terça-feira, 12 de maio de 2026

Conversa afiada

 

Artrite, rinite, conjuntivite; artrose, trombose, escoliose.  E certo sujeito rimou New York city com apendicite. Alguém não muito “polido” soube que o avião em que viajava estava com problemas e, por certo, próximo da queda; então quis refugiar-se na cauda. Um outro, quase papai, quis homenagear seu ídolo cinematográfico, o ator Kiefer Sutherland; quando a menina nasceu ele a chamou de Suderlane.

Agora, falemos de coisas sérias: O elefante é um mamífero que não pula; o próprio peso (que pode ultrapassar algumas toneladas) torna o salto impossível. Então pergunto: e a elefanta (ou aliá) consegue saltar? Simples! Voltemos-nos à etimologia. Do latim, elephantus, que por sua vez vem do grego eléphas, utilizado para designar tanto o animal quanto o marfim. Estamos diante de termos neutros e abrangentes. A palavra todos, por exemplo, é um termo masculino genérico. Nada de machismo ou misoginia, pois arara e onça são termos femininos e genéricos. Existem ainda substantivos uniformes sobrecomuns, pois um mesmo artigo é utilizado para ambos os gêneros. A criança (masculino e feminino), A pessoa (masculino e feminino), A vítima (masculino e feminino). Quando só se muda o artigo, estamos diante de substantivo comum de dois gêneros: O/A estudante, O/A cliente.

A palavra homem (objeto de nossa atenção), origina-se no termo latino hominem, e teria como origem etimológica o húmus (solo, terra), ou seja, feito de terra, e que independe de gênero. O homo refere-se à humanidade em geral (homens e mulheres). O termo, portanto, é genérico, tanto quanto o elefante anteriormente citado. Portanto, paremos com essa bobagem de feminicídio, pois o que de fato existe é homicídio. O respeito ao próximo não se resume à truanice de uma degeneração linguística. O termo todos, abrange todas e todos, independentemente se homens, mulheres, adultos, crianças, velhos, velhas, brancos, amarelos, negros, héteros ou homossexuais. Fica aqui registrada minha proposta de retorno do latim às salas de aula.

De que se trata, afinal? O que temos hoje em dia é o conviver com alguns dos personagens elencados no início do presente texto, ou seja, o ridículo. A ideologia atua de modo a criar paralaxes cognitivas, e com isso vivenciamos um terrorismo semântico.      

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