domingo, 7 de junho de 2026

Nuances da hipocrisia

 

O termo Hupokrisis, utilizado no teatro grego, significa representar, fingir, interpretar. Em dias atuais, entretanto, a hipocrisia assimilou carga um tanto negativa, ou seja, passou a ter a falsidade e o fingimento como sinônimos. Então surge a obnubilada pergunta: será que discorrer sobre hipocrisia não seria sintoma da própria hipocrisia? Nada obstante, convido-vos a partilharem comigo de tal empreitada.

A nuance surge quase que mesclada ao ego. É quando alguém faz a clássica pergunta: - “Como vais?” Neste caso o perguntador quer receber uma resposta de seu inteiro agrado. Quando esta não o satisfaz ele pensa e até acusa o interrogado de depressivo ou fantasioso ou alienado. Fato é que o inquiridor continua a esbravejar. E como entendê-lo?  Afinal, o que era para ser uma conversa amena tornou-se um tonel de agressividade. Por quê? Ora, estaríamos diante de uma pseudo hipocrisia? Uma falsa falsidade? Não, trata-se de querer ser hipócrita e simplesmente não consegui-lo, ou seja, é ser patético.  

Mas o que suscita tal atitude advém de uma outra nuance de hipocrisia: o psicologismo, isto é, algo mascarado de ciência. Os “doutores” dessa piegas e pândega ciência confundem realismo com pessimismo. Esse é o mesmo psicologismo responsável por vitimizar toda uma geração que só conhece “direitos” e execrar deveres; o mesmo psicologismo que tomou conta das salas de aula, que tirou toda autoridade dos pais no tocante à educação dos filhos, pois que em tudo preveem fonte de traumas.

Bem, em face do exposto, para não contrariar a patetice e ser taxado de depressivo, quando me perguntam: - “Como vais?” Eu respondo:  - “Bem, muito bem; melhor impossível!”    

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