Segunda-feira ensolarada; também, depois
de tanta chuva. E eu no supermercado a contentar-me com ofertas. O recinto em
polvorosa, filas intermináveis com pessoas a adquirir carvão, carnes, bebidas,
gelo, etc. Mas... algo reclama minha atenção: expressiva quantidade de gente a
usar camisetas verde e amarela. Sim, as cores da bandeira brasileira, mas os
trajes envergados assemelham-se ao uniforme da nossa seleção de futebol. Curioso
é que não me recordo de observar tais trajes quando nas comemorações do dia da
nossa independência. Por que? Considerar-se-ia fascismo?
É isso: jogo do Brasil pela Copa
Mundial de Futebol. A FIFA em todo o seu esplendor. Eis o verdadeiro ópio do
povo! Todavia, ao time brasileiro falta alguma coisa. Que tal originalidade? Onde
foi parar o futebol arte? A seleção, muito embora formada de cidadãos
brasileiros, exibe apenas técnicas assimiladas do futebol europeu, o que eu
poderia limitar à velocidade e força física. Confesso ter dúvidas quanto à
convocação; nossos atletas seriam imigrantes ou emigrantes? Quantos dos nossos
tão excelentes “craques” demonstram amor à camisa? Parece-me que a preocupação
maior é com a renda, pois eles não carecem de patrocínios. Não vos deixeis enganar:
nossos famosos craques só o são graças aos renomados patrocinadores.
E lá está o povão no supermercado a
gastar com bebidas, comidas e demais petrechos, totalmente alheio aos verdadeiros
problemas que assolam a nação. Enfim, quem lucra com tudo isso? Ora, como
sempre banqueiros, oportunistas e políticos. Pois é, nada mais importa a não
ser o Hexacampeonato! Brasileiro é como
o sujeito que se esforça para adquirir um Porsche, e como fica sem recursos, guia
o automóvel apenas de cueca. O patriotismo brasileiro resume-se às quatro
linhas que demarcam o gramado verde.
Um último apelo: Brasil, não o ame, apenas deixe-o!
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