segunda-feira, 19 de novembro de 2018

A nocividade do discurso


É deveras impressionante o quanto o pensamento alheio é manipulado com o fito de sustentar uma circunstância totalmente repreensível. Deparamo-nos, e não raramente, com o apoderar-se do pensamento de outrem na tentativa pífia de escamotear um fenômeno, ou um conjunto deles, até então inexplicáveis. Essa sutileza busca apenas criar algo como um epifenômeno que explicaria de modo conclusivo o que antes carecia de explicação, fazendo da razão um mero instrumento de perversão. Tais maquinações podem ser observadas no que diz respeito às ideologias. Ideologias, por si mesmas, tem essa característica marcante: distorcer a razão.
Gostaria de referir-me especificamente - coeteris paribus - ao materialismo dialético e seu determinismo histórico. Por que o pensamento de Marx tornou-se tão difundido na modernidade e pós-modernidade? Simples, porque foi o pensamento encampado e tornado basilar para explicar os problemas sociais trazidos à luz no pós Revolução Francesa. A base material torna-se, então, o fulcro na explicação das relações de produção, formação de estamentos sociais, relações capital-trabalho etc. Com isso, toda produção tem como fundamento um materialismo que assim o determina.
Mas e o reducionismo subjacente? Doravante, tudo passa a ser compreendido por este “funil” arquetípico. Uma crítica que faço a Marx pauta-se exatamente nesta faceta de seu pensamento. Marx abandona a divindade e volta-se ao materialismo. Ora, a divindade seria o que faz do ser humano uma marionete em face de seus desígnios. E o materialismo seria diferente? Neste caso, todo ser humano tornar-se-ia refém de um determinismo material. Marx, assim me parece, revelou-se um apóstata.
Todavia, concentremo-nos na apropriação do discurso marxista. Parece-me que tal conjunto ordenado de frases bem construídas e constituídas serve de consolo e égide aos fracassados. Os fracassados encontraram em Marx o amparo e proteção necessários para seu fracasso. E o discurso não para aí; segue-se uma orgia retórica de cobranças e justificativas. Há um apelo à piedade, à comiseração; uma cobrança social intensa que faz do outro - o não fracassado - um réprobo.  Os que não se entregam ao fracasso ou às práticas da autocomiseração passam a ostentar o título de burgueses.
Ora, diriam os mais exaltados, mas esse fracasso tem sua origem na base material. Correto, mas seria esse mesmo determinismo que produz outros não fracassados - burgueses, para usar a terminologia preconceituosa e discriminadora. Como uma das consequências desse modus dicendi temos o banimento do mérito. Não há mais lugar para o mérito, mas somente para o pobrezinho, para o sofrido, para o hipossuficiente, para o oprimido vitimado pelo opressor, para a vítima de uma sociedade ingrata, desigual e excludente. É essa atípica conduta que sustenta a famosa “luta de classes”.
       Mas analisemos essa tão difundida “luta de classes”. As classes não privilegiadas, vítimas do determinismo materialista lutam não só para melhorar sua condição e conquistar “um lugarzinho ao Sol”, mas lutam para tomar o poder das mãos daqueles que são poderosos, igualmente “vítimas” do mesmo determinismo material, apesar do discurso enfarado de Paulo Freire. E uma vez no poder, estejais certos, comportar-se-iam ainda de maneira mais extrema e rude que seus antigos algozes, pois que a eles se vinculariam o revanchismo, a revolta, a vingança, enfim, o ressentimento.

sábado, 17 de novembro de 2018

Criatividade em crise



Tornou-se trivial em nosso cotidiano a prática nada original de regravar canções antigas, de fazer releituras de sucessos cinematográficos, principalmente no que tange aos heróis e aos clássicos da literatura, típicos das gerações baby boomer e X. Não obstante, o que reclama nossa atenção é que a prática de regravar, reler etc., alia-se a outra igualmente inconspícua: nada criar, e o que porventura é criado - e aqui me permito generalizar, infelizmente - carece de sentido, de bom senso, de bom gosto. Surgem sim, situações cômicas e/ou estapafúrdias que culminam em desfechos igualmente cômicos e/ou estapafúrdios, mascarados, evidentemente, pelo argumento da subjetividade.

