John Cage, pianista, compositor experimental (?), em certa “audição” apresentou a obra - algo infame - intitulada 4’33’’, onde nem sequer tocou uma única nota. É de causar pasmo; foi assaz aplaudido!
Certo conhecido, não um compositor
experimental, a título de realização pessoal, levou seu piano eletrônico para o
deserto e lá executou várias músicas. Outra vez o pasmo: cobras, lagartos,
roedores, escorpiões e até mesmo um solitário camelo pararam para ouvi-lo.
Elefantes a usar suas trombas para segurar
pincéis, pintam telas, ou melhor, produzem obras de arte ditas abstratas. Mais uma
vez o pasmo: as pinturas são vendidas por expressivos valores.
E o último pasmo: caso desconheçais, a
literatura também é uma forma de expressão artística. Contudo, por mais que eu
e mais alguns outros (poucos, na verdade) nos esforcemos em escrever algo de
bom tom, não há quem se interesse por ler-nos.
Instalou-se a dúvida: estamos a lidar
com uma tendência natural, uma propensão, inclinação? Talvez - quem o sabe? - uma
singular carência de propósito.
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