sexta-feira, 12 de junho de 2026

A caverna, o sino, o espantalho


O caos há muito se extinguira. Hominídeos e neandertais coabitavam. Tudo se resumia a instintos; a natureza em todo seu esplendor. Contudo, seres estranhos fizeram-se próximos aos hominídeos. Tem origem o gênero homo. O abandono das árvores, o bipedalismo, polegares opositores... Relações estreitaram-se; doravante, além de instintos, a comunicação. De início as interjeições, depois advérbios, os substantivos, os verbos... Há um aumento na capacidade cerebral. E tem lugar o segundo legado dos forasteiros: o ego. Eis o sapiens!

Nascimentos em demasia; uma primeira família? Os grupos mostravam-se frágeis; mortes também em demasia. A necessidade de alimentos, de proteção; não só o ter, mas o armazenar. Imprescindível a presença de líderes. Surgiram grupos opositores, rivais. E tiveram lugar as lutas, as batalhas; o primeiro objeto cultural: a arma. Estreava, portanto, um rudimento de guerra. O ter, o dominar; enfim o poder. E o sapiens viu que isso era bom. 

O ser primitivo apenas reagia; nada planejava, nada de regras. Alguém propôs um pensar racional, capaz de controlar impulsos primitivos e as fortes emoções. Nada obstante, o ego, que por si só reverencia a paixão, vem receber apoio incondicional da linguagem. Em verdade, a paixão usa a razão como recurso para realizar-se. E tudo através da linguagem. Ora, deuses não se comunicam por palavras; heróis são conhecidos por suas ações. Seres humanos sim, os ditos sapiens, valem-se deste repulsivo expediente. 

Um primeiro espaço: a caverna! Refúgio que permite a convivência entre dominados e dominadores. O despontar de uma neófita “ciência” política. Imagens e frases de efeito para manipular; gostos, hábitos e valores a serem implantados. Inicia-se a sociedade, e com ela os padrões comportamentais, a cultura e as nações. De novo forasteiros a estimular uma inata e ínsita racionalidade. Surge a ciência; mitos são abandonados, explicados. Todavia, trata-se de sapiens. O saber passa a visar apenas interesses, sejam eles pessoais e/ou do poder. Presa da vaidade, a ciência vê-se mitificada.

O alerta é disparado; o repicar de sinos! Mas, qual! Já se faz tarde. Dominados tornaram-se incapacitados. Não só a ciência, mas a história, assim como todo e qualquer conhecimento sofre adulteração. Doenças são criadas; enfermidades sugeridas. Alimentos contaminados, nutrientes tornados ineficazes. A industrialização! Drogas milagrosas cada vez mais fabricadas e sugeridas. O sapiens sapiens conhece a derrocada; um nada a fazer. Exceto guerras. Guerrear é conquistar status geopolítico. Surgem destaques, heróis e, economicamente falando, está tudo bem obrigado!

Reduzidíssimo número de dominadores a tudo comanda. Há como que uma nova morada para estes que se entendem como “deuses”: um Olimpo terreal! São famílias a disseminar o caos, a espargir horror, a buscar pela unificação do governo mundial. No entanto, eles percebem que o nefasto poder prescinde de notoriedade. O anonimato, então, transformou-se em abrigo, em brasão. Ora, os obscuros “senhores” delegam poderes e responsabilidade a paspalhões travestidos de governantes, onde a imensa vaidade associada à ganância oficializa-os como líderes. Qual nada; são só e somente só meros espantalhos!

E o que fazer? Sugiro apenas um obstinado regurgitar. Arrojai de vós a mundanidade! Esvaziai-vos do profano, do superficial. Sede apenas espírito!


domingo, 7 de junho de 2026

Nuances da hipocrisia

 

O termo Hupokrisis, utilizado no teatro grego, significa representar, fingir, interpretar. Em dias atuais, entretanto, a hipocrisia assimilou carga um tanto negativa, ou seja, passou a ter a falsidade e o fingimento como sinônimos. Então surge a obnubilada pergunta: será que discorrer sobre hipocrisia não seria sintoma da própria hipocrisia? Nada obstante, convido-vos a partilharem comigo de tal empreitada.

A nuance surge quase que mesclada ao ego. É quando alguém faz a clássica pergunta: - “Como vais?” Neste caso o perguntador quer receber uma resposta de seu inteiro agrado. Quando esta não o satisfaz ele pensa e até acusa o interrogado de depressivo ou fantasioso ou alienado. Fato é que o inquiridor continua a esbravejar. E como entendê-lo?  Afinal, o que era para ser uma conversa amena tornou-se um tonel de agressividade. Por quê? Ora, estaríamos diante de uma pseudo hipocrisia? Uma falsa falsidade? Não, trata-se de querer ser hipócrita e simplesmente não consegui-lo, ou seja, é ser patético.  

