domingo, 27 de outubro de 2024

Profecia apócrifa

Não, não foi o Senhor quem falou comigo ou tornou-me arauto de Seu pensamento. Creio ter sido influenciado pela muita leitura e/ou violentado pelo excesso de informações... mas fato é que imagens vêm se formando há algum tempo em meus pensamentos. Disponho-me portanto, não só divulgá-las, mas também partilhá-las convosco, meus possíveis leitores.

Uma primeira visão revela-me alguns funerais (11, se não me engano). Mas são solenidades carregadas de pompa (as circunstâncias é que não são agradáveis); o fausto evidencia pessoas ilustres. Mas o esplendor agora é mórbido, uma magnificência sombria. E lá estão os corpos inanimados, ainda togados, dos ex-ministros (há também uma representante feminina) a ouvirem discursos repletos de elogios canhestros e serem carpidos pela hipocrisia.

Uma segunda imagem retrata o hostil, a desforra, algo próximo da vingança, acontecido uma semana após o descrito sepultamento. O povaréu chega ao cemitério em silêncio, aproxima-se das referidas 11 tumbas, e tem início o funesto ataque. Jazigos depredados. Os corpos são retirados dos sepulcros (não caiados, mas marmorizados). A putrefação é ofensiva; a fetidez provoca um regurgitar simultâneo. Cães igualmente sombrios aparecem para tomar parte naquele ritual pagão. Os manifestantes afastam-se lentamente. Os corpos, ou o que restou deles, assemelham-se, então, a esterco.

Triste fim para a arrogância, fatuidade, felonia, ganância, iniquidade, corrupção! 

sábado, 26 de outubro de 2024

Perversão cultural

 

O termo cultura pode ser entendido como conjunto de tradições, crenças, princípios morais, manifestações artísticas e/ou intelectuais que identificam um povo, uma nação ou grupo social. E a título de exemplo ao respeito pela identidade cultural de diferentes povos, cito o Império Romano, que apesar de tão vasto, nunca se imiscuiu na cultura dos povos sob seu domínio. Ora, a cultura de um povo sofre influências no convívio com forasteiros. O próprio Império Romano assimilou - e muito - a cultura grega quando sob seu domínio, haja vista a similaridade mito/religiosa. “Graecia capta ferum victorem cepit et artes intulit agresti Latio”. (Conquistada a Grécia, o conquistador selvagem levou e trouxe as artes para o Lácio selvagem).   

Todavia, observemos agora as consequências da aceitação passiva de uma cultura estranha dentre uma sociedade com sólida identidade. O que está acontecendo na Europa? O que dizer da pretensão de alguns povos islâmicos em subjugar culturalmente países como Alemanha, França, Inglaterra, etc.? O multiculturalismo, movimento social da esquerda norte-americana, apesar do discurso falacioso pautado em outra farsa, que atende pela alcunha de Direitos Humanos, tem como objetivo precípuo perverter a cultura ocidental. A tão propalada luta pelos direitos civis de grupos dominados tem por base mera narrativa que se declara a favor da igualdade. A parafrasear Nelson rodrigues: “A igualdade é burra!” Não pode haver convivência harmoniosa entre culturas e crenças tão díspares! Cidadãos de pele branca, letrados, heterossexuais e cristãos não são marginais; eles simplesmente são. E, por favor, parai com essa baboseira de diferentes concepções multiculturalistas; todos os estrangeiros querem ter sua cultura assimilada pelo povo que os recepcionou.