A prática das releituras não pode reclamar a si criatividade ou genialidade, pois se filia a um grande erro conceitual. A releitura, principalmente onde há distorções no caráter dos personagens, limita-se a uma visão estritamente particularizada e distante de todo e qualquer aporte. A criação está diretamente relacionada às ideias originais, a tirar do nada, ao ineditismo, a inventar, idear, criar no pensamento. Releituras, em geral, se tornam reféns da carga valorativa do transcritor, mascarando, assim, a originalidade de um texto ou de um personagem.  

Mas, por que tal prática? Onde a criatividade das gerações Y e Z? Estamos vivendo uma crise na criatividade ou crise da criatividade? Será que a capacidade criativa está sendo simplesmente amordaçada? Poder-se-ia falar em manifestação de uma contracultura, mas o que é contracultura senão revolta contra atividades artísticas dominantes? Ora, reedições, releituras, regravações não são ações típicas de um movimento contra cultural; nem mesmo se poderia falar em aculturação. Na verdade, o que se vê é um reacionarismo cultural.

Bem, o argumento de que a arte é a expressão maior da liberdade seria conveniente. Mas que tipo de liberdade artística leva novas gerações a buscaram abrigo em gerações passadas? Poder-se-ia ainda falar na arte como catarse, mas como entendê-la? Catarse se refere à purificação de sentimentos, à liberação de emoções, à exteriorização da sensibilidade. Pergunta-se: estariam as gerações Y e Z privadas de suficientes emoções, sentimentos, sensibilidade? Ou será que atingimos o limiar da sensibilidade ou insensibilidade humanas? O que pode gerar a insensibilidade? O que faz com que os novos seres sejam privados de emoções? O que estagna os sentimentos? Seria um excesso de racionalismo? Seria o individualismo exacerbado? Seria a expansão desmedida de uma tecnologia que promove uma acomodação sistêmica? Seria a fartura do imagético que leva a um abandono do pensar? Seria a gama exorbitante de informações que condiciona e/ou reprime de modo nefasto a busca pelo inédito? Porventura, não seria a intervenção de consequências negativas advindas de gerações passadas? Ou, quem sabe, talvez, as consequências de uma ideologia cultural nefasta?

De fato, as novas gerações lutam por um criar artístico, querem exibir seus novos ideais, querem registrar suas marcas, querem ostentar uma chancela, mas o “como” não lhes foi concedido. Talvez estejamos vivendo a soma de todos os erros.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Fascista recém-criado



Gente, vós não podeis imaginar, mas descobri-me um fascista. Sim, é sério - não só o fato da descoberta, como também as implicações da descoberta. Com efeito, apresento algumas de suas características. No entanto, acredito piamente que me tenham forjado um fascista. Seria isso possível? Vejamos! Eu valorizo muito o meu país; posso e vós podeis também afirmar que sou um patriota. Curioso é como outras nações, há muito tempo, vêm revelando ao mundo seus vieses patriotas e nunca tais povos foram rotulados de fascistas. Exemplo disso é o povo norte-americano. Difícil assistir qualquer filme norte-americano e não ter diante dos olhos o tremular da bandeira dos Estados Unidos. E o hino nacional dos Yankees? Executado até mesmo no sepultamento de cães policiais. O que me deixa mais abismado em tudo isso é o fato de grande parte do povo brasileiro ser incapaz de cantar - porque desconhece a poesia - o hino da própria pátria.

Contudo, isso não foi casual; foi algo estimulado, induzido, semeado, pois houve época em que a bandeira brasileira era repudiada, renegada; cantar o hino nacional era motivo de chacota e repulsa. Engano-me? Não! Tratava-se de uma forma de retaliar o governo militar que tornou obrigatória a disciplina OSPB. Mas meu patriotismo é exacerbado no sentido de desejar ver meu país reverenciado por outros povos; ser destaque na área tecnológica e nas demais ciências. Meu patriotismo não se satisfaz simplesmente em ver minha pátria reconhecida como celeiro de craques de futebol ou por ser encarado como paraíso tropical de fabricada e aviltante sensualidade, o que empresta à mulher brasileira fama de prostituta. Meu patriotismo não quer ver o país achincalhado no panorama mundial, e isso graças à fama de impunidade ou paraíso de corruptos, que a escória política empenhou-se em modelar. 

