O brevíssimo conto a seguir baseia-se
em fatos reais. Se lançado em plataforma de streaming,
cinema ou algo similar, sugiro que venha acompanhado do alerta de que o
conteúdo seria impróprio para menores. E vós, mulheres ou homens (não
necessariamente nessa ordem), por favor, evitai fazer isso em vossa casa!
Once
upon a time e o
jantar pronto. O homem cansado, haja vista o volume avassalador de trabalho. A
esposa serve vinho e o alerta acerca de sua decisão. Sim, a mulher estava indo
embora; queria a separação. O marido esfrega os olhos, busca saber o motivo; a
esposa alega um convívio insustentável, pois que o marido vivia para o trabalho
e ela sentia-se muito só. Ele assentiu com leve menear de cabeça, lamentou, mas
disse acatar sua decisão. Na manhã seguinte a mulher se foi. Onde? Lugar
desconhecido e distante.
Algum tempo depois o ex-marido viu-se
vítima de acidente automobilístico. A mulher, através de amigos em comum, soube
e resolveu visitá-lo. A tiracolo trouxe o novo amante. O homem agradece a
visita e os recebe de bom grado. Todavia, quando sozinha com o ex-marido no
aposento, ela pergunta se ele ficou com raiva. Ele sorri, balança a cabeça
negativamente e diz que a compreende, afinal ela fora honesta e também já
estavam separados há quase um ano. A mulher, então, reage aos berros. - “É
assim? Tu não consegues guardar raiva? Eu estava certa; tu nunca me amaste”. A
cena distanciava-se de um solilóquio; e ela prosseguia: - “Como alguém que diz
amar não consegue ter raiva, mágoa ou ressentimentos?” E quase a implorar
encerrou a conversa: - “Por favor, tenha raiva de mim!
Pois é, o inusitado, por vezes, se nos
apresenta travestido de discernimento e elegância. Evitemo-lo, portanto!