O Brasil, por sua vez, já com dificuldades por determinar uma identidade cultural (seja lá qual for), é nada mais que cobaia nesse experimento nefasto. O que temos então? Não só a mentalidade colonial, mas uma extremada subserviência.    

terça-feira, 15 de outubro de 2024

Ativismo “Woke” e a geração “Floco de Neve”

 

A nova geração assimilou tal ativismo. Como? Busquemos as origens. Em geral, trata-se de alunos da classe média a desfrutar de vantagens sociais, como por exemplo, uma educação acima da média. Todavia, essas vantagens não lhes tornam exemplos de moralidade; há como que uma necessidade em mostrar elevado nível moral. Pois bem, além da educação doméstica pautada na superproteção, graças ao psicologismo atuante, (em tudo vê fonte de traumas), temos um engodo chamado Conselho Tutelar (um modo do Estado imiscuir-se na educação familiar). Como contraponto, observa-se que esta geração, na maioria dos casos, tem apenas um dos genitores presentes no lar. Outrossim, da escola vem a carga maior, pois a doutrina mascara-se de pensamento crítico. Uma simples operação matemática ou uma aula de ciências da natureza carrega em seu bojo questões sociais a serem discutidas. Eis aí, em síntese, as origens do pensamento crítico, se bem que o termo crítica assume novo conceito. A crítica em questão volta-se ao oponente ideológico, tendo-o como inimigo. Não se trata de discordância; a crítica quer diminuir, menosprezar, desacreditar, marginalizar... Quando na Universidade, o vício toma vulto.

Em tudo essa geração vê algo nefasto, algum tipo de injustiça social; e por conta disso acredita-se intelectual e moralmente superior. Na verdade, essa geração foi contaminada por um sentimentalismo tóxico, que destrói a capacidade de pensar e aniquila a certeza da importância do conhecimento. Conteúdos científicos são relegados a segundo plano em nome de demandas sociais. Eis o analfabetismo funcional! Ao elegerem ídolos, buscam os “ungidos”, ou seja, posições superiores desfrutadas por alguns dentro da hierarquia ideológica. Os “Flocos de Neve” por tudo se ofendem, pois educação escolar e orientação familiar fizeram deles pessoas emocionalmente vulneráveis. Sofrem de ansiedade e depressão e passam, em média, 9 horas por dia, a interagir em plataformas digitais.  

É bom ter em mente que o ativismo Woke - Justiça Social Crítica - tem suas raízes no marxismo, se bem que mesclado ao pós-modernismo. Podemos até falar em progressismo, baseado no relativismo, no não permanente, no subjetivismo. Em suas primícias está a Escola de Frankfurt, formada por dissidentes nazistas, o que não os inocenta da carga viral do nacional-socialismo. Aliás, um nazifascismo bem dissimulado nos discursos inflamados que declara preocupação com os menos favorecidos.

terça-feira, 17 de setembro de 2024

Talvez uma síndrome

 

O ser humano não estava, ou melhor, ainda não está preparado para o conhecimento. Eis nosso pecado original. O contágio com o conhecimento e seus efeitos está na origem de tudo, na origem da agressividade, da vaidade, da arrogância ... O “Prometeu Acorrentado” de Ésquilo (525 a 456 a.C.), na verdade, não era um semideus. Segundo Enoque (sec. III a.C.) seria um anjo decaído, talvez um deus alienígena, a metafórica serpente. O fruto proibido da árvore que faculta o diferençar entre o bem e o mal, nada mais é do que o conhecimento, conhecimento este que quando empregado desencadeia toda sorte de iniquidades. O conhecer advindo do fogo trazido por Prometeu mostra-se como a bela Pandora; em suas mãos a caixa, o presente ofertado a humanidade: a ciência! A caixa quando aberta libera todo tipo de mal.

Não só o pensar, mas o falar, o domínio da linguagem também traz atrozes consequências. Aliada ao linguajar está a hipocrisia, a malícia, o proposital engano. Babel está justificada. Seres humanos ainda carecem de preparo para pensarem e/ou transmitirem pensamentos. O que nos resta, então? A esperança, presa à tampa da caixa exibida por Pandora; exatamente o que a ciência não pode proporcionar.

