O armário eu abri: nenhuma camisa listrada para eu sair por aí. Não gosto de chá com torradas; talvez de algum parati. Nada de canivete, gravata ou pandeiro. Era carnaval, tudo só carnaval e eu apenas ... brasileiro. Carnaval! Somos herdeiros do paganismo. Por que festa pagã? Ora, conseguimos honrar a Baco e a Saturno de uma só vez; uma mescla de bacanal e saturnal, ou seja, bebida, sexo, folia, inversões nos papeis sociais, onde escravos assumem a identidade de seus senhores. Eis o carnaval!
Todavia, ainda sou um cavalheiro. Meu
armário de portas escancaradas torna-me ciente disso: nada com losangos
coloridos. Porém, sinto-me escravo, mesmo sem identificar meus senhores.
Vejo-me manipulado, portanto, quero-me fantasiado. Como? De que? Não um
palhaço, mas algo próximo. Que tal um arlequim? Mas, foram-me negadas as máscaras!
Seria possível um bobo austero e elegante? Como? Se eu vivesse em fins do
século XIX, por certo, teria posado para Paul Cézanne.
O apito soou; o bloco já vai passar. O
quê? Meu Deus, ainda sou do tempo dos blocos! Pior do que cidadão condicionado
ou arlequim desenxabido, só mesmo folião ultrapassado.
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