segunda-feira, 20 de outubro de 2025

O Mundo da Vida

 

Creio que, de um modo geral, seres humanos sempre tiveram dificuldades no relacionar-se com o mundo. Acerca disso, estou ciente, sobejam dúvidas. Porém, as dificuldades nas relações nunca impediram uma identidade; as dificuldades integravam a identidade. Eis a questão: eu não mais me identifico com o mundo. Será que o mundo, a vida como um todo, perdeu sua identidade? Seriam outras as dificuldades? Ou tratar-se-ia de uma busca por não dificuldades? Facilidades? Projetos ditos sociais apenas constroem sociedades pusilânimes. A geração Z não quer obstáculos; o ativismo Woke descaracteriza o Lebenswelt, o Mundo da vida.  

Esse “Novo Mundo”, mesmo através da arte, só retrata sua própria obsessão, sua agressividade, uma nefasta permissividade. Narrativas sucedem narrativas; tudo falácia, retórica empolada. Valores, os mais basilares, perderam-se num palavreado vazio e descabido. As novas gerações carecem de referências, porque estas foram desconstruídas. Então surgem os influencers; estes tiram proveito de seus seguidores e os tornam cada vez mais distantes de qualquer realidade. Destarte, lacunas serão preenchidas com drogas e/ou suicídios.

Em suma: O mundo perdeu o sentido; a vida perdeu o sentido

domingo, 19 de outubro de 2025

Traduzindo...

 

Nossa língua, creio eu, em bem pouco tempo necessitará tradutor. Por que? Vós me perguntais, contudo vosso questionamento é retórico. Nosso idioma sofreu bullying! Não, não foi apenas seduzido, mas está sendo agredido. (Aqui evito usar o termo pervertido para fugir de conotações sexuais). Em verdade vos digo que um novo dialeto está sendo “arranjado”. O saudoso Ariano Suassuna, dentre seus inúmeros causos, nos fala de certa loja, em Recife, cuja razão social atendia pelo nome de Macambira’s Center. Pasmai: uma bromélia nativa da caatinga, coisa bem brasileira, mesclada a um substantivo forasteiro. (Não se trata de xenofobia!)

Mas eu também tenho um causo para vos narrar. Vamos a ele! Convidaram-me para tomar uma pura, cachaça, uma branquinha (assaz preocupado com possível conotação racista). E aceitei o convite, contanto que o marafo não estivesse batizado com metanol. O lugar? Sorri à vontade: The Bregas’ Paradise. Pois bem, domingo próximo da hora do almoço e eu aboletado em um banco, frente à raquítica mesa, no Paraíso dos Bregas. O garçom trouxe a primeira, a segunda e terceira rodadas. Alguém de nosso grupo começou a falar besteiras e se mostrar alterado. Um outro disse que estava na hora de nos despedirmos. Achei ótimo; já me arrependera de lá ter ido.

A conta! Alguém gritou. O garçom prestimoso nos apresentou a nota. Cada um paga a sua! Ótima ideia, se bem que nem todos dispunham de qualquer valor. Eu resolvi pagar toda a despesa e abandonar o mais rápido possível aquele lugar. Quando estendi meu cartão de crédito, o que estava alterado aproximou-se aos tropeções e vomitou no garçom. Os demais ergueram o bebum e o afastaram dali. Eu me desfiz em desculpas para com o rapaz que nos servira. Foi então que fiquei assombrado. Em resposta ás minhas desculpas e preocupações o jovem respondeu-me: What happens in Bregas’ stays in Bregas’.

The pure Tupiniquim English!

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Estupefaciente

 

De repente, muito mais que de repente, melhor dizer repentinamente, deparamo-nos com o tudo. Se bem que um tudo a pressagiar o nada. São calores, incêndios, queimadas, nevascas, tremores, torpes inundações, ondas gigantes, vendavais, temporais, enxurradas. O que mais? Doenças a retornar, outras inéditas a se manifestar; novas definições, observações, deliberações. Crises de ansiedade, angústia, depressão, violência, a banalização do mal, o suicídio. Drogas as mais variadas a coonestar, tumores então não mais escondidos; não valores a serem esculpidos, difundidos, ideologizados. A nesciedade, a insciência vem nos assolar. E tem lugar o imogerado.

Cuidai-vos! Mares, rios e lagos em cor avermelhada; eclipses rotineiros. Alerta para o dia da noite no dia! O impossível passou a nos conduzir; nem mesmo “trancos e barrancos” possibilitará qualquer viver. Se colocado em tela tal cenário, a coisa estaria para além do surrealismo, do abstrato; seria algo dissentâneo, talvez híbrido, prepóstero... E lá estava eu a tentar expressar o vulgacho, o atascadouro. A tela? Qual nada! Nem mesmo as blandícias da espátula e/ou pincel poderiam evitar o formidoloso. Se bem que, em dado momento o clangor, seguido de um tonitruar, permitiu-me observar o refulgir da honra, da adoração. Enfim, o nume a nos guiar.      

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Kako Gnose

 

Alguns professores universitários brasileiros não conseguem entender o porquê, muito embora a pedagogia de Paulo Freire, de o Brasil ter um dos piores índices educacionais do mundo, conviver com o analfabetismo e tantos analfabetos funcionais. Creio que tais professores sejam vítimas de dissonância cognitiva ou de patente hipocrisia. Atentai vós outros que lastimais o apedeutismo. Em termos freireanos, é a "educação bancária", o conteúdo, o conhecimento que promove o espírito crítico; a recíproca não é verdadeira, pois espírito crítico não promove conhecimento algum. O dito espírito crítico enfatizado por vós não passa de doutrina. Uma pergunta: há, de fato, empenho dos governantes em promoverem a educação?  Parece que a coisa agora resume-se ao "Pé de Meia", isso para que o tráfico continue a ser financiado. Devo recordar-vos de que meninos brasileiros, não é de hoje, repetem o mote: "Não precisa estudar para ser jogador de futebol!" Em dias atuais o mote foi ligeiramente modificado:  "Não precisa estudar para ser presidente da república!"

