O caos há muito se extinguira. Hominídeos e neandertais coabitavam. Tudo se resumia a instintos; a natureza em todo seu esplendor. Contudo, seres estranhos fizeram-se próximos aos hominídeos. Tem origem o gênero homo. O abandono das árvores, o bipedalismo, polegares opositores... Relações estreitaram-se; doravante, além de instintos, a comunicação. De início as interjeições, depois advérbios, os substantivos, os verbos... Há um aumento na capacidade cerebral. E tem lugar o segundo legado dos forasteiros: o ego. Eis o sapiens!
Nascimentos em demasia; uma primeira
família? Os grupos mostravam-se frágeis; mortes também em demasia. A
necessidade de alimentos, de proteção; não só o ter, mas o armazenar.
Imprescindível a presença de líderes. Surgiram grupos opositores, rivais. E tiveram
lugar as lutas, as batalhas; o primeiro objeto cultural: a arma. Estreava,
portanto, um rudimento de guerra. O ter, o dominar; enfim o poder. E o sapiens
viu que isso era bom.
O ser primitivo apenas reagia; nada
planejava, nada de regras. Alguém propôs um pensar racional, capaz de controlar
impulsos primitivos e as fortes emoções. Nada obstante, o ego, que por si só
reverencia a paixão, vem receber apoio incondicional da linguagem. Em verdade,
a razão usa a paixão como recurso para realizar-se. E tudo através da
linguagem. Ora, deuses não se comunicam por palavras; heróis são conhecidos por
suas ações. Seres humanos sim, os ditos sapiens, valem-se deste repulsivo
expediente.
Um primeiro espaço: a caverna! Refúgio
que permite a convivência entre dominados e dominadores. O despontar de uma
neófita “ciência” política. Imagens e frases de efeito para manipular; gostos,
hábitos e valores a serem implantados. Inicia-se a sociedade, e com ela os padrões
comportamentais, a cultura e as nações. De novo forasteiros a estimular uma
inata e ínsita racionalidade. Surge a ciência; mitos são abandonados,
explicados. Todavia, trata-se de sapiens. O saber passa a visar apenas interesses,
sejam eles pessoais e/ou do poder. Presa da vaidade, a ciência vê-se
mitificada.
O alerta é disparado; o repicar de
sinos! Mas, qual! Já se faz tarde. Dominados tornaram-se incapacitados. Não só
a ciência, mas a história, assim como todo e qualquer conhecimento sofre
adulteração. Doenças são criadas; enfermidades sugeridas. Alimentos
contaminados, nutrientes tornados ineficazes. A industrialização! Drogas
milagrosas cada vez mais fabricadas e sugeridas. O sapiens sapiens conhece a
derrocada; um nada a fazer. Exceto guerras. Guerrear é conquistar status
geopolítico. Surgem destaques, heróis e, economicamente falando, está tudo bem
obrigado!
Reduzidíssimo número de dominadores a
tudo comanda. Há como que uma nova morada para estes que se entendem como
“deuses”: um Olimpo terreal! São famílias a disseminar o caos, a espargir
horror, a buscar pela unificação do governo mundial. No entanto, eles perceberam
que o nefasto poder prescinde de notoriedade. O anonimato, então, transformou-se
em abrigo, em brasão. Ora, os obscuros “senhores” facultam poderes e
responsabilidade a paspalhões travestidos de governantes, onde a imensa vaidade
associada à ganância oficializa-os como líderes. Qual nada; são só e somente só
meros espantalhos!
E o que fazer? Sugiro apenas um
obstinado regurgitar. Arrojai de vós a mundanidade! Esvaziai-vos do profano, do
superficial. Sede apenas espírito!
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