sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Dogma politiqueiro

 

Mesmo a dar razão aos argumentos de Charles Spurgeon, não pretendo entrar no mérito da polêmica declaração: “Política e Religião não se discute!” Nada obstante, creio haver algo em comum nas ações postuladas por tais substantivos.   

Começo por referir-me ao verbo doutrinar. Ora, doutrina nada mais é do que um conjunto de fundamentos, princípios e dogmas que formam a base das religiões. Porém, doutrinar também é inculcar em alguém crença ou atitude particular. Religiosos e políticos fazem uso da oratória para angariar seguidores. Preocupa-me, no entanto, “àquela” doutrinação que, sem sombra de dúvidas, tem por objetivo precípuo plasmar digressões politiqueiras.

Pergunta-se: seria a política uma espécie de religião? Bem, em face de tantas semelhanças, sou levado a crer que sim, afinal religiões prestam culto a divindades. Eu diria que há uma espécie de reverência, um dever sagrado, inquestionável, no seguir algumas “divindades” de esquerda. E mais, a mencionada doutrina é extremamente sectária, intolerante, muito embora os fatigantes discursos de inserção social advindos de um cansado estruturalismo.

O patente fanatismo, fruto de engendrada educação, faz-se presente, se bem que vazio de qualquer conteúdo metafísico. O reverenciado materialismo tornou imanente o transcendente. Contudo, a militância esquerdista vale-se de estruturas religiosas para impor seu modus operandi: a perseguição voltada aos opositores seria justificada porque estes estariam próximos de uma idolatria. Pasmai, pois a dita religião política traz em seu bojo o gnosticismo, isto porque seus “fieis” dirigentes dizem possuir um conhecimento diferenciado; uma intuição individual bastante restrita. Permito-me sorrir.

Entre risos, portanto, no tocante a esta pagã e hipócrita “religiosidade”, declaro-me ateu.    

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Sapere Aude

 

Ouse saber! Mas os pais e avós sempre recomendaram evitar a ousadia. Faz-se mister sabedoria para ser ousado. Afinal, ousadia não só traduz-se em coragem e/ou originalidade, mas também em atrevimento, audácia, impertinência. Houve uma época em que o ousado não era muito bem visto. Hodiernamente, entretanto... E o saber? Os antigos também diziam: “o saber não ocupa lugar”, ou seja, o saber transcende o espaço-tempo. Porém, há os que se colocam contra o saber, pois que este não combinaria com a requestada felicidade. Haveria, de fato, um vínculo entre felicidade e ignorância? Não creio que a felicidade limite-se a boas circunstâncias, acontecimentos positivos, êxito em empreitadas.  

Pois bem, no intuito de conhecer a felicidade, fiz-me ousado. Ousei saber! E ao assim fazê-lo, de início, tornei-me pretensioso, vaidoso, o que muito me afastou da originalidade, da inovação. A sabedoria, por sua vez, conduziu-me ao insulamento. E nesse estar em mim, percebo que o saber sempre se mostra limitado. E foi a limitação no saber que de mim expurgou toda a vaidade. A patente carência de saber serve-me como incentivo ao próprio saber... Então daí depreendo a ousadia; ousar saber é atender ao convite de um conhecer sempre pedinte. E é nessa busca que reside a felicidade.   

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Epidemias

 

A COVID 19 foi a oficialização do oficioso, haja vista o empenho, inclusive da OMS, em sua divulgação. Mas já faz um tempinho que convivemos com as mais “variegadas” epidemias. Duvidais? Pois bem: Tende cuidado com o glúten! Tal aviso encontra-se preso à porta de certo nutricionista. Ora, glúten é trigo, é pão. Todavia, pessoas saudáveis devem evitá-lo. Outra? Atualmente, venho me dedicando no pesquisar a quantidade de pessoas intolerantes à lactose no mundo. Contradictio in adjecto: seres humanos são mamíferos intolerantes ao leite! Permitamo-nos sorrir à larga. Curioso: paralelamente observo o lucro das indústrias farmacêuticas e alimentícias.