Mas o que suscita tal atitude advém de uma outra nuance de hipocrisia: o psicologismo, isto é, algo mascarado de ciência. Os “doutores” dessa piegas e pândega ciência confundem realismo com pessimismo. Esse é o mesmo psicologismo responsável por vitimizar toda uma geração que só conhece “direitos” e execrar deveres; o mesmo psicologismo que tomou conta das salas de aula, que tirou toda autoridade dos pais no tocante à educação dos filhos, pois que em tudo preveem fonte de traumas.

Bem, em face do exposto, para não contrariar a patetice e ser taxado de depressivo, quando me perguntam: - “Como vais?” Eu respondo:  - “Bem, muito bem; melhor impossível!”    

Caóticos designativos

 

Apesar da Lei de Registros Públicos, Lei Federal nº 6015 de 1973, amparar decisão dos cartórios em recusar nomes que venham expor as pessoas ao ridículo, haja vista a famosa família Xerox, deparo-me, não raramente, com “substantivos próprios nominativos”. E o que seria isso?

Vamos a eles. Três irmãs: Xérox, Fotocópia e Autenticada. E agora, pressuponho, a filha de um agricultor com prenome, nome e sobrenome: Agrícola Beterraba Areia. E quando decidem batizar os gêmeos com nomes próximos (sinônimos ou antônimos)? Aí surgem coisas do tipo: irmãos Arlindo e Arfeio, Hildebrando e Hildeáspero, Otacílio e Otapestana, Napoleão e Napotigre.

Dizem que a criatividade (linguística) é a capacidade de um falante qualquer criar inéditos enunciados. Todavia, creio que essa inventividade deve aliar-se ao bom senso. Estai atentos, pois o ridículo associa-se à comicidade e o inescrupuloso reveste-se de criatividade! 

Antiga construção naval

 

Refiro-me à famosa arca construída por Noé. Mas ele, Noé, não foi o autor do projeto. As medidas: comprimento de 300 côvados, largura 50 côvados e altura de 30 côvados lhe foram reveladas. (Um côvado é algo em torno de 50 cm; distância entre o dedo médio e o cotovelo). O importante é que essas proporções estão bem próximas das construções navais atuais, principalmente no que diz respeito a navios containers e demais cargueiros. Outro detalhe interessante foi a divisão em três andares. Sim, o piso inferior para carregar os animais de grande porte; eis o lastro. O piso médio para transporte de grãos, alimentos em geral e água potável. O piso superior daria lugar a pequenos animais, a Noé e familiares. Abaixo de um alto beiral, a abertura de um côvado em toda a extensão da arca para facilitar a entrada de oxigênio. 

Contudo os céticos, por certo, argumentariam: Mas a arca não possuía leme ou propulsão; sequer uma vela. Evidentemente Deus não foi só o engenheiro responsável pelo projeto; ele foi também o comandante e o piloto daquela primeira embarcação. Muito embora a contrariedade provocada pela precedente pergunta, algo reclama minha atenção: Por que a maioria dos seres humanos insistem em não se deixarem guiar por Deus?   

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Cantiga de roda

 

Cadê o gato? Ué, fugiu pro mato. Mas não teve fogo; também não tinha água. O boi ficou com sede e o homem era vegetariano. Pai Francisco entrou na roda tocando seu violão. Ele entrou se requebrando, querendo imitar o Michael Jackson, mas parecia um boneco desengonçado. E o violão estava desafinado. Vem de lá o delegado e o Pai Francisco foi pra prisão. Qual a acusação? Poxa, nem sequer leram os direitos dele. E o que ele disse? - “Mesmo que essa rua fosse minha, eu não teria como ladrilhá-la, ainda mais com brilhantes; sou pobre e vivo de Bolsa-família”.

Já Dona Chica disse que ia atirar o pau no gato... Ué, mas o gato não fugiu pro mato? Então ela gritou: - “Cadê você bichano?” Enquanto isso Samba Lelê tá doente, tá com a cabeça quebrada; foi hospitalizada e está fora de perigo. Briga feia mesmo foi entre o cravo e a rosa. Mas ninguém se feriu; já fizeram as pazes. No próximo fim de semana vão ao show do Alok. Sim, o Chapeuzinho Vermelho continua cuidando da vovó e comendo Nutela. O lobo mau? Coitado, casou-se com a Lassie e está pagando os pecados; tiveram um filho muito famoso chamado Rin Tin Tin.

