quinta-feira, 18 de junho de 2026

Baile à fantasia

 

Um convite inopinado. Afinal, com essa idade, participar de baile à fantasia. Mas o mais surpreendente foi minha decisão em aceitar tal convite. E vós, por certo, diríeis: “Nada demais!” Todavia, eu concordo em ter que discordar. Primeira dúvida: que fantasia usar? Tentei recordar-me dos heróis de antanho... mas eram jovens, vigorosos, esbeltos... Nada que fosse preenchido por minha atual disponibilidade orgânico-estética. Contudo, ao buscar por alguns sucessos cinematográficos, veio-me à memória a figura de Obi-Wan Kenobi.

Sim, isso! Por que não? Daí em diante, mesmo antes de providenciar a fantasia, comecei por adequar-me à postura do personagem. Em verdade, eu já desfrutava do exílio, isso porque, diferentemente de Ben Kenobi, eu não vivia em uma República séria, mas em alguma coisa do tipo “democracia relativa”. Nada obstante, tornei-me alguém compenetrado, mais humano, sensível, disposto a servir, muito embora longe de ser um Jedi. E eu repetia pra mim mesmo: “A Força está com você”.

Bem, o dia do baile chegara. E lá estava eu a envergar o clássico traje de Cavaleiro Jedi: a sobreposição de cores bege e marrom, com cinto de couro, manto e capuz. E antes de ser questionado por vós, adianto-me: Não, não consegui arranjar nada parecido com um sabre de luz! Mas tratava-se de um baile; pra que armas? Outra dúvida assolou-me: há quem dance em um baile à fantasia? A mim me parece, salvo melhor engano, apenas um arranjo para que vaidades exorbitem os limites predeterminados. Mas a música impunha-se: We Are the Champions!

Logo à entrada deparo-me com o Homem Aranha, alguém magrinho, muito embora revelasse uma barriga bem pronunciada; imagino que aquela aranha já carecia de teias. Em seguida o Batman, mas ao invés de cinto de utilidades exibia um enorme celular, ou seria um tablet? Volta e meia ele e a Mulher Gato paravam para uma selfie. E lá estava o Super Homem mesclado de Clark Kent, pois nosso herói exibia um jocoso par de óculos. E vós me perguntais: - “Por que jocoso?” Parece-me que fora empréstimo de Elton John. Pergunto-me: Existiria ainda a afamada visão de raios X?

Quando tudo me parecia perdido, a coisa piorou: surge o conde Drácula, acompanhado e amparado pelo seu arqui-inimigo. Na verdade, a pessoa que incorporara Abraham Van Helsing era seu cuidador; Drácula tinha Alzheimer e nenhum dente. Então, todos se voltaram para um certo anãozinho. Calma, muita calma nessa hora. O que seria um anãozinho? Anão é um homem pequeno; anãozinho seria a miniatura de um pequenino? Mas deixemos de lado o percurso linguístico e atenhamo-nos à festa. Pois bem, o anão optara por caracterizar mestre Yoda. Ao cruzar comigo ele resmungou: “O maior professor, o fracasso é”.

Já me decidira voltar para casa e entregar-me à Netflix quando desponta Chewbacca. Até que enfim! Ele deu logo aquele grito de guerra na chegada, reclamando atenção e provocando risos. A arma que adornava a fantasia era um misto de AR 15 com Besta. Esbarrei-me na princesa Leia: a mesma roupinha branca e o inconfundível penteado. No canto do salão conversavam animadamente Frodo e Gandalf. Neste momento percebi outro fundo musical: “What a Wonderful World”, na voz de Louis Armstrong. Tudo parecia melhorar...

Súbito, a música foi abruptamente interrompida para dar lugar a “The Imperial March”, e com ela o desprezível Darth Vader. Inconscientemente levei minha mão à cintura, mas estava sem o sabre de luz. Ele caminhou em minha direção desafiador; fiquei estático. Medo? Sinceramente, não saberia dizê-lo. Mesmo assim sustentei o terrível olhar. Que olhar? Ele usava máscara. Luke Skywalker passou por mim e murmurou: “A força está com você!” No entanto, sabeis quem me tirou da encrenca? Pasmai. Harry Potter! O menino (menino?) pegou-me pelo braço, guiou-me até seu Honda Civic e levou-me para casa.

Já no aconchego do lar permiti-me pensar. Eu fora convidado para uma redundância; o mundo em si é fantasia. Bailemos, pois!

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Flying dutch

 

Na verdade, o texto narra similaridades com o folclore marítimo, até porque a vida marítima é bastante folclorizada. O holandês voador, segundo a lenda, fora um navio mercante, cujo capitão, Hendrick Van der Decken, muito embora os protestos da tripulação, teria feito um pacto com o diabo em face da proximidade de terrível tempestade. O acontecimento tivera lugar em meados do século XVII, ao atravessar o Cabo das Tormentas ou Cabo da Boa Esperança. O navio teria saído ileso, mas a maldição a ele atribuída foi vagar eternamente pelos oceanos, sem ter sequer um porto como destino.

Agora voltemo-nos às similaridades. Meu primeiro embarque deu-se em 1981; eu acabara de sair da academia. O petroleiro em questão, muito maior de tudo que eu já conhecera, fora fabricado na Holanda, em 1974, no estaleiro Amels. Já embarcado, e no contato com a tripulação, soube que o navio sempre fora problemático; isso eu pude confirmar em poucos dias. Soube que vários trabalhadores do estaleiro, durante a construção, haviam falecido; foram explosões, incêndios e quedas inexplicáveis. Alguém não muito zeloso segredou-me que não tripulantes (possíveis fantasmas) eram avistados amiúde a transitar livremente pelas dependências do navio-tanque.  

Depois de vários dias fundeados a fazer reparos, pretendíamos sair em viagem. Como? Não conseguíamos dar partida no motor principal. Várias foram as tentativas... e nada. Até que o chefe de máquinas gritou: - “Já sei!” e saiu.  Eu o acompanhei. Subimos as escadas até o camarote reservado ao armador. Lá uma fotografia do homem que dava nome à embarcação. O chefe então virou a fotografia para a antepara. Pegou o telefone, ligou para a sala de controle e ordenou: - “Dê a partida agora!” E o motor do navio funcionou.

