segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Nova amizade

 

O relato a seguir foi-nos contado e recontado - a mim, meu irmão e meu pai - em várias ocasiões por minha mãe. Tenhamos em mente, no entanto, que mamãe era uma dessas pessoas que se encanta facilmente com o mistério; o sobrenatural, ou aquilo que ela acreditava sê-lo, a fascinava. Curiosamente, ela não buscava entender o fato ou compreender as circunstâncias em que o evento se dava; bastava-lhe a narrativa. Todavia, o presente acontecimento é, por si só - vós podereis confirmar - cercado de mistério.

Ei-lo: foi num dia 02 de novembro de um ano qualquer. Dia de Finados! Mamãe, bastante religiosa e filha dedicada, não deixava de ir ao Cemitério de Inhaúma visitar o túmulo de seu pai, meu avô Daniel. Pois bem, além das flores, ela levava também materiais de limpeza. Não, não estranheis tal hábito; a fé a tudo justifica. Pois bem, após meticulosa faxina, ela enfeitava, ou melhor, engalanava o mausoléu da família. Por fim, fazia suas orações, conversava com o pai falecido e agradecia a Deus.

Em virtude do Dia dos Mortos, o cemitério aumentava sobremodo sua frequência. Mamãe, absorta em suas orações, não voltava a menor atenção para o que acontecia ao redor. De olhos fechados, contudo, sentiu delicadíssimo toque em um de seus ombros.  – “Quem se atrevia a perturbá-la durante suas orações?” – pensou irritada. Mesmo assim, abriu os olhos e voltou a cabeça para o lado esquerdo: uma mulher jovem - algo em torno dos trinta anos - de beleza invulgar sorria com doçura. Trajava elegante luto, com sapatos e luvas negras; na mão o chapéu forrado com renda igualmente negra. Desculpou-se repetidamente e explicou que o vento arrancara-lhe o chapéu e lhe desmanchara o penteado. Mamãe pode confirmar as mechas soltas de um cabelo castanho claro a espalhar-se em profusão por sua testa e rosto. Então veio a frase que conquistou mamãe; disse a estranha: – “Queres ser minha amiga?” Mamãe sorriu e assentiu: – “Sim”. A jovem mulher então solicitou: – “Empresta-me teu pente, para que eu possa ajeitar meu cabelo?” Mesmo atônita, minha mãe abriu a bolsa, buscou pelo artefato e o entregou a solicitante. Ao receber o pente, concluiu a mulher:  – “Sim, não esqueça de incluir-me em tuas orações”. Voltou-se e dirigiu-se à campa que erguia-se na alameda seguinte.

Minha mãe, acompanhou-a com o olhar, viu que ela ajoelhara na sepultura próxima e penteava os cabelos. Não obstante, voltou às suas orações. Ao terminá-las, juntou seus pertences e olhou para a campa onde a estranha se dirigira. O lugar estava ermo; nenhum sinal da mulher. Mamãe então aproximou-se do local. Pasmai: sobre o túmulo, o pente que mamãe emprestara. Minha mãe ainda olhou para a foto presa ao mármore do jazigo e reconheceu a estranha. Mamãe não mais deixou de orar pela nova amiga.     

domingo, 29 de novembro de 2020

Jardineiro

 

Dou início ao brevíssimo ensaio a falar de expectativas. Parece-me que o convívio, seja familiar ou social, nos leva a criar expectativas. Sim, esperamos sempre mais dos outros do que de nós mesmos. Alguma coisa próxima da esperança faz com que acreditemos ter supostos diretos; expectativa é lugar improvável onde trabalha-se com meras probabilidades. Mas enfim, e lamentavelmente, a expectação, na mor parte dos casos, deságua em decepção; sim, as expectativas são fontes de decepções. E como fugir do malogro, da desilusão? Uma resposta puramente racional aconselharia a total descrença, a não expectação, a negação de quaisquer esperanças. E, ipso facto, abandonaríamos também as características de seres humanos.  

Minhas decepções foram muitas; sim, e é bom frisar: minhas decepções. As decepções são de responsabilidade única do expectante; decepcionar deveria ser verbo defectivo, pois conjugado apenas na primeira pessoa. Decepcionei-me com companheiros de trabalho, vizinhos, conhecidos, familiares, amigos (???), etc. Ao tentar resumir, posso dizer que a totalidade das minhas relações foram as fontes de minhas decepções. Então vós, meus prováveis leitores (mais uma expectativa) diríeis: “Tu és o elemento complicador das relações!” Bem, réu confesso que sou, respondo-vos: mea culpa, mea maxima culpa, muito embora certa corrente de pensamento declarar que quando há um mea culpa não há sinceridade. Todavia, tenhamos em conta minha sinceridade: sem querer atribuir a terceiros qualquer culpa por ter-me tornado este “elemento complicador”, garanto-vos que sou fruto de uma sociedade que estimula expectativas. E onde buscar alento em face das desditosas esperanças?