Seriam os seres humanos hipocondríacos por natureza? Ou tudo se resume a rotular? É pertinente recordar-vos de que “doenças” de cunho psicológico - neurastenia, histeria, esquizofrenia - estiveram em alta no início do século XX. A anorexia conheceu seu auge na Belle Époque, apesar de dizer-se um período de otimismo. Nossos dias, assim o atestam, caracterizam-se pelos transtornos emocionais; são doenças psicossomáticas como depressão, ansiedade, enxaqueca, dermatite atópica ... Ufa! Percebestes que em face de qualquer esquecimento alguém evoca o Alzheimer? Aqui arrisco-me a dizer que o rotular revela-se como fundamento. Quereis um exemplo? Pois bem. Vamos a ele!

Em decorrência da idade, optei por uma vida nada social. A atualidade, por si mesma, dificulta as interações sociais. O que mais se vê são pessoas, independente se crianças, jovens, adultos ou idosos, de olhos grudados em telas de aparelhos celulares. Eu sou um aficionado em livros; gosto de ler, de escrever. Não tenho o que conversar com pessoas que desprezam a leitura, o conhecimento. Não vou a bares, a restaurantes, cinemas, teatros, não mais faço visitas. As artes, como um todo, incorporaram o prepóstero, o vulgacho. Enfim, não mais me identifico com o mundo. Atividades? Escrevo e leio repetidamente. Pois bem, meus filhos, preocupados com este meu calculado insulamento, buscaram orientações de “profissionais terapeutas” no intuito de reintroduzir-me socialmente. Sabeis qual foi o diagnóstico? Eu teria sintomas da Síndrome do Espectro Autista! 

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

O eterno retorno do mesmo

 

É, parece-me que Friedrich Nietzsche tinha razão... Cada momento da vida é vivido de novo (e de novo e de novo) integralmente, ou seja, com todas as alegrias e os sofrimentos. E como o ser humano reage a isso? Ora, o ser humano não quer tal repetição. Seres humanos querem só alegrias; empenham-se em acabar com os sofrimentos. E o que acontece? O sapiens sapiens, aquele autoconsciente e de raciocínio avançado, usa de seu desenvolvimento cognitivo e conhecimento científico para se repletar de prazeres e comodidades. Acontece que o cômodo leva à inação e o excessivo prazer conduz ao dissabor, pois que o desejo não conhece a saciedade. Logo, tudo se torna enfadonho. E o molesto acaba por degradar o próprio ser humano, ou seja, um retorno. Então vos pergunto: o que temos em dias atuais? Nem mesmo o homo sapiens, mas um stultus; algo próximo de um neanderthalensis, quiçá de um Australopithecus.    

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Anistia

 

Por que? Para que? Quem estaria precisando de anistia? Juridicamente, a anistia seria um ato do poder legislativo para perdoar fatos puníveis, suspender perseguições e anular condenações. Quais foram os atos puníveis? Manifestação por demonstrar desagrado e desconfiança pelo resultado de uma eleição previamente manipulada? Vivemos, de fato, uma democracia? Houve tentativa de golpe? Golpe com bíblias e batons? Golpe sem apoio de qualquer força armada? Golpe realizado por pessoas de idade e crianças lactentes?

Já tivemos uma anistia: ampla, geral e irrestrita! Quem foram os anistiados? Sequestradores, assassinos, ladrões de bancos, terroristas... Enfim, pessoas que cometeram atos puníveis e que por isso foram condenados. E onde estava o Supremo Tribunal Federal quando, em 2006, o MST invadiu e deu início a depredação da Câmara dos Deputados? Em 2018, mascarados do Partido dos Trabalhadores vandalizaram o prédio da Ministra Carmen Lúcia do STF em Belo Horizonte. Será que MST e PT não atentaram contra o Estado Democrático de Direito? Não teriam sido tentativas de golpe?