Saímos a navegar. Assim que liberado da manobra subi ao convés para observar o mar. Lindo luar abrilhantava o espetáculo. Próximo à entrada da casa de bombas, percebi alguém sentado: homem jovem, cabelos compridos e louros, roupas claras em desalinho e de cigarro aceso em punho. Como era possível tal coisa, fumar no convés de um navio tanque? Dirigi-me ao imediato. Ele sorriu e contemporizou: - “Não é tripulante; ele aparece às vezes, fuma um cigarro e some.

Foi quase um ano a colecionar relatos e visões estranhas. Certa vez, tarde da noite, a voltar para bordo do navio fundeado, todos os ocupantes da lancha de transporte viram-no brilhar na escuridão: algo fantasmagórico. Teríamos sido afetados por algum fenômeno ótico? Fata Morgana ou excesso de cana? Afinal estávamos em costas brasileiras, onde não havia neblina em excesso e as temperaturas constantes, temperadas, seriam incapazes de distorcer a luz.  

Enfim desembarquei. E sou agradecido por isso; não por conta de tais fenômenos e/ou aparições, mas porque o navio era bastante trabalhoso. Pouco tempo depois soube que o navio tornara-se inoperante e a empresa optou por vendê-lo. O comprador, um armador indiano, contratara dois rebocadores oceânicos para conduzi-lo ao novo destino. No sul da África porém, ao cruzarem o Cabo da Boa Esperança, depararam-se com uma tempestade: mar força 12. Os rebocadores tiveram que soltar os cabos. O que restou do petroleiro jamais foi encontrado. Teria naufragado? Talvez esta nova versão do Flying dutch esteja por aí a navegar pela eternidade.  

Feminismo no galinheiro


Era um galinheiro como tantos outros. Lá vivia Haroldo, um galo em toda sua magnitude a zelar não só pelo bom ambiente, mas também pelas esposas, amantes e concubinas. Tudo transcorria à contento até a chegada da forasteira por nome Daphne. Ela não só recusara o amor, mas trouxera na bagagem o ativismo feminista. E os discursos começaram a angariar sectárias. Então, todas as atitudes de Haroldo passaram a ser questionadas. A coisa chegou a tal ponto que teve início uma campanha para que as cristas fossem submetidas à cirurgia em nome de uma igualdade de gêneros. Cantar alto pelas manhãs significava machismo; bater as asas sinal de misoginia. Sim, tudo ou quase tudo foi classificado como assédio. Mas o pior tornou-se patente: gerações de franguinhos assimilaram tais comportamentos; chegaram a falar em “machismo estrutural”.

Haroldo afastou-se do ambiente. Ele passava os dias a zanzar de cá para lá com certo desinteresse. O galinheiro tornara-se estranho. Até mesmo seu cantar madrugador era realizado em campo distante. Não mais poedeiras; as chocas não mais dispunham de ovos para incubar. Por vezes deparava-se com uma minhoca na terra úmida. Em meio ao seu ciscar, ele pode perceber que o discurso feminista não objetivava a salvaguarda da família, ninguém pregava a monogamia; valores e princípios não eram exigências. Sim, o que havia, de fato, era gaslighting (iluminação a gás), ou seja, manipulação emocional para distorcer a realidade, negar fatos e mentir para criar dúvidas. O assédio era psicológico, pois após a desestabilização emocional gerar reações, estas eram usadas como justificativas para a culpabilidade. Tudo não passava de estratégia para controlar comportamentos e limitar livre arbítrios. Todavia, às gerações, isso era imperceptível.

Enfim, Haroldo abandonou a busca por minhocas e a vida em sociedade. 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

A caverna, o sino, o espantalho


O caos há muito se extinguira. Hominídeos e neandertais coabitavam. Tudo se resumia a instintos; a natureza em todo seu esplendor. Contudo, seres estranhos fizeram-se próximos aos hominídeos. Tem origem o gênero homo. O abandono das árvores, o bipedalismo, polegares opositores... Relações estreitaram-se; doravante, além de instintos, a comunicação. De início as interjeições, depois advérbios, os substantivos, os verbos... Há um aumento na capacidade cerebral. E tem lugar o segundo legado dos forasteiros: o ego. Eis o sapiens!

Nascimentos em demasia; uma primeira família? Os grupos mostravam-se frágeis; mortes também em demasia. A necessidade de alimentos, de proteção; não só o ter, mas o armazenar. Imprescindível a presença de líderes. Surgiram grupos opositores, rivais. E tiveram lugar as lutas, as batalhas; o primeiro objeto cultural: a arma. Estreava, portanto, um rudimento de guerra. O ter, o dominar; enfim o poder. E o sapiens viu que isso era bom. 

O ser primitivo apenas reagia; nada planejava, nada de regras. Alguém propôs um pensar racional, capaz de controlar impulsos primitivos e as fortes emoções. Nada obstante, o ego, que por si só reverencia a paixão, vem receber apoio incondicional da linguagem. Em verdade, a paixão usa a razão como recurso para realizar-se. E tudo através da linguagem. Ora, deuses não se comunicam por palavras; heróis são conhecidos por suas ações. Seres humanos sim, os ditos sapiens, valem-se deste repulsivo expediente. 

Um primeiro espaço: a caverna! Refúgio que permite a convivência entre dominados e dominadores. O despontar de uma neófita “ciência” política. Imagens e frases de efeito para manipular; gostos, hábitos e valores a serem implantados. Inicia-se a sociedade, e com ela os padrões comportamentais, a cultura e as nações. De novo forasteiros a estimular uma inata e ínsita racionalidade. Surge a ciência; mitos são abandonados, explicados. Todavia, trata-se de sapiens. O saber passa a visar apenas interesses, sejam eles pessoais e/ou do poder. Presa da vaidade, a ciência vê-se mitificada.

O alerta é disparado; o repicar de sinos! Mas, qual! Já se faz tarde. Dominados tornaram-se incapacitados. Não só a ciência, mas a história, assim como todo e qualquer conhecimento sofre adulteração. Doenças são criadas; enfermidades sugeridas. Alimentos contaminados, nutrientes tornados ineficazes. A industrialização! Drogas milagrosas cada vez mais fabricadas e sugeridas. O sapiens sapiens conhece a derrocada; um nada a fazer. Exceto guerras. Guerrear é conquistar status geopolítico. Surgem destaques, heróis e, economicamente falando, está tudo bem obrigado!