Outra característica seria minha ênfase no militarismo. Por que? Afinal, o que temos assistido e de modo passivo? Insegurança em todos os níveis com permanentes riscos para os cidadãos e seus patrimônios, crianças e jovens indisciplinados e desrespeitosos para com os pais e professores - graças não só ao despreparo dos pais, mas também aos Conselhos Tutelares e aos psicologistas de plantão que os impede de educar seus rebentos, quando assim pretendem - baixíssimo rendimento escolar, promiscuidade, drogas, ausência de valores, desconhecimento de limites, etc. A polícia não pode interferir, pois quando o faz é acusada de uso excessivo da força, além dos slogans vomitados a rodos pela mídia, por movimentos sociais e por políticos que se dizem de esquerda e preocupados com os rumos da sociedade, direitos humanos, blá, blá, blá. Pura balela! E o povo, a juventude mais exatamente, acabou por assumir essa face sinistra, esse viés dissimulado, essa distorção de caráter que a coloca na condição de barbaria. De qualquer sorte, isso não foi fruto de qualquer fatalidade ou coincidência; foi igualmente algo estimulado, semeado; foram ações previamente engendradas e protocolares. E pergunto-vos: como seguir o lema positivista de nossa bandeira? Como alcançar o Progresso sem a Ordem?

Insto do mesmo modo pela Segurança Nacional. Justificativa? Segurança nacional é atribuição fundamental do Estado moderno. Tem por objeto assegurar a integridade de seu território em qualquer circunstância, a qualquer momento, bem como proteger a população e preservar seus interesses. Podeis mensurar, a partir da extensão de nossas fronteiras, a quantidade de riquezas que nos são furtadas diariamente? E a facilidade com que adentram e percorrem nosso território armas e drogas provindas de países fronteiriços? Temos que nos preservar, inclusive, de espionagem industrial e de ataques cibernéticos tão em moda nos dias atuais. Pelo Tratado de Westfália, em 1648, ao Estado é facultado o uso da força para estabelecimento e manutenção da paz social e da ordem. Seria absurda minha preocupação em constatar o clima de guerra civil que se observa em cidades como o Rio de Janeiro?

Bem, e agora o que me faz muito mal (embora não desejasse pensar assim): Tomei ojeriza à grande parte da classe artística, bem como aos intelectuais. Explico-me. Infelizmente, a classe artística brasileira, formada em sua maioria por pessoas despreparadas, infantilizadas, que cedo conheceram a fama e a emancipação financeira, deixou-se manipular e conduzir pelo pensamento de esquerda enraizado em nosso cultura, algo bem ao jeito de Gramsci. Os integrantes da classe artística são incapazes de terem uma atitude e/ou externarem um pensamento que seja original; são incapazes, inclusive, de perceberem isso, pois que de tal modo foram doutrinados que se tornaram antidialéticos; eles repetem os mesmos chavões, e o fato de repetirem as mesmas baboseiras não lhes desperta a atenção; eles não conseguem perceber que esse “consenso” é fabricado. Consenso é conceito vazio; a unanimidade é burra. É impressionante o ponto de bloqueio cognitivo a que chegaram algumas pessoas.

Bem, quanto aos intelectuais, em sua maioria, são os encarregados de todo este mecanismo; são eles que disseminam, através de processo doutrinário, esta torpe ideologia. Todavia, assim agem porque também foram vítimas de uma academia pervertida e trajada de esquerda. Nas várias academias, invariavelmente, aprenderam e repetiram a exaustão os mesmos slogans baratos e caquéticos que assolam as universidades. Infelizmente, a maioria dos que se julgam intelectuais, são nada mais do que analfabetos funcionais elitizados, pois que só conseguem palrar, tornarem-se repetitivos e monótonos em determinados assuntos que lhes são afins. Nossa academia só estuda e só divulga o que lhes é de interesse. Principalmente na área de humanas, só se lê o que a academia francesa decide. Não conseguem perceber que isso limita o conhecimento e depõe não apenas contra a própria academia, mas contra os interesses da nação. Eis a nossa classe intelectualizada; pobres coitados, pobres diabos! E são exatamente eles, por saberem-me acerbo crítico, rotulam-me de fascista. Fazer o que? A ignorância é de tal monta que, por certo, ignoram que o fascismo teve início com o bolchevismo, que originou essa esquerda parasitária da qual fazem parte e tanto defendem.

