O termo Hupokrisis, utilizado no teatro grego, significa representar, fingir, interpretar. Em dias atuais, entretanto, a hipocrisia assimilou carga um tanto negativa, ou seja, passou a ter a falsidade e o fingimento como sinônimos. Então surge a obnubilada pergunta: será que discorrer sobre hipocrisia não seria sintoma da própria hipocrisia? Nada obstante, convido-vos a partilharem comigo de tal empreitada.
A nuance surge quase que mesclada ao
ego. É quando alguém faz a clássica pergunta: - “Como vais?” Neste caso o
perguntador quer receber uma resposta de seu inteiro agrado. Quando esta não o
satisfaz ele pensa e até acusa o interrogado de depressivo ou fantasioso ou
alienado. Fato é que o inquiridor continua a esbravejar. E como
entendê-lo? Afinal, o que era para ser
uma conversa amena tornou-se um tonel de agressividade. Por quê? Ora, estaríamos
diante de uma pseudo hipocrisia? Uma falsa falsidade? Não, trata-se de querer
ser hipócrita e simplesmente não consegui-lo, ou seja, é ser patético.
Mas o que suscita tal atitude advém de
uma outra nuance de hipocrisia: o psicologismo, isto é, algo mascarado de
ciência. Os “doutores” dessa piegas e pândega ciência confundem realismo com
pessimismo. Esse é o mesmo psicologismo responsável por vitimizar toda uma
geração que só conhece “direitos” e execrar deveres; o mesmo psicologismo que
tomou conta das salas de aula, que tirou toda autoridade dos pais no tocante à
educação dos filhos, pois que em tudo preveem fonte de traumas.
Bem, em face do exposto, para não
contrariar a patetice e ser taxado de depressivo, quando me perguntam: - “Como
vais?” Eu respondo: - “Bem, muito bem;
melhor impossível!”
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