Reduzidíssimo número de dominadores a tudo comanda. Há como que uma nova morada para estes que se entendem como “deuses”: um Olimpo terreal! São famílias a disseminar o caos, a espargir horror, a buscar pela unificação do governo mundial. No entanto, eles percebem que o nefasto poder prescinde de notoriedade. O anonimato, então, transformou-se em abrigo, em brasão. Ora, os obscuros “senhores” delegam poderes e responsabilidade a paspalhões travestidos de governantes, onde a imensa vaidade associada à ganância oficializa-os como líderes. Qual nada; são só e somente só meros espantalhos!

E o que fazer? Sugiro apenas um obstinado regurgitar. Arrojai de vós a mundanidade! Esvaziai-vos do profano, do superficial. Sede apenas espírito!


domingo, 7 de junho de 2026

Nuances da hipocrisia

 

O termo Hupokrisis, utilizado no teatro grego, significa representar, fingir, interpretar. Em dias atuais, entretanto, a hipocrisia assimilou carga um tanto negativa, ou seja, passou a ter a falsidade e o fingimento como sinônimos. Então surge a obnubilada pergunta: será que discorrer sobre hipocrisia não seria sintoma da própria hipocrisia? Nada obstante, convido-vos a partilharem comigo de tal empreitada.

A nuance surge quase que mesclada ao ego. É quando alguém faz a clássica pergunta: - “Como vais?” Neste caso o perguntador quer receber uma resposta de seu inteiro agrado. Quando esta não o satisfaz ele pensa e até acusa o interrogado de depressivo ou fantasioso ou alienado. Fato é que o inquiridor continua a esbravejar. E como entendê-lo?  Afinal, o que era para ser uma conversa amena tornou-se um tonel de agressividade. Por quê? Ora, estaríamos diante de uma pseudo hipocrisia? Uma falsa falsidade? Não, trata-se de querer ser hipócrita e simplesmente não consegui-lo, ou seja, é ser patético.  

Mas o que suscita tal atitude advém de uma outra nuance de hipocrisia: o psicologismo, isto é, algo mascarado de ciência. Os “doutores” dessa piegas e pândega ciência confundem realismo com pessimismo. Esse é o mesmo psicologismo responsável por vitimizar toda uma geração que só conhece “direitos” e execrar deveres; o mesmo psicologismo que tomou conta das salas de aula, que tirou toda autoridade dos pais no tocante à educação dos filhos, pois que em tudo preveem fonte de traumas.

Bem, em face do exposto, para não contrariar a patetice e ser taxado de depressivo, quando me perguntam: - “Como vais?” Eu respondo:  - “Bem, muito bem; melhor impossível!”    

Caóticos designativos

 

Apesar da Lei de Registros Públicos, Lei Federal nº 6015 de 1973, amparar decisão dos cartórios em recusar nomes que venham expor as pessoas ao ridículo, haja vista a famosa família Xerox, deparo-me, não raramente, com “substantivos próprios nominativos”. E o que seria isso?

Vamos a eles. Três irmãs: Xérox, Fotocópia e Autenticada. E agora, pressuponho, a filha de um agricultor com prenome, nome e sobrenome: Agrícola Beterraba Areia. E quando decidem batizar os gêmeos com nomes próximos (sinônimos ou antônimos)? Aí surgem coisas do tipo: irmãos Arlindo e Arfeio, Hildebrando e Hildeáspero, Otacílio e Otapestana, Napoleão e Napotigre.

Dizem que a criatividade (linguística) é a capacidade de um falante qualquer criar inéditos enunciados. Todavia, creio que essa inventividade deve aliar-se ao bom senso. Estai atentos, pois o ridículo associa-se à comicidade e o inescrupuloso reveste-se de criatividade! 

Antiga construção naval

 

Refiro-me à famosa arca construída por Noé. Mas ele, Noé, não foi o autor do projeto. As medidas: comprimento de 300 côvados, largura 50 côvados e altura de 30 côvados lhe foram reveladas. (Um côvado é algo em torno de 50 cm; distância entre o dedo médio e o cotovelo). O importante é que essas proporções estão bem próximas das construções navais atuais, principalmente no que diz respeito a navios containers e demais cargueiros. Outro detalhe interessante foi a divisão em três andares. Sim, o piso inferior para carregar os animais de grande porte; eis o lastro. O piso médio para transporte de grãos, alimentos em geral e água potável. O piso superior daria lugar a pequenos animais, a Noé e familiares. Abaixo de um alto beiral, a abertura de um côvado em toda a extensão da arca para facilitar a entrada de oxigênio. 

Contudo os céticos, por certo, argumentariam: Mas a arca não possuía leme ou propulsão; sequer uma vela. Evidentemente Deus não foi só o engenheiro responsável pelo projeto; ele foi também o comandante e o piloto daquela primeira embarcação. Muito embora a contrariedade provocada pela precedente pergunta, algo reclama minha atenção: Por que a maioria dos seres humanos insistem em não se deixarem guiar por Deus?   

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Cantiga de roda

 

Cadê o gato? Ué, fugiu pro mato. Mas não teve fogo; também não tinha água. O boi ficou com sede e o homem era vegetariano. Pai Francisco entrou na roda tocando seu violão. Ele entrou se requebrando, querendo imitar o Michael Jackson, mas parecia um boneco desengonçado. E o violão estava desafinado. Vem de lá o delegado e o Pai Francisco foi pra prisão. Qual a acusação? Poxa, nem sequer leram os direitos dele. E o que ele disse? - “Mesmo que essa rua fosse minha, eu não teria como ladrilhá-la, ainda mais com brilhantes; sou pobre e vivo de Bolsa-família”.

