quarta-feira, 31 de março de 2021

Arte, artimanha, aliciamento

 

É notório o empenho de várias redes de TV, nacionais ou estrangeiras, por levar ao público programas de calouros. O The Voice é um show de talentos que teve origem na Holanda e seu formato foi copiado por diversos outros países, inclusive o Brasil. O Canta Comigo é a versão brasileira do original britânico All Together Now. Então, a pergunta que não quer calar: Por que? Há, de fato, tanto interesse dos profissionais midiáticos em descobrir e promover talentos? O culto à arte é assim tão premente? Afinal, as produções são caras, dispendiosas, pois envolvem cenários, orquestras, figurinos, prêmios, hospedagens, viagens, etc. O que há por trás de tudo isso?

Vou tentar resumir. Pessoas, talentosas ou não, buscam cumprir as demandas estabelecidas pelo trato social, ou seja, querem a notoriedade, querem a fama, a glória, o poder. Enfim: querem tornar-se celebridades. A arte, para estes, mostra-se apenas como um meio. Contudo, a arte não está vinculada à fama; arte é conforto, é alento. O canto é para muitos oportunidade de se notabilizar. Não vos enganeis: a arte já vem sendo usada como meio há muito tempo; a contracultura catapultou e notabilizou a incompetência. E eu vos pergunto: seres humanos sabem lidar com a fama, com a glória? Evidente que não; conta-se a dedo os que não se notabilizam escravizados à vaidade.

E pela ótica “empresarial”: qual seria o preço a ser cobrado em proporcionar fama e notabilizar alguém? Competência? Talento? Estai atentos! A arte é explorada por empresários inescrupulosos, pois é artimanha para o aliciamento. E como se dá o processo? Simples, a vaidade torna mais fácil e eficaz o trabalho de cooptação, pois na tentativa de tornar-se célebre, de conquistar fama, os participantes acabam por abrirem mão de princípios e/ou valores. Posso citar a meu favor os “Reality Shows”. O meio, o ambiente “artístico”, em si, carece de probidade, de integridade.  Eis o aliciamento. Depois de pouco tempo, já com alguma fama conquistada, não vos alarmeis em ver noticiada a nudez da ex-candidata, ou a possível overdose de um candidato que potencialmente teria algum futuro. “Vaidade, tudo é vaidade e correr atrás do vento”. (Ec. 2.17)   

terça-feira, 30 de março de 2021

As Mensageiras

 

Não é raro permitir-me sair às ruas quando acicatado por problemas que me parecem insolúveis ou mesmo quando incentivado por preocupações outras. Então deixo-me vagar sem rumo, sem conduta ou objetivos. Este meu vagar há muito deixou de ser insólito; é como uma busca alicerçada em fantasias; é como se as divagações pudessem trazer respostas e/ou soluções.

As respostas, de fato, não vêm; as soluções não me são apontadas. Todavia, algo como mensagens positivas acercam-se de mim. Sim, dentre as inquietações e ao desassossego, surge o adejar de uma ou mesmo de várias borboletas. O ruflar perceptível, porque revestido de cores, apresenta-se, apressa-se, mostra-se errante ...  Aí está a criatividade, a mudança ... E por que não a alegria e liberdade para fazê-las? As soluções fazem-se presentes neste revolutear alegre e colorido; as mensagens parecem implícitas. Eis a transformação, minha renovação!

De fato, borboletas evidenciam sinais de transformação. Há como uma similaridade à raça humana, haja vista as mudanças anatômicas. Tudo inicia com os ovos, assim como nós enquanto gestados. A fase larval assemelha-se à nossa infância, na qual somos ainda bastante frágeis. A pupa pode ser entendida como nossa adolescência; situamo-nos bem próximos à fase adulta. Por fim a condição de total desenvolvimento, na qual manifestamos alegria e criatividade; uma transformação que clama por liberdade, porque considera-se ser em evolução.

Ao observá-las, permito-me relembrar não só das transformações vividas, mas também de quantas ainda se farão necessárias. A certeza a invadir-me, a trazer-me conforto, reside exatamente na incerteza desse mister. E o mais importante: as borboletas se solidarizam conosco. Até por uma questão de sobrevivência, além do néctar encontrado nas flores, a panapanã precisa de outros nutrientes... então pousa em nossos corpos, tendo como objetivo sugar nossas lágrimas e suor.

segunda-feira, 29 de março de 2021

Navegar é preciso

 

A frase proferida pelo general romano Pompeu ainda no século I a.C., mostra-se sobremodo pertinente ao panorama marítimo brasileiro: “Navigare necesse, vivere non est necesse”. Com a tradução do poeta italiano Petrarca, no século XIV, a sentença passa a declarar: “Navegar é preciso”. Fernando Pessoa, por sua vez, entende o termo preciso no sentido de exatidão, pois navegar implica precisão, cálculos, o que de certo modo opõe-se à imprecisão da vida. Todavia, atenhamo-nos ao processo de expansão econômica objetivado pela Roma antiga: Navegar é necessário, é indispensável ao desenvolvimento de qualquer nação. 

