Esta é a história de um verdadeiro ambientalista, alguém que faria Greta Thunberg parecer uma vândala ou, se assim desejardes, uma terrorista ecológica. Sim, brasileiro (por que não?), desapegado de bens materiais, de fama, notoriedade, de redes sociais. Uma vida voltada unicamente à preservação do meio ambiente. Ele, inclusive, armava sua rede em meio a florestas e deixava-se agredir por insetos. Sua abnegação mostrava-se bem próxima da loucura. Pois bem, o dito autodesprendimento cobrou seu preço, pois nosso herói apresentou problemas graves de saúde: uma doença autoimune que em breve o levaria a óbito.
Mas o ativista não deixou barato, pois
ciente da própria morte, pretendeu que seus restou mortais servissem de adubo
orgânico; ele gostaria que partes de seu corpo fossem espalhadas - e enterradas
- em certa floresta. Mas como? Isso seria altamente ilegal! Como, em dias
atuais, mutilar um cadáver? Então nosso amigo entrou com um pedido junto às
autoridades expondo motivos como desapego à vida material e o mais importante:
sua preocupação com o meio ambiente. Todavia, a autorização para o
esquartejamento lhe fora negado; não só em primeira como em segunda instância.
E a doença avançava. O recurso
apresentado ao Supremo Tribunal Federal pedia urgência, haja vista a celeridade
na degeneração da saúde do requerente. Sorteado o relator, a coisa foi parar
nos braços da ministra, também já próxima de um inexorável encontro com o
Ceifeiro. Tendo em vista toda uma vida de dedicação ao meio ambiente, e só
daquela vez (segundo consta na decisão da ministra) o espostejar do corpo,
quando em comprovado óbito, fora autorizado.
Hora do óbito? Eu não saberia dizê-lo.
Mas o falecimento deu-se, e não sem o típico estardalhaço da imprensa. Só não
filmaram e divulgaram o espedaçar do corpo e o sepultamento dos mesmos, mas uma
série de lápides repletas de epitáfios foram espalhadas pela floresta. Frases do
tipo: “Aqui jaz aquele que nem mesmo da vida a morte levou” (???). Enfim, dias
e dias de total rebuliço. E teve início algo como um culto; sim o cultuar daqueles
que se diziam também ativistas, se bem que adoravam um iate, um jatinho, hotéis
de luxo, etc.
Diariamente podia-se observar uma
espécie de procissão em meio a floresta, a visitar os lugares - a blasfêmia de uma
nova via crucis - onde diziam abrigar parte dos restos mortais (agora adubo) do
“semideus”. Pessoas oravam e acendiam velas ao novo santo padroeiro das matas brasileiras.
E foi numa dessas tardes quentes e com rajadas de vento que o incêndio teve
início; o fogo espalhou-se rapidamente e destruiu a encantada floresta.