E a cantiga termina com todo mundo cantarolando: _” Lá ri lá lá” e passando o anel. Enfim, pera, uva ou maçã?

Novo destaque


Em 2019 irrompe a pesudopandemia promovida pela China, pelo menos dizem que um macaco revoltado com Xi Jinping resolveu contaminar os alimentos na feira de Wuhan. E João Dória começou a fazer negociações e fechar contrato com os chineses. A TV Bandeirantes encetou a transmissão da vida de Bruce Lee. Jackie Chan surge a fazer comercial da Shopee. Hoje em dia o Fantástico (Rede Globo), todo domingo, exibe reportagens sobre os chineses. Dizem que no Rio de Janeiro algumas escolas tornarão obrigatório o ensino do mandarim. Artistas, músicos e comediantes chineses estão “bombando” no Instagram. O governo chinês já adquiriu terras e mais terras brasileiras. Nosso país está sendo loteado e distribuído a estrangeiros. A China não só investiu, mas comprou empresas no Brasil. Eis o capitalismo de Estado; comunismo é só para controlar o povão. Existem lugares no Brasil que só residem chineses; lá não se fala nosso idioma. Bem, com tantos chineses fazem-se necessários empregos. Há fábricas que só empregam chineses. Então surge a PEC 8/2025 para pôr fim a escala 6X1, com a alcunha de reforma trabalhista. Afinal, clamam os canalhas que, o trabalhador brasileiro precisa de mais horas de descanso e passar mais tempo com a família. Só os chineses não podem ficar desempregados. Coincidência? Pergunta-se: chineses terão direito ao Bolsa-família? O governo dará um jeito; só não sei se as autoridades chinesas vão aceitar, pois uma montadora de carros (chinesa, é claro), situada na Bahia, já foi acusada de trabalho escravo. Ah, os direitos humanos! (risos).

Muito em breve um novo epíteto estará adornando e integrando o vocabulário esquerdista para rotular pessoas que pensam como eu: sinofobia! E eu repito a exaustão as palavras de Charles Darwin: “Oh, shameless people!”


terça-feira, 2 de junho de 2026

Somente escoriações

 

Já fazia algum tempo que tinha a impressão de estar sendo seguido. E posso vos afiançar que trata-se de sensação nada agradável. Eu parava, olhava para trás, o entorno e ... nada. Pessoas cruzavam, encaravam-me, mas não levantavam suspeitas. Muito embora tal incômodo, permiti-me, em um fim de tarde, visitar certa feira de artesanato: peças de macramê, esculturas em madeira rústica, toalhas de fuxico, etc. Não, eu nada adquiri; a disponibilidade financeira não me permitia desregramentos.

Anoitecia quando saí da exposição. Agora não mais se tratava de mera impressão; a coisa acontecia, pois lá estava o drone; eu podia vê-lo, ouvi-lo. Teria eu praticado algum crime? Estaria eu sendo acusado de conservador ou fascista? Seria detido pela Polícia Federal e torturado? Optei por refugiar-me em um banheiro químico, o que por si só já é uma tortura. E onde estão os Direitos Humanos? Será que meu nome foi citado na delação de Vorcaro? Lembro-me que tive meu pedido de empréstimo negado pelo Banco Master quando tentei editar um de meus livros. Será que o Toffoli vai me dar um Habeas Corpus preventivo, no caso de eu ter que depor na CPMI? Prometo ficar calado por evocar o artigo 5º, inciso LXIII da nossa Constituição.

Abandonei o insultuoso banheiro de cor azul e dirigi-me ao calçadão que acompanha a orla da praia. Lá estava o homem a controlar o drone; ele estava junto à jornalistas. Dois ou três deles vieram em minha direção. Sim, é isso: eu fora um dos ganhadores do título de Novos Escritores da Língua Portuguesa e neguei-me a falar com a imprensa. Nada de entrevistas; não quero minhas frases editadas, minhas sentenças manipuladas; não quero que ponham palavras em minha boca e daí criem narrativas ideológicas. E o que fazer diante da súcia jornalística?

Súbito, a freadas bruscas somaram-se gritos. Enfim, total alarido, pois certo motociclista, numa empenhada exibição, empinou sua máquina e levou uma queda. Todos os presentes, jornalistas ou não, para lá correram. Nada grave; somente escoriações. Então pude seguir meu caminho e permanecer anônimo.