Nosso litoral soma mais de 7.000 km; a carga movimentada corresponde apenas a 11% do total; temos 175 instalações portuárias. Destas, apenas 8 se destacam e a maioria no sul e sudeste do país. Então perguntamo-nos: O que está errado? O que pode melhorar? Voltemos, de início, nosso olhar, às demais instalações: são portos subaproveitados, haja vista as más administrações, a falta de insumos, o sucateamento de equipamentos, a falta de dragagem nos canais. Nossas tarifas portuárias são caras e o serviço prestado deixa muito a desejar. Pelo aspecto econômico, sabemos que portos bem movimentados significam grande quantidade de empregos diretos e indiretos. A modernização dos portos, seria, salvo melhor juízo, quase que condição sine qua non para melhoria de nosso percentual de navegabilidade.

Por outro lado, a arte de navegar, que pressupõe instrução (conhecimentos pontuais) carece de divulgação. Torna-se imprescindível, portanto, difundir não só a profissão marítima, mas também despertar o interesse da população em relação à Marinha Mercante; faz-se mister o amadurecimento e conscientização no tocante à sua importância. Aos jovens deve ser apresentada a vida marítima. A Marinha Mercante não deve ser encarada apenas como mais uma oportunidade de emprego, mas como ferramenta relevante para modernização e desenvolvimento do país.

A vós outros, que apesar de encantados e seduzidos pelo mar, ainda persistis na hesitação, ouso utilizar-me de certa paráfrase, com a devida vênia de Fernando Pessoa: “Para navegar, basta existir”.

sábado, 27 de março de 2021

A Gelatina e a Valquíria


Recordo-me vagamente de alguém ter declarado que doentes mentais adoram gelatina. Seria de fato, ou trata-se apenas do divagar de mais uma pseudociência especulativa? E se assim o for; por qual motivo? Seriam as cores? A transparência? A substância instável, flexível, fugaz? Bem, isso não significa que todos os apreciadores de gelatina sejam doentes mentais. Engano-me? Todavia, vós outros perguntais por que meu interesse em tema tão desinteressante. Então, resta-me segredar: Adoro gelatina! E ouço solícita e amiudadamente a sentença hipócrita e nada original: “não há porque te preocupares com isso”. Sério?

Bem, como pretendo nada omitir, confesso-vos: sou dado a alguns desvarios. Nada prejudicial. Apenas quimeras de lúdico coração; talvez fantasias de uma fase heroica latente e mal resolvida. E tudo começou quando ouvi Richard Wagner enquanto guiava meu automóvel. Sim, eu desconhecia a recomendação. Segundo o músico Jonathan Berger, a música de Wagner sequestra nossa percepção, cria uma dimensão espaço/ temporal paralela. Eis, portanto, meu vício: adoro sentar-me ao volante, a saborear significativas porções de gelatina, tendo “A Cavalgada das Valquírias” como fundo musical.

Então dá-se a transformação: daquele momento em diante torno-me algo como um(a) Valquíria, ou seja, personifico o herói virtuoso. Já não mais estou em meu carro, mas monto um cavalo alado. Preciso combater o mal, a perversão, a egolatria, a arrogância, a vaidade, o egoísmo, a leviandade. Com minha espada lidero outros combatentes cavaleiros. Perseguimos e caçamos implacavelmente a escória que, graças a ordenamentos jurídicos e posições adquiridas por favorecimentos repreensíveis e duvidosos, julgam-se deuses; punimos de modo exemplar os que fazem-se paladinos e declaram-se defensores de vítimas ideadas; expurgamos a sociedade da súcia que dela busca locupletar-se. Aos que perecem na refrega, meus iguais, lhes sirvo hidromel e cerveja antes de conduzi-los ao Valhala (Salão dos Mortos).

Neste momento poderíeis perguntar-me: E quando tua luta terá fim? Responder-vos-ia por certo: Enquanto Wagner e sua música absorverem-me por completo, perdurará este meu empenho em derrotar o mal, muito embora o auxílio deste delirante processo. Parece-me que o simples fato de querer destruir o molesto já reduz sua influência perniciosa; a vontade em eliminá-lo atenua sobremodo seus efeitos danosos. Minhas lutas, no entanto, carecem de continuidade. As interrupções não tem como causa o fim da ingestão gelatinosa ou a falta de combustível, mas a necessidade em refazer-me das ofensas proferidas pelos que se fazem alvos de minha lida. A vós outros, no entanto, os ofendidos, afetados, injuriados, faço minhas as palavras de Cícero: “oderint, dum metuant”.  


segunda-feira, 22 de março de 2021

A Locusta

 

A primeira vez que ouvi o termo era ainda menino; meu pai o usou em conversa com um de nossos vizinhos. Mesmo sem conhecer seu significado, o vocábulo pareceu-me - e ainda parece - elegante, de agradável sonoridade e bem acorde com situações ou pessoas de destaque. No entanto, eu não dispunha de um dicionário; não deveria interromper a conversa dos adultos. Pus-me, então, na condição de atento ouvinte, a buscar exata definição para a palavra.

