A sabedoria estoica diz-nos que “o vento não sopra a favor de quem não sabe para onde ir”. Pergunto-vos: para onde devo ir? Afinal, tudo é farsa. A vida em si é um teatro mambembe; cabe-nos, apenas, uma irrelevante atuação. Tudo é montagem, condicionamento. Até mesmo aqueles apresentados como referência são instrumentos para manipulação.
Não, eu não falo de cantores
populares, artistas ou atletas; esses sequer serão mencionados. Nada obstante,
pergunto-vos: onde está a genialidade de William Shakespeare? Romeu e Julieta,
na verdade, trata-se de Píramo e Tisbe, conto trágico da mitologia romana,
imortalizado pelo poeta Ovídio. Hamlet advém de uma lenda nórdica do príncipe
Amleth, datada do século XII. Então retomo a questão: para onde devo ir?
Segundo disseram-me, o filósofo Lao
Tsé afirmara que a depressão atinge aos que vivem de passado. E como viver? De
presente? O derradeiro minuto já é passado. Viver de futuro? De expectativa,
arruinado pelo stress? A atualidade
constrange, agride, insulta. O moderno ou o pós-moderno, tomado de discursos
inclusivos, só faz criar obstáculos ao próprio viver. O agora é inspiração
dantesca. Pelo menos, o passado já teve algo positivo a nos legar...
Ora, e como viver? Farmar Aura? Por
certo, dir-me-ão os influencers para fazer harmonização facial, buscar uma
academia de Crossfit e comer barrinhas de cereal. Mesmo que “sinceramente”
agradecido, refuto tais sugestões; prefiro agarrar-me a coisas sólidas e
observar. Alguém, não sei se por piada ou escárnio, disse-me que tenho
afinidade com os lêmures de Madagascar. Será?