Bem, já que graças aos nossos intelectuais me descobri fascista, não abrirei mão de trazer a público as baixezas intelectualizadas.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Oração a Robespierre


E quando, e se tudo vos parecer perdido, ore! Mas uma oração diferenciada; uma rogativa exacerbada, férrea, revoltada. Ei-la! 

Senhor, criterioso e incorruptível,
em face de tanto desmando,
roubo, desfaçatez e hipocrisia,
dá-nos a obstinação contra a aleivosia.

Senhor, torna-nos a visão para além do alcance;
revela-nos tramas urdidas no manto da legalidade;
auxilia-nos a banir de vez a falácia, a facécia,
os discursos ímprobos, vileza e imoralidade.

Insta-nos a dizer não ao conluio,
à canalha que se revela sã.
Ressuscita, se possível, o carrasco,
o preterido Monsieur Guillotin.

Ensina-nos a desmascarar os omissos;
matemos os Dantons, os moderados!
Execremos os vis, os detratores, os paladinos;
os jacobinos, biltres, girondinos.

Lancemos nossas mãos às armas,
e que não nos cansemos das refregas.
Cuida que nada se nos torne pífio,
e que nos empenhemos sem reservas.

Amém!

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Sade redivivo



De fato, não estamos mais no século XVIII, se bem que o cenário francês de então ressurge-nos de modo ofensivo. À modernidade sucedeu algo ainda mais ultrajante: a pós-modernidade, e esta com a justificativa de corrigir os “erros” daquela. Nosso restaurado e suscitado personagem, Donatien Alphonse Françoise de Sade, pode hoje exibir várias alcunhas: Queermuseu, por exemplo, e isto porque a dita exposição nada mais faz do que manifestar todas as características da obra do famoso marques. Vejamos! O Queermuseu, com seu subtítulo pomposo, “Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, traz temáticas LGBT, questões de gênero, diversidade sexual e pedofilia. Mas o que subjaz em todo o projeto são ideias eminentemente materialistas. Podeis perceber que o leit motiv que orienta referido pensamento desafia a concepção de mundo proposta não só pela religião, mas também pela racionalidade. Sem qualquer contestação, podemos afirmar que o pensamento é ateu e a proposta é nada vaga, pois carrega a pretensão de oficializar a libertinagem. Exposições como a do Queermuseu, apesar de todo o discurso em defesa da arte e da liberdade de expressão, faz uso do grotesco para tecer críticas à sociedade.

Atentai para um detalhe: a dita preocupação de pôr em pauta uma discussão visando tratar da temática da diversidade sexual e respeito pelas múltiplas orientações, nada mais é do que uma tentativa de aniquilar com a moralidade. Os valores colocados em cheque são aqueles adotados pelas relações familiares tradicionais e que tanto incomodam a grande parte da sociedade autodeclarada de esquerda. A “casta” de intelectuais e artistas, do alto de sua soberba, não consegue perceber que, através de sofismas, foi aliciada, cooptada e desempenha de modo inconsciente, o papel do rebanho que vem realizando a hegemonia cultural de Antônio Gramsci. Aos incautos, que ainda não se depararam com a obra de Sade, recomendo a leitura de “120 dias de Sodoma”, onde estão descritas cenas bizarras com o abuso de crianças, bem como uma aberrante panssexualidade.

Todavia, voltemos nosso olhar a uma segunda alcunha de Sade: a Ideologia de Gênero. Parece que estamos às voltas com um processo lento e protocolar, pois, de início lembramo-nos das primeiras paradas gays. Depois surgiu o lobby. Por que? Afinal, depois da aceitação da sociedade e, inclusive o amparo das leis, por que exercer tal pressão? Michel Foucault dizia que a normalidade era algo imposto pela sociedade dominante e seus respectivos valores. Ora, parece-me que, apesar de se respaldarem no pensamento de Foucault, querem criar uma nova normalidade para igualmente impô-la. Mas a coisa vai bem mais longe: além do psicologismo exorbitado, defendido pelos sequazes freudianos, que usam a sexualidade como um reducionismo irresponsável, soma-se o sociologismo messiânico, que carrega a pretensão de tudo equacionar. E, como pedra de toque, percebe-se o ranço da filosofia comunista que revela empenho por destruir qualquer resquício de moralidade.