Meu pai e seu interlocutor diziam que, em geral, são solitários, mas sob certas circunstâncias, tornam-se abundantes, modificam comportamentos e hábitos a ponto de andarem aos bandos. Nesse momento, inferi que, na verdade, tratava-se de pessoas com maus hábitos. Sim, seriam pessoas famosas graças a seus maus costumes. Papai e seu vizinho prosseguiram em suas considerações; disseram que a lacusta a tudo devora, invade, consome e por fim evade-se. Enfim, seria uma chaga, um mal que precisava ser eliminado, um câncer a ser extirpado.   

Em face do conceito apresentado, entendi: eles falavam de políticos!  

domingo, 21 de março de 2021

Paranormal

 

A viagem fora demorada; quase nove horas. A primeira parte do percurso tivera início no Rio de Janeiro. Hosana quando na chegada em Juiz de Fora. Zanzei desordenadamente naquela cidade; a segunda e última parte da jornada ainda demoraria. Vi praças, monumentos; com a Polaroide tirei fotos, registrei lugares e detalhes. Entrei num café e procurei ler o jornal local. Além da beberagem uma mostra do bom queijo mineiro. Sentado, pus-me a pensar: fazia anos que não via a parentalha, talvez não reconhecesse boa parte deles. O tempo fluiu e teve lugar o novo embarque. A derradeira parte, pensei com alguma alegria. E a viagem prosseguiu, com solavancos, poeira, suor e cansaço.

Chegamos! alguém avisou com solicitude. Pus-me de pé e aguardei que outros reunissem as muambas e apeassem. Desci desconfiado. Seria esperado? Uma senhora surgiu, encarou-me, murmurou meu nome e aguardou pela minha reação. Aproximei-me; ela desfez-se num sorriso. Era uma prima de meu pai. Abraçamo-nos efusivamente como se íntimos fôssemos. Pusemo-nos a caminhar e a trocar informações acerca dos familiares ausentes. A cidadezinha era um nada: pequeníssima, ínfima, minúscula. Mas ali residia - ou jazia? - minha origem. Uma charrete conduziu-nos por quase uma légua.

Enfim uma casa, uma sala, uma sombra, a cadeira onde eu pudesse sentar. Abraços outros corroboraram o quanto eu era bem-vindo. E havia um quarto pra mim reservado. Instava por bom banho; o banheiro era único, mas havia uma cama para chamar de minha. Descansei por cerca de uma hora. Retornei ao convívio dos parentes. Sentamo-nos à mesa: comidas, doces, bebidas. Sim, o fumo de rolo lá mesmo produzido. Éramos, a contar comigo, oito pessoas ao redor da mesa. Alguém falou em imortalizar aquele momento com uma foto, mas o lembrado artista lambe-lambe encontrava-se distante. Sim, em minha bagagem repousava a Polaroide, a máquina de revelação instantânea. O grupo fez-se mais denso, enquanto eu me exibia como pretenso fotógrafo.

Todos sorriam. Ao afastar-me à procura de melhor ângulo, bati com as costas contra um armário de madeira rústica. Então, após o aviso de atenção, acionei o botão da máquina. Poucos minutos de impaciência a aguardar pelo resultado. De início o papel em branco, logo sombras surgiram, desenharam-se vultos e ... pronto! Como mágica a imagem da família em torno da imensa mesa. Admirei o grupo estampado na foto. Alguém solicitou que eu trocasse de lugar, para que também pudesse ser fotografado. Rapidamente instruí o rapaz, filho de uma prima e introduzi-me ao desordenado e coeso conjunto. O rapaz bateu a foto, aguardou o surgimento da imagem e entregou-a à matriarca da família.

Minha tia-avó deixou escapar um grito abafado. Todos a ela se voltaram. A velhinha permanecia estática, olhos arregalados a contemplar a foto. Os demais se interrogavam mudamente: mas enfim, o que houve? Aproximei-me com a primeira foto nas mãos. Estupefato percebi o que acontecia: além das sete pessoas, outra criatura apresentara-se. A imagem estava esmaecida e distante; um vulto sobre os ombros da pessoa mais situada à esquerda do grupo. Eu não a conhecia nem reconhecia, mas de uma coisa tinha certeza: até o momento ela não esteve presente. A matriarca então falou: “parece muito com minha irmã; ela morreu faz três anos!” Mostrei a primeira foto, a senhora comparou e confirmou.