Apesar do meu parco conhecimento em Ciências Jurídicas, posso vos afiançar que esse processo/julgamento aos detentos no 8 de janeiro é uma enorme farsa, onde princípios do Direito Constitucional, Direito Civil, Direito Penal e Processual Penal foram lançados no lixo. Onde o devido processo legal? Onde a ampla defesa e o contraditório? E desde quando civis, sem foro privilegiado, são julgados por uma suprema corte, onde lhes são negados o direito a apelações e recursos? 

Volto a afirmar: Não quero anistia! Está muito difícil crer no movimento de congressistas, independente se a favor ou contra a mesma, até porque estamos próximos de ano eleitoral. Quero sim, que os representantes desta canalhocracia venham à público e desmintam a farsa montada para protegerem um corrupto ex condenado.   

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

O Mundo da Vida

 

Creio que, de um modo geral, seres humanos sempre tiveram dificuldades no relacionar-se com o mundo. Acerca disso, estou ciente, sobejam dúvidas. Porém, as dificuldades nas relações nunca impediram uma identidade; as dificuldades integravam a identidade. Eis a questão: eu não mais me identifico com o mundo. Será que o mundo, a vida como um todo, perdeu sua identidade? Seriam outras as dificuldades? Ou tratar-se-ia de uma busca por não dificuldades? Facilidades? Projetos ditos sociais apenas constroem sociedades pusilânimes. A geração Z não quer obstáculos; o ativismo Woke descaracteriza o Lebenswelt, o Mundo da vida.  

Esse “Novo Mundo”, mesmo através da arte, só retrata sua própria obsessão, sua agressividade, uma nefasta permissividade. Narrativas sucedem narrativas; tudo falácia, retórica empolada. Valores, os mais basilares, perderam-se num palavreado vazio e descabido. As novas gerações carecem de referências, porque estas foram desconstruídas. Então surgem os influencers; estes tiram proveito de seus seguidores e os tornam cada vez mais distantes de qualquer realidade. Destarte, lacunas serão preenchidas com drogas e/ou suicídios.

Em suma: O mundo perdeu o sentido; a vida perdeu o sentido

domingo, 19 de outubro de 2025

Traduzindo...

 

Nossa língua, creio eu, em bem pouco tempo necessitará tradutor. Por que? Vós me perguntais, contudo vosso questionamento é retórico. Nosso idioma sofreu bullying! Não, não foi apenas seduzido, mas está sendo agredido. (Aqui evito usar o termo pervertido para fugir de conotações sexuais). Em verdade vos digo que um novo dialeto está sendo “arranjado”. O saudoso Ariano Suassuna, dentre seus inúmeros causos, nos fala de certa loja, em Recife, cuja razão social atendia pelo nome de Macambira’s Center. Pasmai: uma bromélia nativa da caatinga, coisa bem brasileira, mesclada a um substantivo forasteiro. (Não se trata de xenofobia!)

Mas eu também tenho um causo para vos narrar. Vamos a ele! Convidaram-me para tomar uma pura, cachaça, uma branquinha (assaz preocupado com possível conotação racista). E aceitei o convite, contanto que o marafo não estivesse batizado com metanol. O lugar? Sorri à vontade: The Bregas’ Paradise. Pois bem, domingo próximo da hora do almoço e eu aboletado em um banco, frente à raquítica mesa, no Paraíso dos Bregas. O garçom trouxe a primeira, a segunda e terceira rodadas. Alguém de nosso grupo começou a falar besteiras e se mostrar alterado. Um outro disse que estava na hora de nos despedirmos. Achei ótimo; já me arrependera de lá ter ido.

A conta! Alguém gritou. O garçom prestimoso nos apresentou a nota. Cada um paga a sua! Ótima ideia, se bem que nem todos dispunham de qualquer valor. Eu resolvi pagar toda a despesa e abandonar o mais rápido possível aquele lugar. Quando estendi meu cartão de crédito, o que estava alterado aproximou-se aos tropeções e vomitou no garçom. Os demais ergueram o bebum e o afastaram dali. Eu me desfiz em desculpas para com o rapaz que nos servira. Foi então que fiquei assombrado. Em resposta ás minhas desculpas e preocupações o jovem respondeu-me: What happens in Bregas’ stays in Bregas’.

The pure Tupiniquim English!