quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Ditirambo

 

O brevíssimo conto a seguir baseia-se em fatos reais. Se lançado em plataforma de streaming, cinema ou algo similar, sugiro que venha acompanhado do alerta de que o conteúdo seria impróprio para menores. E vós, mulheres ou homens (não necessariamente nessa ordem), por favor, evitai fazer isso em vossa casa!

Once upon a time e o jantar pronto. O homem cansado, haja vista o volume avassalador de trabalho. A esposa serve vinho e o alerta acerca de sua decisão. Sim, a mulher estava indo embora; queria a separação. O marido esfrega os olhos, busca saber o motivo; a esposa alega um convívio insustentável, pois que o marido vivia para o trabalho e ela sentia-se muito só. Ele assentiu com leve menear de cabeça, lamentou, mas disse acatar sua decisão. Na manhã seguinte a mulher se foi. Onde? Lugar desconhecido e distante.

Algum tempo depois o ex-marido viu-se vítima de acidente automobilístico. A mulher, através de amigos em comum, soube e resolveu visitá-lo. A tiracolo trouxe o novo amante. O homem agradece a visita e os recebe de bom grado. Todavia, quando sozinha com o ex-marido no aposento, ela pergunta se ele ficou com raiva. Ele sorri, balança a cabeça negativamente e diz que a compreende, afinal ela fora honesta e também já estavam separados há quase um ano. A mulher, então, reage aos berros. - “É assim? Tu não consegues guardar raiva? Eu estava certa; tu nunca me amaste”. A cena distanciava-se de um solilóquio; e ela prosseguia: - “Como alguém que diz amar não consegue ter raiva, mágoa ou ressentimentos?” E quase a implorar encerrou a conversa: - “Por favor, tenha raiva de mim!

Pois é, o inusitado, por vezes, se nos apresenta travestido de discernimento e elegância. Evitemo-lo, portanto!

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