sexta-feira, 15 de maio de 2026

PA = 85

 

Dizem que “quem conta um conto aumenta um ponto”. Nada obstante, o conto é nada mais que um gênero literário, uma criação individual assinalada por narrativas curtas. Já o caso (ou causo) é caracterizado como fato, ocorrência, acontecimento, situação comprometida com a realidade. Então, em face do exposto, vou tentar - não prometo - relatar certo caso sem aumentar, sequer, um único ponto. Mas se eu o fizer? Que mal haverá nisso? Afinal os geômetras afirmam que o ponto não tem extensão. Todavia, terei cuidado, pois a sucessão de pontos estabelece uma reta. Acautelai-vos, portanto, das retas!

O sujeito em questão, na verdade um elemento, tem por nome Ástato. (Por favor, esqueçamos a Tabela Periódica!) Pais? Desconhecidos, pois fruto de uma fertilização in vitro. Nacionalidade também ignorada. Diziam-no, e de modo equivocado, alguém instável, muita embora ser analista comportamental. Inegavelmente, trata-se de rara “pessoa”, conquanto autodeclarar-se ubíquo. Fisicamente, chamam-no de “gordinho”, haja vista sua figura exteriorizar algum peso. Mas foi, de fato, sua estabilidade (emocional, social, pessoal, etc.) no trato com os seres humanos que o tornaram um anacoreta.

Mesmo estando só, negou fazer-se poeta; não se permitiria a rimas estapafúrdias. A poesia mesma acaba por punir seus detratores! (Premonição?). Na música experienciou o arrebatamento; composições a exigir harmonia, melodia e ritmo, e tudo mesclado a veros sentimentos. Tiveram lugar, então, contos a transcender não só o real, mas também o ilusório; uma espécie de veracidade abstrata. Com a religião, um novo e grandioso arrebatamento. Por fim mais e mais livros. Então revelou-se o filósofo: autoconsciência, elemento de uma tabela não periódica, mas ascensional. Doravante a compreensão do que é ser ilustre, distinto, magnânimo. A partir do entendimento sobre “O Mundo como Vontade e Representação”, passou a repetir de modo exaustivo: “A solidão é o destino dos espíritos nobres”.

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