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Shit

 

Ambientalistas/ecologistas (oportunistas, talvez... Ato falho ou lapso de língua?) apelaram para a esquerda verde com um projeto inusitado. Após consultas à ANVISA e à SUDEMA a coisa foi parar em nossa Corte Suprema. Pasmai, depois de refrigerada discussão e o voto do relator, a decisão inefável do nosso novo órgão legislador, o STF! Decidiram Suas Excrecências que fica proibido o amassar de bananas; o fruto, portanto, deverá ser ingerido ao natural. No amassar dos frutos estar-se-á a cometer grave crime, pois em virtude das consequências oriundas da ingestão - constipação intestinal (prisão de ventre) - agride-se o Estado Gastroesofágico de Direito. O crime é considerado de natureza inafiançável, oportunizando prisão em flagrante, multa, busca e apreensão.

A propósito, essa deveria ser a preocupação ímpar da nossa Corte Constitucional, ou seja, com as merdas que são feitas!     

sábado, 20 de julho de 2024

Uma tarde em Odessa


Grande amigo, diplomata, disse-me que falar francês é fácil: deve-se começar sempre por um sonoro Bonjour, em meio a frase solta-se uns dois ou três assintomáticos Voilà e ao terminar um sincero Merci. Seria verdade? Não o saberia dizer, mas algo parecido sucedeu comigo no porto de Odessa, Ucrânia, então parte da extinta União Soviética.

Meado dos anos oitentas; janeiro, se a memória não está a me pregar peças. O Mar Negro em parte congelado. Por isso a proa bulbosa dos navios: quebrar gelo. E eu em Odessa... Não, eu não fora ali em busca de nenhum dossiê. Simplesmente minha vida de marinheiro mercante facultou-me oportunidades únicas. Creio não ser necessário dizer do frio intenso, mas é bom fazê-lo. Como suportar a temperatura daquele lugar? Alertaram-me para que saísse à tarde, pois a noite eu não aguentaria. E assim o fiz. O céu acinzentado, impassível... O impiedoso clima me incomodava. Solução? Um bar!

Adentrei o recinto não querendo parecer neófito. Qual nada; perda de tempo. E o idioma? Eu decorara, se muito, três ou quatro palavras; todas exclamações. E por incrível que pareça, foi com elas que passei uma tarde em Odessa. Minha primeira palavra: Vodka! (dispensa tradução). Assim que era servido, eu agradecia com spasibo! (obrigado). Em seguida, com o copo em riste, eu exclamava zdorov’ye! (saúde). Bem, isso se repetiu incontáveis vezes, até que o frio pareceu ter-se ido e a cabeça dar início ao penoso giro. Despesa paga, antes de abandonar o recinto, voltei-me com veemência e disparei um dasvidaniya! (adeus).

Nunca mais tive oportunidade de retornar a Odessa; ficaram apenas lembranças. Dentre estas a do companheiro de viagem que, entusiasmado pelo idioma e costumes soviéticos, e de tanto ver certo termo estampado em boletins, cartazes e documentos nos quadros de avisos, decidiu colocar o nome do filho recém-nascido de MockBa.      


quarta-feira, 10 de julho de 2024

Vivere

 


Um dia qualquer, talvez data de importância abstrata... e eu quis viajar. Para onde? Determinado lugar, algo distante; diziam-no paradisíaco. Recordei-me da amiga que morava próximo a meu intentado destino. Alguma bagagem e a viagem teve início. Então se passaram dois dias ou mais; não sei ao certo. Primeira parada: casa da amiga. Que coisa esquisita! Ela me pareceu alheia, irreconhecível, uma estranha. Onde o carinho, a atenção, a empatia? Abracei-a, mas foi tudo desconfortável. Optei por despedir-me. Assim o fiz e parti em busca do dito paraíso. Qual nada! Lugar desconfortável com poucos casebres; pessoas amargas, desconfiadas, agressivamente fleumáticas. Evadi-me. E lá deixei muito de mim, além do casaco e da pouca bagagem.

Vida é isso, ou bem mais do que isso: nem caverna platônica, Matrix ou a vaidade de vaidades salomônica. Viver é colecionar mentiras!