Soubemos, através da mídia, que o
Supremo Tribunal Federal vem causando grandes polêmicas ao lançar licitações
para comprar vinhos importados, lagostas e outros artigos de luxo. E tudo em nome
da confraternização. Pois bem, este ano a coisa foi diferente, pois nossos
ministros decidiram jogar uma “pelada” para confraternizar, afinal são 11
(onze) os principais integrantes da Suprema Corte. Todavia, quem aceitaria
jogar contra Suas Excelências? Consultaram Vini Júnior, Wesley, Estevão,
Marquinhos e tantos outros no exterior, mas eles pediram muito e o orçamento já
estava estourado.
Então a parceria entre Gilmar Mendes e
a CBF pode resolver o imbróglio. Um time nacional famoso seria escolhido, haja
vista o empenho dos ministros em tornarem-se próximos do povão. Outro problema:
que time escolher? Um dos ministros - não o relator - sugeriu que fosse time em
destaque e com expressivo número de torcedores. Portanto, o Clube de Regatas do
Flamengo foi escolhido por unanimidade.
Bem, alguns atletas tentaram pular
fora, inclusive o técnico Filipe Luís, mas de pronto foram ameaçados por
Alexandre de Moraes. A conversa era a de que tratava-se de uma brincadeira de
fim de ano, onde os jogadores poderiam relaxar e também confraternizarem-se. A Ministra
Carmen Lúcia seria a madrinha, muito embora as insinuações da Janja. O técnico?
José Dirceu. Quanto à escalação: Fachin o capitão, Flávio Dino no gol, para
armar as jogadas Alexandre de Moraes (ele é bom em armações), Gilmar Mendes na
zaga central, Zanin no ataque. No banco ficaram Nunes Marques, André Mendonça e
Luiz Fux. Dias Toffoli e ministros do STJ completaram a equipe togada.
E a pelada foi marcada. Uma força-tarefa
da Polícia Federal faria a segurança. Seria aberto ao público? Não, Fernando
Haddad quis sobretaxar os ingressos e ninguém, nem mesmo os flamenguistas se
interessaram em assistir o “clássico” Craques da Toga X CRF. Televisionado? Só mesmo
a Globo! (risos). Mas o jogo aparentava seriedade (aliás, como tudo no STF),
pois até VAR (mais risos) seria disponibilizado. Adivinhai quem seria o
responsável pelo VAR! Sim, ele mesmo, o PGR Paulo Gonet. O juiz seria o AGU
Jorge Messias; árbitros auxiliares seriam Davi Alcolumbre e Hugo Mota. (Putz)
E teve início a partida. Jogo feio; os
ministros todos de preto mais pareciam moscas a zanzar de lá para cá. Jogo chato;
ninguém andava em campo, nem uma jogada bonita. Nem Pedro ou Bruno Henrique, atacantes
do Flamengo, davam sequência às jogadas; Arrascaeta parecia hipnotizado. Depois
ficamos sabendo que grande parte da equipe rubro-negra fora ameaçada com busca
e apreensão; Arrascaeta teve seu passaporte apreendido. E tudo se resumia a: o
jogo é uma brincadeira (isso é a cara do STF); então é para ficar empatado em 0
X 0.
Mas a coisa desandou graças ao PGR, ou
melhor, ao VAR. Quando faltavam poucos minutos para o final da peleja, Paulo
Gonet alertou Jorge Messias, o juiz da partida, através do rádio. Segundo o PGR
a bola chutada por Carlos Brandão, ministro do STJ, dentro da área, resvalara
no braço do Alex Sandro. Não, não houve replay. O pênalti foi marcado. E quem cobraria
a penalidade máxima? Zanin! Gilmar Mendes o chamou em off e o alertou que o gol
não deveria acontecer; a partida tinha que terminar empatada.
Agustín Rossi preparado. Zanin
aproxima-se da marca, toma distância, tenta isolar a bola com um “bicudo”. Mas Zanin
é uma daquelas pessoas que erra até na hora de cometer erros. A pelota pega
efeito, resvala no travessão e entra. O narrador da Globo, um chato de galocha,
vibrando com o acontecido, passa uma eternidade a anunciar o gol. Depois disso
ele pergunta: “Sabe de quem?”
Fico aqui a dar tratos à bola (não a
bola de futebol): E se o time do Flamengo tivesse goleado os “Craques da Toga”?
No mínimo seria acusado de atentar contra a democracia, de agredir o Estado
Democrático de Direito. Quiçá, os atletas seriam incriminados por tentativa de
golpe e a esta hora estariam na Papuda.