E tudo teve início com uma das minhas postagens - mesmo que não muito afeito às redes sociais - na qual dispus-me discorrer, de modo superficial, diga-se de passagem, acerca da atitude não tomada por certo chefe do executivo. Pasmai, mas invocar o artigo 142 da nossa Constituição Federal revelou-se-me como crime, um golpe contra a democracia. Indiferentemente se com os poderes constitucionais à deriva; mesmo que a lei e a ordem estejam à mercê de baderneiros. Ora, então, por ilação, posso entender que nossa Constituição Federal possui certo dispositivo que pode proporcionar um golpe de Estado, de modo a afrontar, assim, a democracia que intenta defender. Em resumo: ao se invocar a Constituição estar-se-ia colocando contra a mesma; seria inconstitucional invocar a Constituição. Bem, deve ser por isso que o Supremo Tribunal Federal a agride diariamente. Talvez seja esse - aqui especulo - o resultado das indicações para os cargos de ministros da Suprema Corte (a quase totalidade deles sequer foram juízes), mas que se colocam sob a égide de um pretenso “notável saber jurídico”.
Pois bem, depois da citada postagem
minha vida mudou; e não foi para melhor. Pontualmente, às 06:30 horas de uma
manhã sonolenta, a Polícia Federal, ou melhor, a milícia particular do STF,
chegou à minha casa. Bateram à porta, forçaram-na, arrombaram-na. Armas na mão:
uns doces de pessoas. Exibiram meu mandado de prisão. Eu não resisti nem tentei
fugir, mas fui algemado. Crime? Até hoje não sei. Fake News? Atentado contra a
democracia? Terrorismo? Definitivamente não! Talvez por não me ter vacinado...
O fato é que reviraram minha casa para cumprir mandado de busca e apreensão. O
que levaram? Pasmai: um computador HP com mais de 20 anos (o qual ainda exibe
com orgulho um Windows 7), meu nada sofisticado telefone celular, um boné novinho
com o símbolo da cachaça Pitú, meu passaporte, um canivete suíço (arma branca?), uma
máquina fotográfica Nikon e uma caixa de pomada Proctan do primo de um amigo.
Levaram-me para exame de corpo delito
e depois para uma cela no prédio da Polícia Federal. Não pude contatar um
advogado, mas alguns “causídicos” apareceram do nada a assediar-me
psicologicamente; pediam algo em torno de 30 mil reais para pegarem meu caso.
Cá entre nós, mesmo que vendesse meu carro velho não conseguiria a metade da
quantia. Parece-me que somente os tais “advogados paladinos” conheciam minha
acusação. Tive quebrados meus sigilos bancário e telefônico. O que descobriram?
O que eu tentava esconder da família: que havia atrasado o pagamento do cartão
de crédito e que minha aposentadoria não passa de um salário mínimo. Audiência
de custódia! Fora preso em flagrante? Qual teria sido meu crime? Todavia, minha prisão tornou-se preventiva. E
lá fiquei por uns 40 dias: a comer mal, dormir pior ainda e com direito a
apenas 20 minutos de banho de Sol por dia. Até que do nada, numa preguiçosa segunda-feira,
colocaram-me uma fashion tornozeleira
eletrônica e mandaram-me de volta para casa.
Bem, estou a aguardar julgamento. Continuo
desconhecendo a acusação. Sei que meu processo corre em segredo de justiça.
Acesso aos autos? Nem pensar! Muito embora sem foro privilegiado, serei julgado
pelos ministros do STF. Quanta honra! Serei condenado? Certamente; não porque
eu seja culpado, mas por saberem-me bem melhor do que eles. Eis o que se
esconde por trás do discurso democrático!
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