Já Dona Chica disse que ia atirar o pau no gato... Ué, mas o gato não fugiu pro mato? Então ela gritou: - “Cadê você bichano?” Enquanto isso Samba Lelê tá doente, tá com a cabeça quebrada; foi hospitalizada e está fora de perigo. Briga feia mesmo foi entre o cravo e a rosa. Mas ninguém se feriu; já fizeram as pazes. No próximo fim de semana vão ao show do Alok. Sim, o Chapeuzinho Vermelho continua cuidando da vovó e comendo Nutela. O lobo mau? Coitado, casou-se com a Lassie e está pagando os pecados; tiveram um filho muito famoso chamado Rin Tin Tin.

E a cantiga termina com todo mundo cantarolando: _” Lá ri lá lá” e passando o anel. Enfim, pera, uva ou maçã?

Novo destaque


Em 2019 irrompe a pesudopandemia promovida pela China, pelo menos dizem que um macaco revoltado com Xi Jinping resolveu contaminar os alimentos na feira de Wuhan. E João Dória começou a fazer negociações e fechar contrato com os chineses. A TV Bandeirantes encetou a transmissão da vida de Bruce Lee. Jackie Chan surge a fazer comercial da Shopee. Hoje em dia o Fantástico (Rede Globo), todo domingo, exibe reportagens sobre os chineses. Dizem que no Rio de Janeiro algumas escolas tornarão obrigatório o ensino do mandarim. Artistas, músicos e comediantes chineses estão “bombando” no Instagram. O governo chinês já adquiriu terras e mais terras brasileiras. Nosso país está sendo loteado e distribuído a estrangeiros. A China não só investiu, mas comprou empresas no Brasil. Eis o capitalismo de Estado; comunismo é só para controlar o povão. Existem lugares no Brasil que só residem chineses; lá não se fala nosso idioma. Bem, com tantos chineses fazem-se necessários empregos. Há fábricas que só empregam chineses. Então surge a PEC 8/2025 para pôr fim a escala 6X1, com a alcunha de reforma trabalhista. Afinal, clamam os canalhas que, o trabalhador brasileiro precisa de mais horas de descanso e passar mais tempo com a família. Só os chineses não podem ficar desempregados. Coincidência? Pergunta-se: chineses terão direito ao Bolsa-família? O governo dará um jeito; só não sei se as autoridades chinesas vão aceitar, pois uma montadora de carros (chinesa, é claro), situada na Bahia, já foi acusada de trabalho escravo. Ah, os direitos humanos! (risos).

Muito em breve um novo epíteto estará adornando e integrando o vocabulário esquerdista para rotular pessoas que pensam como eu: sinofobia! E eu repito a exaustão as palavras de Charles Darwin: “Oh, shameless people!”


terça-feira, 2 de junho de 2026

Somente escoriações

 

Já fazia algum tempo que tinha a impressão de estar sendo seguido. E posso vos afiançar que trata-se de sensação nada agradável. Eu parava, olhava para trás, o entorno e ... nada. Pessoas cruzavam, encaravam-me, mas não levantavam suspeitas. Muito embora tal incômodo, permiti-me, em um fim de tarde, visitar certa feira de artesanato: peças de macramê, esculturas em madeira rústica, toalhas de fuxico, etc. Não, eu nada adquiri; a disponibilidade financeira não me permitia desregramentos.

Anoitecia quando saí da exposição. Agora não mais se tratava de mera impressão; a coisa acontecia, pois lá estava o drone; eu podia vê-lo, ouvi-lo. Teria eu praticado algum crime? Estaria eu sendo acusado de conservador ou fascista? Seria detido pela Polícia Federal e torturado? Optei por refugiar-me em um banheiro químico, o que por si só já é uma tortura. E onde estão os Direitos Humanos? Será que meu nome foi citado na delação de Vorcaro? Lembro-me que tive meu pedido de empréstimo negado pelo Banco Master quando tentei editar um de meus livros. Será que o Toffoli vai me dar um Habeas Corpus preventivo, no caso de eu ter que depor na CPMI? Prometo ficar calado por evocar o artigo 5º, inciso LXIII da nossa Constituição.

Abandonei o insultuoso banheiro de cor azul e dirigi-me ao calçadão que acompanha a orla da praia. Lá estava o homem a controlar o drone; ele estava junto à jornalistas. Dois ou três deles vieram em minha direção. Sim, é isso: eu fora um dos ganhadores do título de Novos Escritores da Língua Portuguesa e neguei-me a falar com a imprensa. Nada de entrevistas; não quero minhas frases editadas, minhas sentenças manipuladas; não quero que ponham palavras em minha boca e daí criem narrativas ideológicas. E o que fazer diante da súcia jornalística?

Súbito, a freadas bruscas somaram-se gritos. Enfim, total alarido, pois certo motociclista, numa empenhada exibição, empinou sua máquina e levou uma queda. Todos os presentes, jornalistas ou não, para lá correram. Nada grave; somente escoriações. Então pude seguir meu caminho e permanecer anônimo.  


sábado, 30 de maio de 2026

Na contramão

 

Difícil falar em contramão quando, na verdade, a presente temática não possui mão única. Opiniões se divergem, é fato, mas a tentativa de estabelecer uma convicção ou crença como verdade superior é algo que beira ao ridículo. A Nova Ordem Mundial, tida por muitos como teoria da conspiração, (e ela folga com isso) tem por objetivo o governo único e centralizador. A Organização das Nações Unidas, subsidiária (um puxadinho) da NOM, nada mais faz do que atender essas expectativas. Observemos, pois: a zona do euro é composta atualmente por 21 países, mas o que está por trás não é só a questão econômica. O professor José Joaquim Gomes Canotilho, português, catedrático da Universidade de Coimbra, chegou a propor uma Constituição Universal.

Logo, uma primeira questão se nos apresenta: o que o professor chama de universal? A Europa? A zona do euro? O Ocidente? O que ele entende por Constituição? Seria uma Common Law? Ou algo dogmático como a brasileira? O certo é que a Constituição deve atender às expectativas e demandas de determinada sociedade, o que envolve principalmente suas tradições e legados culturais. Parece-me, entretanto, que tanto a NOM, quanto sua sequaz ONU e os defensores da constituição universal visam apenas a unificação cultural, onde valores são execrados. Evidentemente que o próximo passo seria a imposição de uma nova e repreensível cultura.  E não vos deixais ludibriar, a OTAN, já que perdeu sua finalidade com o fim da guerra fria, em muito tem colaborado com tais despropósitos.  