Outrossim, acredito que por se tratar de uma ideologia, isto é, um conjunto de ideias, pensamentos, doutrinas que pretendem justificar o interesse e ações de um indivíduo ou grupo, estas colocam-se até mesmo contra ciências naturais como biologia e genética, ou seja, contra o pensamento racional. O grande problema que identifico em qualquer ideologia é justamente na sua base de sustentação, pois que amiúde constroem seus argumentos sobre os pilares da retórica, da sofística, o que nos leva a também entender ideologia como instrumento de dominação, que faz uso da persuasão, tendo como objetivo alienar a consciência humana.

A ideologia de gênero declara que gêneros são simplesmente construções sociais; que não existe apenas o masculino e o feminino, mas um espectro a ser escolhido pelo indivíduo. A ideologia de gênero vem representar o conceito que sustenta a identidade de gênero. Ora, gênero é nada mais que o sexo. Todavia, sustenta a referida ideologia, que o fato de uma pessoa nascer com determinados órgãos sexuais, não faz com que este se identifique com o gênero que exibe tais órgãos. Masculino e feminino, portanto, seriam produto histórico-cultural desenvolvido pela sociedade.

Aqui, se permitis, sinto-me na obrigação de fazer alguns comentários: Gêneros, os sexos em si, não são construções sociais, pois a sociedade, por mais organizada e desenvolvida que seja, não anda por aí implantando pênis ou vagina em nenhum de seus cidadãos. O que se pode entender é que, a partir da diferenciação sexual, fenômeno da alçada da biologia ou genética, a sociedade cria estereótipos para lidar com tais gêneros. Quanto à identidade de gênero, de modo histórico-cultural, a sociedade vê no macho aquele que tem por obrigação possuir força física, trabalhar para sustentar a família, etc., bem como vê na fêmea alguém de compleição frágil, que tem por destino ser mãe, recatada, etc. Todavia, as pessoas tem o direito, segundo suas próprias convicções - liberdade - em atenderem ou não o papel que a sociedade lhes destinou. Importante frisar que a sociedade também criou estereótipos para a beleza, para a honestidade, para a saúde, para a felicidade, etc.

A parte mais repulsiva da proposta, contudo, parece-me, antes de mais nada, incoerente e contraditória. Explico-me: os meios de comunicação, bem como as instituições - Conselhos Tutelares, por exemplo - demonstram enorme preocupação com as crianças, sua formação, proteção, educação, etc. Ora, fica difícil, senão impossível, entender este insano empenho em despertar precocemente o interesse sexual nas crianças. Atentemos para as estruturas cognitivas de Piaget, pois o interesse pelo conhecimento vai surgir em momento oportuno. Abandonemos, portanto, a psicologia cultural-histórica de Vygotsky, pois que na primeira infância as “interações sociais” certamente servirão de manipulação comportamental, de alienação, senão de aliciamento.

Quanto à orientação sexual, devo dizer que entendo orientação como impulso, como direção. Acontece que, paralelamente a isso temos a liberdade, a racionalidade, e que se atendermos simplesmente a impulsos, estaremos decretando o fim de qualquer sociedade. Não nego que os impulsos existam e ferreteiem nossas vidas, mas isso não nos torna presas dos mesmos. De fato há o impulso, mas ceder ao impulso é uma opção deliberada. Com isso, retomo minha contundente argumentação de que a teoria que procura dar sustentação à Ideologia de Gênero é, por sua vez, calcada em retórica falaciosa. O que está por trás desta construção nociva é simplesmente a desconstrução e, por conseguinte, a destruição do conceito de família.

Desde meados do século passado percebemos o lento discorrer de um processo modelador: o sexo livre, o uso de anticonceptivos, de preservativos, o que culminou com a banalização do ato sexual e, dessarte, com a banalização do amor. As paradas gays eclodiram em todo o globo; alguns países já legalizaram o aborto, em outros o casamento entre pessoas do mesmo sexo. No Brasil temos, além do lobby, a tentativa de oficializar o aborto e de implantar, via legal, a Ideologia de Gênero. Percebei, a cada passo o que está em cheque é a estrutura familiar, é a banalização das relações, a estiolação dos valores. Então, pergunto-me: qual será o próximo passo? A legalização do incesto, baseada na retórica fastidiosa de que se trata de um mito? Quando alguma outra exposição de arte ou projeto de lei tentará nos enfiar goela abaixo a normalidade e moralidade do incesto? Certos estamos, via ciência, que tal relação intensifica exponencialmente a probabilidade de anomalias genéticas, porque aumenta o grau de homozigose das raças. E já que expostos à depravação de Íncubos e Súcubos pós-modernos, quem sabe, amanhã ou depois, em presença de uma ilimitada perversão, não observaríamos a tentativa desvairada de justificar o “apimentar” das relações através de uma coprofagia? Tal recurso não se mostrando suficiente, algo nos leva a crer que o desfecho seria apelar para a instância da zoofilia.

