sábado, 30 de maio de 2026

Na contramão

 

Difícil falar em contramão quando, na verdade, a presente temática não possui mão única. Opiniões se divergem, é fato, mas a tentativa de estabelecer uma convicção ou crença como verdade superior é algo que beira ao ridículo. A Nova Ordem Mundial, tida por muitos como teoria da conspiração, (e ela folga com isso) tem por objetivo o governo único e centralizador. A Organização das Nações Unidas, subsidiária (um puxadinho) da NOM, nada mais faz do que atender essas expectativas. Observemos, pois: a zona do euro é composta atualmente por 21 países, mas o que está por trás não é só a questão econômica. O professor José Joaquim Gomes Canotilho, português, catedrático da Universidade de Coimbra, chegou a propor uma Constituição Universal.

Logo, uma primeira questão se nos apresenta: o que o professor chama de universal? A Europa? A zona do euro? O Ocidente? O que ele entende por Constituição? Seria uma Common Law? Ou algo dogmático como a brasileira? O certo é que a Constituição deve atender às expectativas e demandas de determinada sociedade, o que envolve principalmente suas tradições e legados culturais. Parece-me, entretanto, que tanto a NOM, quanto sua sequaz ONU e os defensores da constituição universal visam apenas a unificação cultural, onde valores são execrados. Evidentemente que o próximo passo seria a imposição de uma nova e repreensível cultura.  E não vos deixais ludibriar, a OTAN, já que perdeu sua finalidade com o fim da guerra fria, em muito tem colaborado com tais despropósitos.  

Portanto, “poetas, seresteiros, namorados correi; é chegada a hora de” não mais viajar. Cumpridos tais propósitos, não mais haverá história, não mais existirão diferentes costumes e ou culturas. Ora, se a cultura é o diferencial de cada povo, o DNA de toda e qualquer nação, arrisco-me a incorporar, por certo, o epíteto de terrorista ao citar o Alcorão: “A humanidade não é feita de uma só nação”.     

terça-feira, 19 de maio de 2026

Anedota histórica

 

Primeira dúvida: seria folclore ou fofoca? E desta feita envolve o nome de Rui Barbosa, que recebeu do Barão de Rio Branco o título de Águia de Haia. O acontecido teve lugar na cidade de Haia, na Holanda, atualmente Países Baixos. Rui Barbosa, nascido na cidade de Salvador em 1849, mestiço (mulato ou pardo), representou o Brasil na 2ª Conferência Internacional da Paz, em 1907. Nosso protagonista em questão era jurista, diplomata, político, escritor, jornalista, fundador da Academia Brasileira de Letras, coautor da Constituição de 1891, primeiro ministro da fazenda e fluente em 5 idiomas. E aqui pergunto aos ativistas acerca do racismo estrutural.

Mas voltemos à anedota. O título conferido a Rui Barbosa não foi artimanha política, pois nosso representante brilhou, de fato, em a dita Conferência, encantando a todos, até mesmo por discursar em vários idiomas. Agora sim a fofoca: dizem que certa senhora, de beleza singular e representante da nobreza de certo país nórdico, aproximou-se de Rui Barbosa e com ele entabulou conversa. Disse a princesa que jamais havia conhecido pessoa tão brilhante, educada e culta. E fez a proposta: Eles (ela e Rui) deveriam casar-se. E o argumento foi de que o filho dessa união deveria nascer com a inteligência do pai e a beleza da mãe. Ora, nosso herói era casado. E Rui Barbosa, com todo aparato diplomático que lhe era peculiar, respondeu a declinar da proposta: - “Pode ser perigoso; a criança pode nascer com a minha beleza e com a sua inteligência!”

E quem vos disse que não se plagia anedotas? O pavão, com sua inegável beleza, andava de lá para cá ensimesmado; ele pensava: “Sou tão belo, mas não consigo voar; o urubu tão feio e voa o quanto quer”. Nesse ínterim certo urubu pousou a seu lado. O pavão aproximou-se e iniciou conversa. - “Poderíamos nos unir em casamento; nosso filho teria a minha beleza e poderia voar livremente pelos céus. O urubu topou. Em suma, nasceu o peru: feio pra caramba e não voa!

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Aprendizado

 

Eu deveria estar com nove ou dez anos; na pré-adolescência para ser mais inexato. E como sempre, quando em fins de semana ou feriados, refugiava-me na casa de meus avós, na enorme propriedade rural, que nós, eu, meus irmãos, primos e primas chamávamos de sítio. Lá fora palco não só de excelentes recordações, mas também de inúmeros aprendizados. E um deles creio ter sido marcante, inclusive filosoficamente falando.