Tudo mudo, silêncio sepulcral. Fomos transportados do interior de Minas para os bastidores de Poltergeist. Como poderíamos chamar o fenômeno? Psicocinesia silenciosa? Não, a mulher morrera; é mais fácil falar em assombração... se bem que, aquilo estava mais para Gasparzinho, o fantasminha camarada. Em meio ao pânico, alguém falou em padre, em benzer a casa, em exorcismo. O que é isso, minha gente? estão a demonizar um ente querido? Pensei em Ghostbusters, os caça-fantasmas. Quando já imaginava as presenças de Dan Aykroyd e Bill Murray no casarão, observei que, por trás do grupo havia um janelão com os postigos abertos. O vidro da janela esteve exatamente atrás do ombro direito da pessoa que posara à esquerda; o vidro apenas refletira a foto de um grande retrato que encimava o armário de madeira rústica.  

sábado, 20 de março de 2021

Minha titulação

 

Posso vos afiançar que não se trata de denominação honorífica ou algo que o valha; nada está ligado a meu currículo acadêmico; careço de título ou nome e muito menos exibo ou desfruto de alguma fidalguia. Apenas sou intitulado, aliás algo bastante peculiar em dias de hoje. A mim são atribuídos adjetivos, substantivos adjetivados (não necessariamente nesta ordem) e pasmai: até neologismos. Bem, e para que o presente introito não dê margem a mais uma designação bizarra, adianto-me com novo parágrafo.

De início, devo confessar que não sou muito fã dessa tecnologia que certamente nos expõe; à Internet dou importância relativa. Sou contra o uso de aplicativos, senhas, impressões dactiloscópicas, transferências bancárias, arquivos documentais, etc. Evito comentar certas particularidades por redes sociais que, afinal de contas, só a mim interessam; evito postar fotos que só tem importância para mim e para os meus. Sou daquela teoria ultrapassada de que “roupa suja se lava em casa”. E de ninguém escondo meu estado de apreensão. Pois bem, em conversa com um desses jovens que escovam os dentes pela manhã com o aparelho celular, recebi como resposta que “minha visão retrógrada, além de tudo, depõe contra o (isso é no mínimo risível) desenvolvimento fisiológico humano. Ainda com cara de idiota, pergunto por quê? E a resposta: “o cérebro realiza sinapses porque, em verdade, somos um aglomerado de algoritmos. A celeridade do mundo moderno exige que o cérebro humano se utilize de recursos para que o viver seja possível”.  E os adjetivos: quadrado, reacionário, caturra.

Uma outra característica que ostento é ser admirador da arte e cultura humanas. Não só adoro livros, mas coleciono selos, moedas, cédulas, cartões; interesso-me, enfim, pelo que pode explicar meu passado. Certa feita, recebi de presente uma pequena escultura de Poseidon. Ora, creio que o fato de ter passado tanto tempo na Marinha justifique meu interesse pelo deus grego responsável pelos mares. E lá estava Poseidon sobre minha escrivaninha em meu gabinete. Então recebi a visita de certo aluno, que além de filosofia, cursava teologia em determinado seminário. Na semana seguinte, pelos corredores da faculdade, corria à solta os títulos a mim designados: idólatra, sacrílego, apóstata.  

Em face da idade, e por já apresentar alguma disfunção orgânica, decidi, até mesmo para evitar o uso frequente de muitos medicamentos, reorganizar minha dieta. Pois bem, optei por evitar a ingestão de carne. Não, não sou vegano; alimento-me com ovos, leite e derivados. Mas os predicativos parecem nos preceder. Ora, os predicativos, nesse caso, são sempre do sujeito; nunca do objeto. Pelo menos resta-me o consolo de que nas frases em que meu nome figure, o verbo utilizado será necessariamente o de ligação. Bem, e como por vezes os adjetivos fazem-se ausentes, ou velados, meus críticos se valem de neologismos. Aqui vai: ovolácteovegetariano. (Acho que é assim que escreve).

Bem, pelo exposto, já podeis traçar meu perfil. Aqui valho-me da terminologia do politicamente correto para falar de minha idade: eu diria meia idade, isto é, melhor idade. Então, por dedução, deveis concluir que cultuo alguns valores tidos como ultrapassados; sou do tempo em que as canções tinham por base a musicalidade tonal, ou seja, melodia, harmonia e ritmo; arte e cultura para mim tem por fito trazer alento, conforto; educação para mim é determinante, pois deve haver respeito, hierarquia; nas relações cotidianas, não abro mão da integridade, honestidade, justiça: posições de destaque na sociedade devem-se dar em função do mérito; politicamente, venero minha pátria e gostaria que meu país figurasse em primeiro lugar no mundo. Em suma, chamam-me fascista.