Portanto, “poetas, seresteiros, namorados correi; é chegada a hora de” não mais viajar. Cumpridos tais propósitos, não mais haverá história, não mais existirão diferentes costumes e ou culturas. Ora, se a cultura é o diferencial de cada povo, o DNA de toda e qualquer nação, arrisco-me a incorporar, por certo, o epíteto de terrorista ao citar o Alcorão: “A humanidade não é feita de uma só nação”.     

terça-feira, 19 de maio de 2026

Anedota histórica

 

Primeira dúvida: seria folclore ou fofoca? E desta feita envolve o nome de Rui Barbosa, que recebeu do Barão de Rio Branco o título de Águia de Haia. O acontecido teve lugar na cidade de Haia, na Holanda, atualmente Países Baixos. Rui Barbosa, nascido na cidade de Salvador em 1849, mestiço (mulato ou pardo), representou o Brasil na 2ª Conferência Internacional da Paz, em 1907. Nosso protagonista em questão era jurista, diplomata, político, escritor, jornalista, fundador da Academia Brasileira de Letras, coautor da Constituição de 1891, primeiro ministro da fazenda e fluente em 5 idiomas. E aqui pergunto aos ativistas acerca do racismo estrutural.

Mas voltemos à anedota. O título conferido a Rui Barbosa não foi artimanha política, pois nosso representante brilhou, de fato, em a dita Conferência, encantando a todos, até mesmo por discursar em vários idiomas. Agora sim a fofoca: dizem que certa senhora, de beleza singular e representante da nobreza de certo país nórdico, aproximou-se de Rui Barbosa e com ele entabulou conversa. Disse a princesa que jamais havia conhecido pessoa tão brilhante, educada e culta. E fez a proposta: Eles (ela e Rui) deveriam casar-se. E o argumento foi de que o filho dessa união deveria nascer com a inteligência do pai e a beleza da mãe. Ora, nosso herói era casado. E Rui Barbosa, com todo aparato diplomático que lhe era peculiar, respondeu a declinar da proposta: - “Pode ser perigoso; a criança pode nascer com a minha beleza e com a sua inteligência!”

E quem vos disse que não se plagia anedotas? O pavão, com sua inegável beleza, andava de lá para cá ensimesmado; ele pensava: “Sou tão belo, mas não consigo voar; o urubu tão feio e voa o quanto quer”. Nesse ínterim certo urubu pousou a seu lado. O pavão aproximou-se e iniciou conversa. - “Poderíamos nos unir em casamento; nosso filho teria a minha beleza e poderia voar livremente pelos céus. O urubu topou. Em suma, nasceu o peru: feio pra caramba e não voa!

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Aprendizado

 

Eu deveria estar com nove ou dez anos; na pré-adolescência para ser mais inexato. E como sempre, quando em fins de semana ou feriados, refugiava-me na casa de meus avós, na enorme propriedade rural, que nós, eu, meus irmãos, primos e primas chamávamos de sítio. Lá fora palco não só de excelentes recordações, mas também de inúmeros aprendizados. E um deles creio ter sido marcante, inclusive filosoficamente falando.

Nunca fui de tirar proveito da preguiça que nos incita após o almoço. Então eu ficava à janela observando o entorno enverdecido por árvores, plantas, flores. Um pássaro, que nunca consegui identificar a espécie, em seu despreocupado voo, chocou-se, por não perceber, com o vidro da janela. A ave caiu ao solo e começou a se debater, creio que por causa da dor. Pulei a janela e o peguei cuidadosamente. Pareceu-me que uma das suas asas estava quebrada. Chamei por meu avô. Ele, como sempre solícito, recolheu o bichinho, investigou o ferimento e deu início ao tratamento. Eu apenas um neófito. Depois do procedimento, primeiros socorros promovidos por dois incipientes veterinários, vovô decidiu deixá-lo em uma gaiola.

Passados poucos dias, observando o passarinho já de pé sobre o poleiro, quis deixá-lo ir. Todavia meu avô não permitiu. E o aprendizado teve início: - “Queres vê-lo livre, não? Pois é, mas ele ainda não está pronto para desfrutar da liberdade; se o soltarmos agora, por certo morrerá”. Então pus-me a pensar sobre a liberdade. Até hoje pergunto-me se, de fato, todas as pessoas estão prontas para desfrutar da liberdade? A vera liberdade, a meu ver, é uma autoconstrução; o livre arbítrio condiciona a liberdade.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

PA = 85

 

Dizem que “quem conta um conto aumenta um ponto”. Nada obstante, o conto é nada mais que um gênero literário, uma criação individual assinalada por narrativas curtas. Já o caso (ou causo) é caracterizado como fato, ocorrência, acontecimento, situação comprometida com a realidade. Então, em face do exposto, vou tentar - não prometo - relatar certo caso sem aumentar, sequer, um único ponto. Mas se eu o fizer? Que mal haverá nisso? Afinal os geômetras afirmam que o ponto não tem extensão. Todavia, terei cuidado, pois a sucessão de pontos estabelece uma reta. Acautelai-vos, portanto, das retas!

O sujeito em questão, na verdade um elemento, tem por nome Ástato. (Por favor, esqueçamos a Tabela Periódica!) Pais? Desconhecidos, pois fruto de uma fertilização in vitro. Nacionalidade também ignorada. Diziam-no, e de modo equivocado, alguém instável, muita embora ser analista comportamental. Inegavelmente, trata-se de rara “pessoa”, conquanto autodeclarar-se ubíquo. Fisicamente, chamam-no de “gordinho”, haja vista sua figura exteriorizar algum peso. Mas foi, de fato, sua estabilidade (emocional, social, pessoal, etc.) no trato com os seres humanos que o tornaram um anacoreta.