Nunca fui de tirar proveito da preguiça que nos incita após o almoço. Então eu ficava à janela observando o entorno enverdecido por árvores, plantas, flores. Um pássaro, que nunca consegui identificar a espécie, em seu despreocupado voo, chocou-se, por não perceber, com o vidro da janela. A ave caiu ao solo e começou a se debater, creio que por causa da dor. Pulei a janela e o peguei cuidadosamente. Pareceu-me que uma das suas asas estava quebrada. Chamei por meu avô. Ele, como sempre solícito, recolheu o bichinho, investigou o ferimento e deu início ao tratamento. Eu apenas um neófito. Depois do procedimento, primeiros socorros promovidos por dois incipientes veterinários, vovô decidiu deixá-lo em uma gaiola.

Passados poucos dias, observando o passarinho já de pé sobre o poleiro, quis deixá-lo ir. Todavia meu avô não permitiu. E o aprendizado teve início: - “Queres vê-lo livre, não? Pois é, mas ele ainda não está pronto para desfrutar da liberdade; se o soltarmos agora, por certo morrerá”. Então pus-me a pensar sobre a liberdade. Até hoje pergunto-me se, de fato, todas as pessoas estão prontas para desfrutar da liberdade? A vera liberdade, a meu ver, é uma autoconstrução; o livre arbítrio condiciona a liberdade.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

PA = 85

 

Dizem que “quem conta um conto aumenta um ponto”. Nada obstante, o conto é nada mais que um gênero literário, uma criação individual assinalada por narrativas curtas. Já o caso (ou causo) é caracterizado como fato, ocorrência, acontecimento, situação comprometida com a realidade. Então, em face do exposto, vou tentar - não prometo - relatar certo caso sem aumentar, sequer, um único ponto. Mas se eu o fizer? Que mal haverá nisso? Afinal os geômetras afirmam que o ponto não tem extensão. Todavia, terei cuidado, pois a sucessão de pontos estabelece uma reta. Acautelai-vos, portanto, das retas!

O sujeito em questão, na verdade um elemento, tem por nome Ástato. (Por favor, esqueçamos a Tabela Periódica!) Pais? Desconhecidos, pois fruto de uma fertilização in vitro. Nacionalidade também ignorada. Diziam-no, e de modo equivocado, alguém instável, muita embora ser analista comportamental. Inegavelmente, trata-se de rara “pessoa”, conquanto autodeclarar-se ubíquo. Fisicamente, chamam-no de “gordinho”, haja vista sua figura exteriorizar algum peso. Mas foi, de fato, sua estabilidade (emocional, social, pessoal, etc.) no trato com os seres humanos que o tornaram um anacoreta.

Mesmo estando só, negou fazer-se poeta; não se permitiria a rimas estapafúrdias. A poesia mesma acaba por punir seus detratores! (Premonição?). Na música experienciou o arrebatamento; composições a exigir harmonia, melodia e ritmo, e tudo mesclado a veros sentimentos. Tiveram lugar, então, contos a transcender não só o real, mas também o ilusório; uma espécie de veracidade abstrata. Com a religião, um novo e grandioso arrebatamento. Por fim mais e mais livros. Então revelou-se o filósofo: autoconsciência, elemento de uma tabela não periódica, mas ascensional. Doravante a compreensão do que é ser ilustre, distinto, magnânimo. A partir do entendimento sobre “O Mundo como Vontade e Representação”, passou a repetir de modo exaustivo: “A solidão é o destino dos espíritos nobres”.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Conversa afiada

 

Artrite, rinite, conjuntivite; artrose, trombose, escoliose.  E certo sujeito rimou New York city com apendicite. Alguém não muito “polido” soube que o avião em que viajava estava com problemas e, por certo, próximo da queda; então quis refugiar-se na cauda. Um outro, quase papai, quis homenagear seu ídolo cinematográfico, o ator Kiefer Sutherland; quando a menina nasceu ele a chamou de Suderlane.

Agora, falemos de coisas sérias: O elefante é um mamífero que não pula; o próprio peso (que pode ultrapassar algumas toneladas) torna o salto impossível. Então pergunto: e a elefanta (ou aliá) consegue saltar? Simples! Voltemos-nos à etimologia. Do latim, elephantus, que por sua vez vem do grego eléphas, utilizado para designar tanto o animal quanto o marfim. Estamos diante de termos neutros e abrangentes. A palavra todos, por exemplo, é um termo masculino genérico. Nada de machismo ou misoginia, pois arara e onça são termos femininos e genéricos. Existem ainda substantivos uniformes sobrecomuns, pois um mesmo artigo é utilizado para ambos os gêneros. A criança (masculino e feminino), A pessoa (masculino e feminino), A vítima (masculino e feminino). Quando só se muda o artigo, estamos diante de substantivo comum de dois gêneros: O/A estudante, O/A cliente.

