Artrite, rinite, conjuntivite; artrose, trombose, escoliose. E certo sujeito rimou New York city com apendicite. Alguém não muito “polido” soube que o avião em que viajava estava com problemas e, por certo, próximo da queda; então quis refugiar-se na cauda. Um outro, quase papai, quis homenagear seu ídolo cinematográfico, o ator Kiefer Sutherland; quando a menina nasceu ele a chamou de Suderlane.
Agora, falemos de coisas sérias: O
elefante é um mamífero que não pula; o próprio peso (que pode ultrapassar algumas
toneladas) torna o salto impossível. Então pergunto: e a elefanta (ou aliá)
consegue saltar? Simples! Voltemos-nos à etimologia. Do latim, elephantus, que por sua vez vem do grego
eléphas, utilizado para designar
tanto o animal quanto o marfim. Estamos diante de termos neutros e abrangentes.
A palavra todos, por exemplo, é um termo masculino genérico. Nada de machismo
ou misoginia, pois arara e onça são termos femininos e genéricos. Existem ainda
substantivos uniformes sobrecomuns, pois um mesmo artigo é utilizado para ambos
os gêneros. A criança (masculino e feminino), A pessoa (masculino e feminino),
A vítima (masculino e feminino). Quando só se muda o artigo, estamos diante de
substantivo comum de dois gêneros: O/A estudante, O/A cliente.
A palavra homem (objeto de nossa
atenção), origina-se no termo latino hominem, e teria como origem etimológica o
húmus (solo, terra), ou seja, feito
de terra, e que independe de gênero. O homo refere-se à humanidade em geral
(homens e mulheres). O termo, portanto, é genérico, tanto quanto o elefante anteriormente
citado. Portanto, paremos com essa bobagem de feminicídio, pois o que de fato
existe é homicídio. O respeito ao próximo não se resume à truanice de uma
degeneração linguística. O termo todos, abrange todas e todos,
independentemente se homens, mulheres, adultos, crianças, velhos, velhas, brancos,
amarelos, negros, héteros ou homossexuais. Fica aqui registrada minha proposta de
retorno do latim às salas de aula.
De que se trata, afinal? O que temos
hoje em dia é o conviver com alguns dos personagens elencados no início do
presente texto, ou seja, o ridículo. A ideologia atua de modo a criar paralaxes
cognitivas, e com isso vivenciamos um terrorismo semântico.