As novas gerações desconhecem os aparelhos telefônicos originais. Sequer ouviram falar em Graham Bell. Discagem? Nem pensar! Câmeras fotográficas ficaram no passado. Agendas? Mapas? Máquinas de costura com pedais? E a datilografia? Até mesmo os teclados estão ficando ultrapassados; a onda agora (a vibe) é comando de voz. Será que estamos fadados ao rompimento com o passado? E os dados históricos? Tudo, de fato, estaria refém da modernização? Vejamos!
Em uma das minhas atípicas incursões,
adentro a Casa da Cultura de Pernambuco. Descubro então que naquele edifício
histórico funcionara, de 1855 a 1973, a antiga Casa de Detenção do Recife. Muito
embora a construção esforçar-se por exibir os protocolos exigidos para um
mercado de artesanato, uma das celas fora mantida em estado original. E ali permiti-me
permanecer e pensar. Lá o tempo nada alterara. Em que os novos conceitos
modificara os compartimentos prisionais? Parece-me que a modernização não
atinge as celas que limitam liberdades.
De volta ao atual contexto, percebo
que o mundo moderno esforça-se sobremaneira para não causar quaisquer embaraços
aos seres humanos. Pergunto-me: seria isso benéfico? Um viver que a ninguém impõe
sacrifícios soa-me como nocivo. Consequentemente despontará o egoísmo e o nefasto
tornar-se-á recíproco. Então as arcaicas celas estarão à espera...
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