segunda-feira, 29 de junho de 2026

Atípico patriotismo

 

Segunda-feira ensolarada; também, depois de tanta chuva. E eu no supermercado a contentar-me com ofertas. O recinto em polvorosa, filas intermináveis com pessoas a adquirir carvão, carnes, bebidas, gelo, etc. Mas... algo reclama minha atenção: expressiva quantidade de gente a usar camisetas verde e amarela. Sim, as cores da bandeira brasileira, mas os trajes envergados assemelham-se ao uniforme da nossa seleção de futebol. Curioso é que não me recordo de observar tais trajes quando nas comemorações do dia da nossa independência. Por que? Considerar-se-ia fascismo?

É isso: jogo do Brasil pela Copa Mundial de Futebol. A FIFA em todo o seu esplendor. Eis o verdadeiro ópio do povo! Todavia, ao time brasileiro falta alguma coisa. Que tal originalidade? Onde foi parar o futebol arte? A seleção, muito embora formada de cidadãos brasileiros, exibe apenas técnicas assimiladas do futebol europeu, o que eu poderia limitar à velocidade e força física. Confesso ter dúvidas quanto à convocação; nossos atletas seriam imigrantes ou emigrantes? Quantos dos nossos tão excelentes “craques” demonstram amor à camisa? Parece-me que a preocupação maior é com a renda, pois eles não carecem de patrocínios. Não vos deixeis enganar: nossos famosos craques só o são graças aos renomados patrocinadores.

E lá está o povão no supermercado a gastar com bebidas, comidas e demais petrechos, totalmente alheio aos verdadeiros problemas que assolam a nação. Enfim, quem lucra com tudo isso? Ora, como sempre banqueiros, oportunistas e políticos. Pois é, nada mais importa a não ser o Hexacampeonato!  Brasileiro é como o sujeito que se esforça para adquirir um Porsche, e como fica sem recursos, guia o automóvel apenas de cueca. O patriotismo brasileiro resume-se às quatro linhas que demarcam o gramado verde.  

Um último apelo: Brasil, não o ame, apenas deixe-o! 

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