que às claras. Assim como em outros lugares, estamos a vivenciar um narco estado. Nossas instituições renderam-se abertamente ao narcotráfico. Somos únicos? Não, evidente que não, mas aqui a perversão traja black tie, reveste-se de justiça e vomita desvalores à rodo.

Que Deus tenha piedade de nós!          

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Referência ambiental

 

Esta é a história de um verdadeiro ambientalista, alguém que faria Greta Thunberg parecer uma vândala ou, se assim desejardes, uma terrorista ecológica. Sim, brasileiro (por que não?), desapegado de bens materiais, de fama, notoriedade, de redes sociais. Uma vida voltada unicamente à preservação do meio ambiente. Ele, inclusive, armava sua rede em meio a florestas e deixava-se agredir por insetos. Sua abnegação mostrava-se bem próxima da loucura. Pois bem, o dito autodesprendimento cobrou seu preço, pois nosso herói apresentou problemas graves de saúde: uma doença autoimune que em breve o levaria a óbito.

Mas o ativista não deixou barato, pois ciente da própria morte, pretendeu que seus restou mortais servissem de adubo orgânico; ele gostaria que partes de seu corpo fossem espalhadas - e enterradas - em certa floresta. Mas como? Isso seria altamente ilegal! Como, em dias atuais, mutilar um cadáver? Então nosso amigo entrou com um pedido junto às autoridades expondo motivos como desapego à vida material e o mais importante: sua preocupação com o meio ambiente. Todavia, a autorização para o esquartejamento lhe fora negado; não só em primeira como em segunda instância.

E a doença avançava. O recurso apresentado ao Supremo Tribunal Federal pedia urgência, haja vista a celeridade na degeneração da saúde do requerente. Sorteado o relator, a coisa foi parar nos braços da ministra, também já próxima de um inexorável encontro com o Ceifeiro. Tendo em vista toda uma vida de dedicação ao meio ambiente, e só daquela vez (segundo consta na decisão da ministra) o espostejar do corpo, quando em comprovado óbito, fora autorizado.     

Hora do óbito? Eu não saberia dizê-lo. Mas o falecimento deu-se, e não sem o típico estardalhaço da imprensa. Só não filmaram e divulgaram o espedaçar do corpo e o sepultamento dos mesmos, mas uma série de lápides repletas de epitáfios foram espalhadas pela floresta. Frases do tipo: “Aqui jaz aquele que nem mesmo da vida a morte levou” (???). Enfim, dias e dias de total rebuliço. E teve início algo como um culto; sim o cultuar daqueles que se diziam também ativistas, se bem que adoravam um iate, um jatinho, hotéis de luxo, etc.

Diariamente podia-se observar uma espécie de procissão em meio a floresta, a visitar os lugares - a blasfêmia de uma nova via crucis - onde diziam abrigar parte dos restos mortais (agora adubo) do “semideus”. Pessoas oravam e acendiam velas ao novo santo padroeiro das matas brasileiras. E foi numa dessas tardes quentes e com rajadas de vento que o incêndio teve início; o fogo espalhou-se rapidamente e destruiu a encantada floresta.   

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Novo currículo

 

Com muito pesar constato a ineficácia de Curricula Vitae na busca por trabalho; mesmo que o currículo esteja repleto de cursos, especializações, pós-graduações etc. Em verdade, a titulação, em si, já surge desacreditada (isso é de conhecimento geral), porque as instituições de ensino preocupam-se com a satisfação de seus próprios interesses econômicos, em cumprir demandas sociopolíticas e atender protocolos doutrinários.

Mas, para não ocupar vosso precioso tempo com “insignificantes obviedades”, resolvi adequar e divulgar um novo currículo; isso na tentativa de atender minha necessária e pessoal demanda. Eu poderia iniciar pelo já conhecido chavão: “Cama, mesa e banho”. Não, isso é comercial para lojas de tecidos! Então, apelo para o também manjado: “Lavo, passo e cozinho”. 

Ainda suscetível às exigências acadêmicas, apresento-vos, com certo ineditismo, o (meu) curso da vida: possuo graduação em lavagem de roupas, inclusive aquelas que soltam tintas; especialização em faxina caseira, voltada à banheiros e quintais. Minha pós-graduação objetiva o passar de roupas, incluindo cambraias, sedas e tecidos sintéticos. Outra especialização em vias de terminar ocupa-se da lavagem de louças, o que envolve, cristais, talheres de prata, bandejas etc. Sim, atualmente, a título de treinamento, volto-me a aparar gramas e demais vegetais presentes em degradados jardins.

Vale a pena relembrar: sou aposentado e não preciso de carteira assinada. O salário? (risos) A combinar; que seja qualquer coisa próxima do mínimo.