Dizem que “quem conta um conto aumenta um ponto”. Nada obstante, o conto é nada mais que um gênero literário, uma criação individual assinalada por narrativas curtas. Já o caso (ou causo) é caracterizado como fato, ocorrência, acontecimento, situação comprometida com a realidade. Então, em face do exposto, vou tentar - não prometo - relatar certo caso sem aumentar, sequer, um único ponto. Mas se eu o fizer? Que mal haverá nisso? Afinal os geômetras afirmam que o ponto não tem extensão. Todavia, terei cuidado, pois a sucessão de pontos estabelece uma reta. Acautelai-vos, portanto, das retas!
O sujeito em questão, na verdade um
elemento, tem por nome Ástato. (Por favor, esqueçamos a Tabela Periódica!)
Pais? Desconhecidos, pois fruto de uma fertilização in vitro. Nacionalidade também ignorada. Diziam-no, e de modo
equivocado, alguém instável, muita embora ser analista comportamental. Inegavelmente,
trata-se de rara “pessoa”, conquanto autodeclarar-se ubíquo. Fisicamente, chamam-no
de “gordinho”, haja vista sua figura exteriorizar algum peso. Mas foi, de fato,
sua estabilidade (emocional, social, pessoal, etc.) no trato com os seres
humanos que o tornaram um anacoreta.
Mesmo estando só, negou fazer-se
poeta; não se permitiria a rimas estapafúrdias. A poesia mesma acaba por punir
seus detratores! (Premonição?). Na música experienciou o arrebatamento;
composições a exigir harmonia, melodia e ritmo, e tudo mesclado a veros
sentimentos. Tiveram lugar, então, contos a transcender não só o real, mas
também o ilusório; uma espécie de veracidade abstrata. Com a religião, um novo e
grandioso arrebatamento. Por fim mais e mais livros. Então revelou-se o filósofo:
autoconsciência, elemento de uma tabela não periódica, mas ascensional. Doravante
a compreensão do que é ser ilustre, distinto, magnânimo. A partir do
entendimento sobre “O Mundo como Vontade e Representação”, passou a repetir de
modo exaustivo: “A solidão é o destino dos espíritos nobres”.
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