Neste momento vós me inquiris: Qual seria o objetivo? Com certa tristeza, recordo-me das palavras proféticas do poeta Cazuza: “... transformar um país inteiro num puteiro.” Envidemos esforços, portanto, no sentido de não permitir que o Estado se torne um imenso lupanar, onde crianças e jovens sejam conduzidas à condição de barregãs informais. A perversão psicológica, o messianismo sociológico e a filosofia comunista devem ser obstaculizadas. Trata-se de teoria espúria, de preceito insidioso, de uma ideologia que visa animalizar e manipular o ser humano através de sua ruína moral e ausência de valores. Ao revisitar o Marques de Sade, muito embora em presença do mundo hodierno, sinto falta de apenas dois detalhes: a Bastilha e a guilhotina!    

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Filosofia de fancaria



De início, podeis vos sentir atordoados, pois que a filosofia, ou seja, esse exercício no qual a razão debruça-se sobre si mesma, a lapidar-se, a burilar-se, a expurgar de si a cizânia imiscuída, venha revelar-se como trabalho pouco esmerado, algo tão frágil que sem tardança percebe-se a corrosão em seus fundamentos. Podeis, no entanto, perceber igualmente que tal filosofia não foi construída de modo apressado, o que não a torna menos vil e nociva, pois o que orientou o pensamento do pretenso filósofo foi a utilidade, a repercussão, os resultados práticos, resultados estes que tinham por objeto apenas justificar sua própria conduta imoral, antissocial, anticlerical, ociosa, ignominiosa e de acerba vaidade. Sua filosofia de fancaria contemplou e enalteceu o conceito de ideologia, esta farsa borboleteante pautada na tão conhecida sofística, e que apoia-se no discurso que busca justificar interesses, sejam estes particulares ou de grupos.

Outra característica desta torpe filosofia é um único método sobre o qual se constrói todo e qualquer argumento, pondo por baixo, inclusive, o princípio que deve orientar a Metodologia da Pesquisa, ou seja, para cada problema, um método específico. O que a puída filosofia faz é embutir todo e qualquer problema em seu único método, algo imposto e do qual jamais qualquer um de seus sequazes pode abdicar: o Materialismo Histórico-Dialético. É claro, eu falo na filosofia comunista, sim comunista, ou se muito marxista; socialista é apenas um arremedo, um eufemismo para se mascarar o espectro de Karl Marx, ou deveria chamá-lo Moses Mordecai Marx Levi? Este sujeito, péssimo filho, péssimo pai, um fracasso como chefe de família, de origem judia e burguesa, com familiares vinculados à nobreza, extremamente preguiçoso e, na verdade, o gigolô da esposa que morreu à míngua, tanto quanto a maioria dos filhos, fez-se filósofo e viveu às custas de Engels.

O pensamento do pária envolvia, dentre outras coisas: o execrar da religião, pois que sua aversão pela fé advinha do desprezo que seus confrades religiosos, e não sem razão, nutriam por ele; a extinção dos laços familiares, haja vista o ódio que ele nutria por sua família que se lhe negava qualquer ajuda, pois que sua fama de esbanjador e perdulário transcendia os domínios familiares; reivindicar o direito a tudo conseguir sem trabalho, até porque nunca exerceu qualquer atividade produtiva para seu sustento ou da família. Para isto construiu uma filosofia espúria, tendo como base o trabalhador, o homem humilde que facilmente tornou-se objeto de manipulação do canalha. Com isso, todo e qualquer preguiçoso, oportunista, vagabundo, carente de talento e mau-caráter, quando incomodado, declara-se marxista, ou comunista, ou socialista.

