domingo, 19 de outubro de 2025

Traduzindo...

 

Nossa língua, creio eu, em bem pouco tempo necessitará tradutor. Por que? Vós me perguntais, contudo vosso questionamento é retórico. Nosso idioma sofreu bullying! Não, não foi apenas seduzido, mas está sendo agredido. (Aqui evito usar o termo pervertido para fugir de conotações sexuais). Em verdade vos digo que um novo dialeto está sendo “arranjado”. O saudoso Ariano Suassuna, dentre seus inúmeros causos, nos fala de certa loja, em Recife, cuja razão social atendia pelo nome de Macambira’s Center. Pasmai: uma bromélia nativa da caatinga, coisa bem brasileira, mesclada a um substantivo forasteiro. (Não se trata de xenofobia!)

Mas eu também tenho um causo para vos narrar. Vamos a ele! Convidaram-me para tomar uma pura, cachaça, uma branquinha (assaz preocupado com possível conotação racista). E aceitei o convite, contanto que o marafo não estivesse batizado com metanol. O lugar? Sorri à vontade: The Bregas’ Paradise. Pois bem, domingo próximo da hora do almoço e eu aboletado em um banco, frente à raquítica mesa, no Paraíso dos Bregas. O garçom trouxe a primeira, a segunda e terceira rodadas. Alguém de nosso grupo começou a falar besteiras e se mostrar alterado. Um outro disse que estava na hora de nos despedirmos. Achei ótimo; já me arrependera de lá ter ido.

A conta! Alguém gritou. O garçom prestimoso nos apresentou a nota. Cada um paga a sua! Ótima ideia, se bem que nem todos dispunham de qualquer valor. Eu resolvi pagar toda a despesa e abandonar o mais rápido possível aquele lugar. Quando estendi meu cartão de crédito, o que estava alterado aproximou-se aos tropeções e vomitou no garçom. Os demais ergueram o bebum e o afastaram dali. Eu me desfiz em desculpas para com o rapaz que nos servira. Foi então que fiquei assombrado. Em resposta ás minhas desculpas e preocupações o jovem respondeu-me: What happens in Bregas’ stays in Bregas’.

The pure Tupiniquim English!

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