Mesmo estando só, negou fazer-se poeta; não se permitiria a rimas estapafúrdias. A poesia mesma acaba por punir seus detratores! (Premonição?). Na música experienciou o arrebatamento; composições a exigir harmonia, melodia e ritmo, e tudo mesclado a veros sentimentos. Tiveram lugar, então, contos a transcender não só o real, mas também o ilusório; uma espécie de veracidade abstrata. Com a religião, um novo e grandioso arrebatamento. Por fim mais e mais livros. Então revelou-se o filósofo: autoconsciência, elemento de uma tabela não periódica, mas ascensional. Doravante a compreensão do que é ser ilustre, distinto, magnânimo. A partir do entendimento sobre “O Mundo como Vontade e Representação”, passou a repetir de modo exaustivo: “A solidão é o destino dos espíritos nobres”.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Conversa afiada

 

Artrite, rinite, conjuntivite; artrose, trombose, escoliose.  E certo sujeito rimou New York city com apendicite. Alguém não muito “polido” soube que o avião em que viajava estava com problemas e, por certo, próximo da queda; então quis refugiar-se na cauda. Um outro, quase papai, quis homenagear seu ídolo cinematográfico, o ator Kiefer Sutherland; quando a menina nasceu ele a chamou de Suderlane.

Agora, falemos de coisas sérias: O elefante é um mamífero que não pula; o próprio peso (que pode ultrapassar algumas toneladas) torna o salto impossível. Então pergunto: e a elefanta (ou aliá) consegue saltar? Simples! Voltemos-nos à etimologia. Do latim, elephantus, que por sua vez vem do grego eléphas, utilizado para designar tanto o animal quanto o marfim. Estamos diante de termos neutros e abrangentes. A palavra todos, por exemplo, é um termo masculino genérico. Nada de machismo ou misoginia, pois arara e onça são termos femininos e genéricos. Existem ainda substantivos uniformes sobrecomuns, pois um mesmo artigo é utilizado para ambos os gêneros. A criança (masculino e feminino), A pessoa (masculino e feminino), A vítima (masculino e feminino). Quando só se muda o artigo, estamos diante de substantivo comum de dois gêneros: O/A estudante, O/A cliente.

A palavra homem (objeto de nossa atenção), origina-se no termo latino hominem, e teria como origem etimológica o húmus (solo, terra), ou seja, feito de terra, e que independe de gênero. O homo refere-se à humanidade em geral (homens e mulheres). O termo, portanto, é genérico, tanto quanto o elefante anteriormente citado. Portanto, paremos com essa bobagem de feminicídio, pois o que de fato existe é homicídio. O respeito ao próximo não se resume à truanice de uma degeneração linguística. O termo todos, abrange todas e todos, independentemente se homens, mulheres, adultos, crianças, velhos, velhas, brancos, amarelos, negros, héteros ou homossexuais. Fica aqui registrada minha proposta de retorno do latim às salas de aula.

De que se trata, afinal? O que temos hoje em dia é o conviver com alguns dos personagens elencados no início do presente texto, ou seja, o ridículo. A ideologia atua de modo a criar paralaxes cognitivas, e com isso vivenciamos um terrorismo semântico.      

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Oh by myself

 

Por companheira a solitude; por ela me deixo conduzir. E não posso reclamar da não convivência, afinal lanço-me por caminhos nunca dantes percorridos. Eu ouço o silêncio (e ele não atordoa), eu vejo o que impende, transcendo a insciência, transito por harmonias, melodias, descortino metáforas... Não mais ideias absconsas; do impensado tornei-me artífice.

Foi com essa disposição que conheci Sergei. Não pessoalmente, mas através da sua arte, a arte de alguém só, mas não carente de sentimentos, de alento, de conforto... E teve início o primeiro movimento: acordes a manifestar certa angústia, e o entorno, mesmo que belo, a demonstrar indiferença. Até que o adjacente - a amizade, o respeito, o carinho, a admiração - interfere; a angústia então arrefece, transmuta-se, altera-se. Nas frases sustenidas ainda se pressente a tristeza, se bem que em sua busca por auto superação.

O adágio nada mais é do que o meditar, a proposta de uma melhora. A harmonia descarta o implorar, nem mesmo cogita auto comiseração. A beleza está em demonstrar superação; o esforço em se reinventar. Novas ideias a se formar, um imprevisto que agora toma vulto; a buscada paz interior. A certeza do estar sozinho permeia todo o segundo movimento. A solidão, no entanto, mostrar-se-á como força, como sensatez.

E tem lugar o terceiro movimento, o orgânico da melodia em sua inteireza. Propostas são aludidas; força e delicadeza mesclam-se. Doravante nada mais será deprimente; terá lugar o amor. Habilidades, originalidade e criatividade revelar-se-ão em todo o viver. Superadas estão as críticas, as dificuldades. A alegria, a fé e a certeza afloram com força descomunal. Eis o Concerto nº 2, opus 18, em C menor, para piano e orquestra, de Sergei Rachmaninoff.   

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Geração Z

 

Sim, somos a geração Z. E por favor, não nos chame Nutela. Somos felizes, muito felizes. Tivemos infâncias perfeitas: nossos pais e mães nunca nos disseram NÃO; ficávamos à vontade, jamais sendo contrariados. Crescemos sem traumas; nada de mi mi mi.  Professores a nós se vergavam. Bullying? Nossos pais obrigavam todos a nos respeitarem. Somos hiperconectados e valorizamos a diversidade. Sustentabilidade está presente até mesmo em nosso cotidiano; nosso pão não contém glúten, nosso leite não contém lactose, nosso café é descafeinado, nossa cerveja sem álcool. Não usamos papel higiênico; bumbum sujo? Água! Nossa cor preferida é o “Blue Sky”, de pureza inigualável. Buscamos equilíbrio entre vida pessoal e profissional, muito embora o trabalho não ser muito nossa praia (preferimos viver às custas de benefícios sociais). Nada de ter patrões e/ou cumprir horários (isso é coisa de fascista). Somos empreendedores, resilientes; nada pode nos impactar. Desafiamos hierarquias e tradições. Somos autênticos; nossa pele exibe a magia do tattoo. Nossa arte se exibe através da contracultura. A música eletrônica nos arrebata. Em nada somos fanáticos; nem mesmo no amor. Nosso sexo não necessita de orgasmo; bastam comprimidos de ecstasy. Não temos heróis, mas reverenciamos mitos.