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Har Megiddo

 

Com o bloqueio de redes sociais, a geração Z, no Nepal, derruba governo, incendeia casas e causa mortes. Políticos de direita são alvos de violência em diversas partes do mundo. Na Alemanha, às vésperas da eleição, seis candidatos conservadores são assassinados. Após derrota para Marine Le Pen, representante do partido de direita, Emmanuel Macron dissolve parlamento e convoca novas eleições. Como explicar a derrota de Javier Milei na Argentina? No Brasil, dos 1.400 presos acusados de “golpistas” em 08 de janeiro de 2023, 141 continuam presos e 44 em prisão domiciliar. Ex-presidente, mesmo ausente do país, foi acusado de golpista, está preso e sendo julgado por um tribunal de exceção.

Em face desse breve relato, será que alguém ainda duvida de que estamos próximos do Armagedom? Creio que nem mesmo o ateísmo consegue enceguecer contumazes observadores. Duvidais? Pois bem, já consigo aperceber-me dos anjos e suas respectivas taças; seres com chagas, o mar e as fontes de água tornadas em sangue, seres humanos abrasados com tanto calor, percebo as dores, os rios a tornarem-se desertos. E do céu a grande voz, por certo, irá proferir: Está feito!

Conheci também a grande prostituta, pois com ela convivi nos anos de magistério. Ela pairava sobre as muitas águas a corromper jovens e governantes; mulher bem vestida e adornada de joias, a trazer na mão o cálice da perdição. Confesso que, a princípio, tanto quanto João, cheguei a admirar a tal mulher, mas um Deus sempre presente alertou-me. Outro anjo poderoso está para descer do céu e tornar tudo em luz. A grande Babilônia será destruída; a besta derrotada. Novos valores e princípios governarão o planeta. Satanás vencido para sempre.

“E vi um novo céu e uma nova terra”. Apocalipse 21: 1

Pseudociência

 

La Medicina Hipocrática. Foram 431 páginas voltadas a uma melhor compreensão da ciência médica por referência. E já de início posso vos afiançar que os profissionais da área médica, não obstante o afamado juramento, a fazer uso das palavras do próprio autor, Pedro Lain Entralgo, tratam com uma “infiel fidelidade o tema hipocrático”.

O livro discorre de modo exaustivo sobre o conceito de physis (natureza). O corpus hipocrático busca harmonia, equilíbrio entre natureza e ser humano. Nas palavras do autor, “el médico hipocrático conoce la phýsis del enfermo, y em alguna medida la phýsys universal”. A natureza não vai nos trazer nenhum ser perfeito; a beleza e a sabedoria da natureza está em se autorregular, em se autocorrigir.

E o que temos em dias atuais? Uma parafernália tecnológica a virar corpos pelo avesso na procura de alguma “anomalia”. Atenção: nunca haverá sequer, em se tratando de natureza, um corpo perfeito! Então o ser humano torna-se refém de uma tecnologia invasiva, que usa como argumento estar fazendo o melhor para seu bem estar. Em verdade, essa vaidade acadêmica visa apenas imitar “Papai do Céu”.

O que temos, então? Exames e medicamentos caros a enriquecer a indústria farmacêutica e, por acréscimo, patrocinar o turismo acadêmico de profissionais médicos. A medicina não mais nos dá a liberdade de escolha; médicos cada vez mais indiferentes a pessoa humana: seus clientes. Em nada vou estranhar se atribuírem à Alexa (assistente virtual) um diploma de pós-doutorado em medicina e ela tornar-se uma pseudo seguidora de Asclépio.

sexta-feira, 4 de julho de 2025

Eu, o tirano

 

Nada mais prudente do que recorrer a etimologia para melhor entender o vero significado de alguns termos. E lá vamos nós: eu sou considerado um tirano! Minto; somos próximos a 218 milhões de tiranos neste imenso Brasil, segundo a Excelentíssima Senhora Ministra do Supremo Tribunal Federal, Carmen Lúcia.

Mas o que seria, de fato, um tirano? Originalmente, o termo não carregava conotação negativa e referia-se a governante ou monarca ilegítimo, ou seja, alguém alheio à oligarquia vigente, alguém humilde, um militar, talvez, que tomava o poder através de golpes. O termo evoluiu do grego para o latim e assimilou a característica de alguém que exerce o poder de forma arbitrária e opressiva. A conotação negativa do termo (algo bem atual) está associada a governos cruéis, despóticos, autoritários. Creio serem desnecessários os exemplos.

E a perguntas que não querem calar: onde nos encaixamos neste conceito? Seria porque não nos permitirmos silenciar a respeito de um governo que se revela cada vez mais autoritário, enganoso, hipócrita, desleal, cleptocrata? Seria porque alertamos, através das mídias sociais, nossos compatriotas acerca dos desmandos de um executivo inepto e antiquado? Seria porque desempenhamos informalmente as funções de uma imprensa totalmente vendida aos interesses de poucos? Ou, quem sabe, Sua Excelência tenha querido referir-se a outras pessoas? Na verdade, a si mesma e a seus pares.

Peço-vos vênia no recordar a expressão popular “O bom julgador por si julga todos!”