O pensamento filosófico - se é que tal pensamento teratóide deva ser considerado filosofia - na intenção de fazer proselitismo, busca, de início, identificar minorias e as vitimizar. Ora, seres humanos, normalmente tão deficientes e de uma carência inescrupulosa, com facilidade permitem-se conduzir. É esta filosofia que melhor faz uso do conceito de rebanho aplicado aos seres humanos. Os adeptos e vítimas desta monstruosidade dizem-se esquerda; por se dizerem esquerda, julgam-se superiores moral e intelectualmente, e ipso facto, não buscam ler, não se informam, apenas repetem ipsis litteris todos os jargões criados para cada vez mais emburrecer, imbecilizar e manipular o povo. Dentre este existem aqueles que dizem-se intelectualizados, educados, “antenados”, mas, em se analisando um pouco mais, perceber-se-á que apenas tentam mascarar algum “pecadilho” inconfessado.

A partir desta filosofia de araque, que de certa forma conquistou corações e mentes em torno do mundo, outros epifenômenos se sucederam, ou melhor, o câncer deu origem às metástases. São os pensamentos dos que fizeram parte da Escola de Frankfurt, bem como o de Sartre, o de Antônio Gramsci, Vygotsky, Habermas, Sloterdjik, Althusser, Foucault, Deleuze, Guatari e tantos outros fiéis escudeiros, como Paulo Freire no Brasil. O que temos, afinal? Uma filosofia que apenas finge ocupar-se em resolver problemas sociais - até porque não é atribuição da filosofia resolver qualquer problema - e para consumar tal intento, apela não para a razão, mas para as emoções, para o patético, para o piegas. Em suma, uma filosofia que enaltece o fracasso e avilta o mérito. Resumindo: uma obra de fancaria!

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

O Projeto psicografado



Em face do envio à Câmara dos Deputados do polêmico projeto que visa anistiar políticos que se valeram do recurso do Caixa 2, foi aberta uma sindicância interna no sentido de descobrir seu autor. Acontece que nenhum Sherlock Holmes, detetive Murdoch, Hercule Poirot, CSI ou até mesmo o FBI ou a CIA foram capazes de identificar o autor de tal manobra escabrosa.

Do alto de toda minha inexperiência posso então especular que tal projeto tenha sido psicografado. Não obstante, tem de haver uma afinidade entre o espírito elaborador do projeto e o médium que recebeu a comunicação. A investigação, portanto, deve se voltar para a identificação do referido médium. E, tendo em conta meus parcos conhecimentos jurídicos, devo adiantar que, nesse caso, o médium é responsavelmente solidário.

Então, aqueles que exacerbam os princípios jurídicos fundamentados numa manca hermenêutica, por certo argumentarão que o médium não pode ser responsabilizado, porque sua condição de médium o coloca numa posição totalmente passiva. Desse modo, deve-se redirecionar a investigação em busca do espírito elaborador do esdrúxulo projeto.

No caso de se encontrar o tal espírito, arrogar-me-ei em seu defensor incondicional e vou trabalhar Pro Bono. Exigirei que lhe seja concedido o benefício da dúvida; instarei pela presunção de inocência. Não é por tratar-se de uma entidade metafísica que não lhe devemos atribuir cidadania. Quererei que tudo transcorra dentro do devido processo legal. Meu possível cliente terá assegurada ampla defesa e o contraditório. Vamos ouvir testemunhas, vamos intimar São Pedro, São Paulo, Chico Xavier ou até mesmo Mephisto.

Mas esperem! Acaba de me ocorrer que meu suposto cliente, por se tratar de entidade metafísica, teria direito a foro privilegiado. Deus nos livre das garras do Sérgio Moro! Podemos ter a sorte de o processo cair nas mãos do Ministro Marco Aurélio Mello ou Gilmar Mendes ou Toffoli ou Lewandowski ou... Se por acaso o privilégio de foro for recusado e o processo cair nas mãos do Janot, posso adiantar que entrarei com recurso. E não me venham com essa história de penalização a partir de uma segunda instância.

Eis no que se resumem as instituições no Brasil: à piada, ao escárnio, ao motejo. Mas tal banalização teve origem nas próprias instituições, na atitude irresponsável dos legisladores, nos desmandos do executivo, na arrogância do judiciário, no conhecimento tendencioso e fragmentado dos próprios operadores do direito; eles se empenharam em desacreditar suas instituições, sua ciência, e, destarte, mutilaram o autorrespeito. Processem-me!