Eu também quero ser um deles: um MC, um DJ; quem sabe um influencer?

quinta-feira, 23 de abril de 2026

“It’s jungle out there”

 


 

O presente texto é uma obra de ficção, portanto, qualquer semelhança com fatos, eventos e pessoas vivas ou mortas seria mera coincidência.

 

E as manchetes, independentemente se impressas, radio-televisivas ou em redes sociais estampavam o pavoroso crime: AUTOR DE BEST SELLER ASSASSINADO POR POSSÍVEL RIVAL. Seguia-se, então, informações adicionais: o famoso escritor invadira, de arma em punho, a casa do homem que teria supostamente assediado sua esposa. Para defender-se, o pretenso assediador reagira causando a morte do escritor. Preso em flagrante, o atirador fora liberado e inocentado, haja vista a alegada legítima defesa. O curioso foi a unanimidade com que os detalhes foram divulgados pela mídia. Nelson Rodrigues, e até mesmo antes dele Aristóteles, já teria dito que “a unanimidade é burra”.

Mas, voltemo-nos aos fatos. O inquérito fora concluído e a morte do escritor considerada legítima defesa. Contudo, tendo em vista o grande número de questões não respondidas, certo detetive, apelidado de Monk, deu início à sua própria investigação, a começar pelo autor assassinado: ex militar, não adepto de redes sociais, tornara-se escritor por conta de um único livro, livro este tornado best seller, haja vista a procura do mesmo, que versava sobre o suposto golpe de 08 de janeiro. O livro abrangia detalhes totalmente inusitados omitidos pela mídia e desconsiderados em quaisquer inquéritos. Enfim, dir-se-ia um desmascaramento total, pois que nomeava os veros responsáveis, inclusive pessoas do primeiro escalão do governo.

Porém, o que mais me deixou perplexo foi o fato de o autor ter conseguido reunir tantos leitores em um país de analfabetos, semi analfabetos, analfabetos funcionais. Afinal, vivenciamos o ápice de uma escravidão ideológica, pois não há espontaneidade alguma em permitir-se escravizar. A escravização ideológica começa com a ignorância. E este foi a mote a incentivar o investigador Monk. Uma primeira notícia que deveria reclamar atenção de todos, mas de certa forma abafada pela imprensa, foi o incêndio na editora responsável pelo divulgação do livro. A destruição fora total; nem sequer uma prensa fora resgatada do fogo. Não sei porque, mas algo me faz lembrar de Watergate. Quanta falta de originalidade!

E Monk foi à casa do falecido, homem de 43 anos; a esposa concordou em dar informações. Ela disse ter alertado o marido quanto ao conteúdo do livro. Não obstante a procura e o sucesso da brochura, não faltavam ofensas advindas dos órgãos de imprensa. Mas o marido não respondia, ele não tinha Instagram, Facebook, X ou algo parecido, não dava entrevistas ou respondia a qualquer provocação. Então teve início o assédio à esposa Ana por um jovem recém saído da Academia Militar. Ana compareceu à delegacia da mulher e registrou boletim de ocorrência; nada foi feito, nenhuma medida de restrição ao assediador; ele sequer foi indiciado.

Aquilo, de fato, incomodava muito a harmonia do casal. Até que certo dia receberam um bilhete escrito pelo suposto assediante; ele propunha uma conversa esclarecedora. Nosso escritor pensou bastante antes de resolver-se... Decidiu-se e foi. O horário marcado para o encontro na casa do importunador foi às 15 horas. O marido fora pontual: 03 da tarde! Testemunhas passantes disseram que os 2 (dois) tiros foram ouvidos às 3 horas da tarde. Então não houve tampo para diálogo. A esposa mostrou ao detetive a arma do marido; ele a deixara em casa. Todavia, uma outra arma fora encontrada na mão do escritor; esta tinha o número de série raspado. O primeiro disparo teria sido feito pelo autor. Muito conveniente, não?

Dias depois nosso detetive tentou uma entrevista com o assediador. Nada! Ele não respondia a telefonemas ou tentativas de contato. Monk então, no uso de suas fontes informativas, buscou saber mais sobre o jovem recém formado na academia militar. Nada, a não ser que tinha parentesco com alguém dentro da esfera governamental. Inconformado, Monk contratou um hacker. E o que foi descoberto? Simples: uma conta no exterior com milhares de dólares; transferência do Banco Master.

Obs: as informações acima me foram passadas diretamente pelo detetive. O título de presente texto “It’s jungle out there” me foi sugerido pelo próprio investigador e é homônimo da canção que serve como fundo musical ao seriado Monk. Então consigo perceber a ironia, pois, em geral, inquéritos no Brasil são conduzidos com uma mesma comicidade intrínseca.          

quarta-feira, 4 de março de 2026

Breve olhar sobre a corrupção

 

Seria perda de tempo, nesta oportunidade, ocupar-me da corrupção enquanto deterioração física de uma substância ou matéria orgânica e até mesmo falar de alterações de um estado ou característica original. Volto meu olhar, portanto, ao comportamento desonesto, fraudulento, ilegal, algo que implique troca de dinheiro, valores ou serviços em proveito próprio. O curioso é que a corrupção vincula-se, amiúde, à pessoa ou organização a quem foi delegada posição de autoridade. Figuradamente, a corrupção vem refletir uma degradação moral, indiferentemente se ativa ou passiva.

Vejamos! A corrupção, definitivamente, não é coisa de brasileiro! Na Grécia Antiga, pasmai, (430-322 a.C.) de 6 a 10% dos oficiais foram investigados. Na Roma Antiga, a corrupção foi endêmica, o que degradou não só o sistema político, mas também a economia em finais do Império. É de cair o queixo pois fala-se, inclusive, em suborno eleitoral, desvio de verbas, etc. Salvo melhor juízo, parece-me que a corrupção é parte integrante da raça humana, principalmente aos ínsitos em o âmbito político.

Uma primeira pergunta: e a democracia melhoraria esse “status”? Claro que não, a corrupção independe de sistemas políticos. Foi a democracia que condenou Sócrates. A corrupção está presente em nossa vida, em nosso dia-a-dia. E por que será? Parece-me que a política, ou a geopolítica (como quiserdes) não consegue emancipar-se da corrupção. Em qualquer lugar do planeta, volta e meia escândalos irrompem e desmascaram um bando de “filantropos”. Então a corrupção se autorregula. Como? Os apontados são “justiçados”, isto é, presos, condenados, executados. E vida que segue!

