quarta-feira, 17 de junho de 2026

Feminismo no galinheiro


Era um galinheiro como tantos outros. Lá vivia Haroldo, um galo em toda sua magnitude a zelar não só pelo bom ambiente, mas também pelas esposas, amantes e concubinas. Tudo transcorria à contento até a chegada da forasteira por nome Daphne. Ela não só recusara o amor, mas trouxera na bagagem o ativismo feminista. E os discursos começaram a angariar sectárias. Então, todas as atitudes de Haroldo passaram a ser questionadas. A coisa chegou a tal ponto que teve início uma campanha para que as cristas fossem submetidas à cirurgia em nome de uma igualdade de gêneros. Cantar alto pelas manhãs significava machismo; bater as asas sinal de misoginia. Sim, tudo ou quase tudo foi classificado como assédio. Mas o pior tornou-se patente: gerações de franguinhos assimilaram tais comportamentos; chegaram a falar em “machismo estrutural”.

Haroldo afastou-se do ambiente. Ele passava os dias a zanzar de cá para lá com certo desinteresse. O galinheiro tornara-se estranho. Até mesmo seu cantar madrugador era realizado em campo distante. Não mais poedeiras; as chocas não mais dispunham de ovos para incubar. Por vezes deparava-se com uma minhoca na terra úmida. Em meio ao seu ciscar, ele pode perceber que o discurso feminista não objetivava a salvaguarda da família, ninguém pregava a monogamia; valores e princípios não eram exigências. Sim, o que havia, de fato, era gaslighting (iluminação a gás), ou seja, manipulação emocional para distorcer a realidade, negar fatos e mentir para criar dúvidas. O assédio era psicológico, pois após a desestabilização emocional gerar reações, estas eram usadas como justificativas para a culpabilidade. Tudo não passava de estratégia para controlar comportamentos e limitar livre arbítrios. Todavia, às gerações, isso era imperceptível.

Enfim, Haroldo abandonou a busca por minhocas e a vida em sociedade. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário