quinta-feira, 25 de junho de 2026

Amodernar

 

As novas gerações desconhecem os aparelhos telefônicos originais. Sequer ouviram falar em Graham Bell. Discagem? Nem pensar! Câmeras fotográficas ficaram no passado. Agendas? Mapas? Máquinas de costura com pedais? E a datilografia? Até mesmo os teclados estão ficando ultrapassados; a onda agora (a vibe) é comando de voz. Será que estamos fadados ao rompimento com o passado? E os dados históricos? Tudo, de fato, estaria refém da modernização? Vejamos!

Em uma das minhas atípicas incursões, adentro a Casa da Cultura de Pernambuco. Descubro então que naquele edifício histórico funcionara, de 1855 a 1973, a antiga Casa de Detenção do Recife. Muito embora a construção esforçar-se por exibir os protocolos exigidos para um mercado de artesanato, uma das celas fora mantida em estado original. E ali permiti-me permanecer e pensar. Lá o tempo nada alterara. Em que os novos conceitos modificara os compartimentos prisionais? Parece-me que a modernização não atinge as celas que limitam liberdades.

De volta ao atual contexto, percebo que o mundo moderno esforça-se sobremaneira para não causar quaisquer embaraços aos seres humanos. Pergunto-me: seria isso benéfico? Um viver que a ninguém impõe sacrifícios soa-me como nocivo. Consequentemente despontará o egoísmo e o nefasto tornar-se-á recíproco. Então as arcaicas celas estarão à espera...  

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