Mesmo em dias atuais, com o advento da tecnologia, a coisa permanece. Mas por que? o que há por trás de tudo? Economicamente falando, o que tem importância, o que traz dinheiro ao mundo? Petróleo, água, drogas! (não necessariamente nessa ordem). Poucos são os países que têm petróleo; poucos os países que têm água em abundância. Drogas? É disso que falamos? Sim, exatamente. Pablo Escobar tinha sob seu comando mais homens do que o exército peruano. Sabeis, porventura, que a droga movimenta, anualmente, bilhões de dólares? Bem mais que o PIB de muitos países.

E o como o tráfico pode se manter? Os gastos da instituição policial no combate ao tráfico são muito elevados. Será que há, de fato, interesse no combate ao tráfico de drogas? Não vos enganeis, a caçada a Osama Bin Laden foi apenas cortina de fumaça, pois grande quantidade de droga estava deixando de ser transportada do Afeganistão. Muita gente estava perdendo dinheiro. Estai atentos: o Estado Islâmico e a CIA são a Al Quaeda.  Países considerados pequenos implementam as drogas visando a própria sobrevivência; grandes nações estão a prosperar graças ao tráfico que lava dinheiro. E como o tráfico permanecerá? Onde está o suporte? Na corrupção!

Infelizmente, em nosso país, a corrupção está institucionalizada; as coisas são feitas quase que às claras. Assim como em outros lugares, estamos a vivenciar um narco estado. Nossas instituições renderam-se abertamente ao narcotráfico. Somos únicos? Não, evidente que não, mas aqui a perversão traja black tie, reveste-se de justiça e vomita desvalores à rodo.

Que Deus tenha piedade de nós!          

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Referência ambiental

 

Esta é a história de um verdadeiro ambientalista, alguém que faria Greta Thunberg parecer uma vândala ou, se assim desejardes, uma terrorista ecológica. Sim, brasileiro (por que não?), desapegado de bens materiais, de fama, notoriedade, de redes sociais. Uma vida voltada unicamente à preservação do meio ambiente. Ele, inclusive, armava sua rede em meio a florestas e deixava-se agredir por insetos. Sua abnegação mostrava-se bem próxima da loucura. Pois bem, o dito autodesprendimento cobrou seu preço, pois nosso herói apresentou problemas graves de saúde: uma doença autoimune que em breve o levaria a óbito.

Mas o ativista não deixou barato, pois ciente da própria morte, pretendeu que seus restou mortais servissem de adubo orgânico; ele gostaria que partes de seu corpo fossem espalhadas - e enterradas - em certa floresta. Mas como? Isso seria altamente ilegal! Como, em dias atuais, mutilar um cadáver? Então nosso amigo entrou com um pedido junto às autoridades expondo motivos como desapego à vida material e o mais importante: sua preocupação com o meio ambiente. Todavia, a autorização para o esquartejamento lhe fora negado; não só em primeira como em segunda instância.

E a doença avançava. O recurso apresentado ao Supremo Tribunal Federal pedia urgência, haja vista a celeridade na degeneração da saúde do requerente. Sorteado o relator, a coisa foi parar nos braços da ministra, também já próxima de um inexorável encontro com o Ceifeiro. Tendo em vista toda uma vida de dedicação ao meio ambiente, e só daquela vez (segundo consta na decisão da ministra) o espostejar do corpo, quando em comprovado óbito, fora autorizado.     

Hora do óbito? Eu não saberia dizê-lo. Mas o falecimento deu-se, e não sem o típico estardalhaço da imprensa. Só não filmaram e divulgaram o espedaçar do corpo e o sepultamento dos mesmos, mas uma série de lápides repletas de epitáfios foram espalhadas pela floresta. Frases do tipo: “Aqui jaz aquele que nem mesmo da vida a morte levou” (???). Enfim, dias e dias de total rebuliço. E teve início algo como um culto; sim o cultuar daqueles que se diziam também ativistas, se bem que adoravam um iate, um jatinho, hotéis de luxo, etc.

Diariamente podia-se observar uma espécie de procissão em meio a floresta, a visitar os lugares - a blasfêmia de uma nova via crucis - onde diziam abrigar parte dos restos mortais (agora adubo) do “semideus”. Pessoas oravam e acendiam velas ao novo santo padroeiro das matas brasileiras. E foi numa dessas tardes quentes e com rajadas de vento que o incêndio teve início; o fogo espalhou-se rapidamente e destruiu a encantada floresta.   

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Novo currículo

 

Com muito pesar constato a ineficácia de Curricula Vitae na busca por trabalho; mesmo que o currículo esteja repleto de cursos, especializações, pós-graduações etc. Em verdade, a titulação, em si, já surge desacreditada (isso é de conhecimento geral), porque as instituições de ensino preocupam-se com a satisfação de seus próprios interesses econômicos, em cumprir demandas sociopolíticas e atender protocolos doutrinários.

Mas, para não ocupar vosso precioso tempo com “insignificantes obviedades”, resolvi adequar e divulgar um novo currículo; isso na tentativa de atender minha necessária e pessoal demanda. Eu poderia iniciar pelo já conhecido chavão: “Cama, mesa e banho”. Não, isso é comercial para lojas de tecidos! Então, apelo para o também manjado: “Lavo, passo e cozinho”. 

Ainda suscetível às exigências acadêmicas, apresento-vos, com certo ineditismo, o (meu) curso da vida: possuo graduação em lavagem de roupas, inclusive aquelas que soltam tintas; especialização em faxina caseira, voltada à banheiros e quintais. Minha pós-graduação objetiva o passar de roupas, incluindo cambraias, sedas e tecidos sintéticos. Outra especialização em vias de terminar ocupa-se da lavagem de louças, o que envolve, cristais, talheres de prata, bandejas etc. Sim, atualmente, a título de treinamento, volto-me a aparar gramas e demais vegetais presentes em degradados jardins.

Vale a pena relembrar: sou aposentado e não preciso de carteira assinada. O salário? (risos) A combinar; que seja qualquer coisa próxima do mínimo.