A palavra homem (objeto de nossa atenção), origina-se no termo latino hominem, e teria como origem etimológica o húmus (solo, terra), ou seja, feito de terra, e que independe de gênero. O homo refere-se à humanidade em geral (homens e mulheres). O termo, portanto, é genérico, tanto quanto o elefante anteriormente citado. Portanto, paremos com essa bobagem de feminicídio, pois o que de fato existe é homicídio. O respeito ao próximo não se resume à truanice de uma degeneração linguística. O termo todos, abrange todas e todos, independentemente se homens, mulheres, adultos, crianças, velhos, velhas, brancos, amarelos, negros, héteros ou homossexuais. Fica aqui registrada minha proposta de retorno do latim às salas de aula.

De que se trata, afinal? O que temos hoje em dia é o conviver com alguns dos personagens elencados no início do presente texto, ou seja, o ridículo. A ideologia atua de modo a criar paralaxes cognitivas, e com isso vivenciamos um terrorismo semântico.      

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Oh by myself

 

Por companheira a solitude; por ela me deixo conduzir. E não posso reclamar da não convivência, afinal lanço-me por caminhos nunca dantes percorridos. Eu ouço o silêncio (e ele não atordoa), eu vejo o que impende, transcendo a insciência, transito por harmonias, melodias, descortino metáforas... Não mais ideias absconsas; do impensado tornei-me artífice.

Foi com essa disposição que conheci Sergei. Não pessoalmente, mas através da sua arte, a arte de alguém só, mas não carente de sentimentos, de alento, de conforto... E teve início o primeiro movimento: acordes a manifestar certa angústia, e o entorno, mesmo que belo, a demonstrar indiferença. Até que o adjacente - a amizade, o respeito, o carinho, a admiração - interfere; a angústia então arrefece, transmuta-se, altera-se. Nas frases sustenidas ainda se pressente a tristeza, se bem que em sua busca por auto superação.

O adágio nada mais é do que o meditar, a proposta de uma melhora. A harmonia descarta o implorar, nem mesmo cogita auto comiseração. A beleza está em demonstrar superação; o esforço em se reinventar. Novas ideias a se formar, um imprevisto que agora toma vulto; a buscada paz interior. A certeza do estar sozinho permeia todo o segundo movimento. A solidão, no entanto, mostrar-se-á como força, como sensatez.

E tem lugar o terceiro movimento, o orgânico da melodia em sua inteireza. Propostas são aludidas; força e delicadeza mesclam-se. Doravante nada mais será deprimente; terá lugar o amor. Habilidades, originalidade e criatividade revelar-se-ão em todo o viver. Superadas estão as críticas, as dificuldades. A alegria, a fé e a certeza afloram com força descomunal. Eis o Concerto nº 2, opus 18, em C menor, para piano e orquestra, de Sergei Rachmaninoff.   

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Geração Z

 

Sim, somos a geração Z. E por favor, não nos chame Nutela. Somos felizes, muito felizes. Tivemos infâncias perfeitas: nossos pais e mães nunca nos disseram NÃO; ficávamos à vontade, jamais sendo contrariados. Crescemos sem traumas; nada de mi mi mi.  Professores a nós se vergavam. Bullying? Nossos pais obrigavam todos a nos respeitarem. Somos hiperconectados e valorizamos a diversidade. Sustentabilidade está presente até mesmo em nosso cotidiano; nosso pão não contém glúten, nosso leite não contém lactose, nosso café é descafeinado, nossa cerveja sem álcool. Não usamos papel higiênico; bumbum sujo? Água! Nossa cor preferida é o “Blue Sky”, de pureza inigualável. Buscamos equilíbrio entre vida pessoal e profissional, muito embora o trabalho não ser muito nossa praia (preferimos viver às custas de benefícios sociais). Nada de ter patrões e/ou cumprir horários (isso é coisa de fascista). Somos empreendedores, resilientes; nada pode nos impactar. Desafiamos hierarquias e tradições. Somos autênticos; nossa pele exibe a magia do tattoo. Nossa arte se exibe através da contracultura. A música eletrônica nos arrebata. Em nada somos fanáticos; nem mesmo no amor. Nosso sexo não necessita de orgasmo; bastam comprimidos de ecstasy. Não temos heróis, mas reverenciamos mitos.

Eu também quero ser um deles: um MC, um DJ; quem sabe um influencer?