Então descubro-me um jardineiro. Não um Jardineiro Fiel, pois não sou diplomata nem tive qualquer parente assassinado; pretendo nada investigar. Um simples jardineiro! Fiel somente a este introito botânico. Não me envolvo com paisagismo; cuido de jardins. Percebi-me apto e hábil a manusear e conviver com vegetais. Identifico folhas compostas; limbos divididos em folíolos. Não faço distinção entre monocotiledôneas e peninérveas. Nas flores, observo cálices e corolas; estimulo a visita de abelhas, borboletas, demais insetos e aves inseminadoras.  Eu as águo, as limpo, proporciono-lhes minhocas que produzem húmus; eu as adubo, folhas aparo, procedo as podas, as aparto de ervas daninhas. Posso vos afiançar: não há expectativas, não há decepções. Os vegetais não reclamam, não me afrontam, tampouco agradecem. Nossa relação é simples, calada, livre de recursos linguísticos e encenações. Minha realização está em vê-los desenvolverem-se, florirem... Tenho em cada flor uma parte de mim; em cada pequena mudinha a amizade que se me revela; em cada novo botão um filho, se assim o quiserdes.

E a sociedade? perguntar-me-eis. Bem, ocorre-me ser canteiro abandonado, terra maninha, ressequida, infértil; plantas em desalinho, desfiguradas, amarelecidas; flores baldas, murchas e fenecidas.

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Acumuladores

 

A casa erguia-se na esquina de duas avenidas bem movimentadas. A edificação com avarandado no andar superior ocupava o centro do terreno; jardins espalhavam-se por todo o entorno. Ali morava uma mocinha por nome Sônia: pessoa boa, cordata, bem educada. Conheci também seus pais e irmãos. Depois da morte do casal proprietário, os filhos permaneceram na casa; cada qual em seu cantinho. No entanto, pode-se perceber o início de certo hábito comum: algo, no mínimo, intrigante. Falo da acumulação compulsiva. Sim, os quatro irmãos deram início a tal prática. A fazer-me psicólogo amador, entendo que tudo esteja relacionado à morte dos pais; dir-se-ia uma família, de fato, unida; os pais buscaram suprir todas as necessidades e demandas dos filhos. Eles agora, acumulavam coisas a fim de embotar ou até retardar emoções e ansiedades.

Hoje, passados alguns poucos anos, quem transita pelo local, observa um quintal repleto de quinquilharias, caixas, papéis, madeiras, sucatas as mais variadas. Ao se abstrair a atividade econômica, estamos na presença de um “ferro-velho”. O interior da casa, segundo me segredaram, não está diferente. São pilhas de ferramentas, talheres, conjunto de panelas e aparelhos de jantar aos pedaços... O lixo está por toda a parte; os irmãos transitam e dormem, cada um em seu cômodo, rodeados de entulhos, quiçá ratos, baratas, escorpiões, etc. A vizinhança já se mostra incomodada e ameaça buscar ajuda nas autoridades sanitárias.

Coisa triste de se ver. Todavia, em se melhor observando, somos todos acumuladores. Sim, nosso “eu”, que prima por jactar-se, por vezes, quando contrariado, acumula decepções, desagrados, desapontamentos, desilusões. Quantos de nós mantemos abertas certas feridas, e estas, infeccionadas, dão origem as mágoas, aos ressentimentos, aos rancores. Depois da fase odienta, pode-se chegar à limítrofe etapa da vingança. Sim, ao acumularmos as miudezas com que nos deparamos no dia-a-dia, criamos uma espécie de “ferro-velho” existencial. Ao nos vergarmos às imposições do eu”, tornamo-nos numa espécie de adelo, só que de nada abrimos mão, apenas adquirimos. Adquirimos o lixo que, na mor parte das vezes, em nada nos favorece. E vós me perguntais: como nos livrarmos de criar semelhante ferro-velho? como não ser acumuladores? Simples, tenhamos em mente apenas uma coisa: servir! Ao servir, entorpeceremos possíveis emoções e/ou ansiedades.

Et requiem tibi Deus!

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Um bonde chamado Alegria

Em mais um acometimento saudosista, (sintoma de velhice?) permito-me falar do Rio Antigo. Devo preocupar-me? Curioso, pois não me ocupo de atualidades; careço de memória recente. Alzheimer? Sei lá. Mas as memórias antigas são bem mais prazerosas... Talvez por causa do intenso vivido, das relações sem malícia ou afetação. Portanto, fixo-me em meu Rio de Janeiro; não o de agora, mas o de então, aquele que conheci, o que convivi, o que compartilhei.

Eu ainda menino, anos cinquentas... Calças curtas e cabelo à escovinha a acompanhar papai e mamãe em suas visitações. Mais tarde, adolescente, no bonde que muito me conduziu ao colégio. Eu dependurado no estribo, a imitar algum tipo de herói e saltar do vagão em movimento na curva frontal à Ladeira do Vintém, no Meyer. Quanta emoção! Sim, naquela época não havia surf, parapente, asa delta, bungee jump ou similares.

Recordo-me do intenso tráfego de bondes no Tabuleiro da Baiana, Largo da Carioca, entre a Rua Senador Dantas e a Avenida Treze de Maio. Ali era o ponto final; ali eu embarcava para visitar a mãe de uma saudosa tia na Rua Farani, em Botafogo. O bonde, não obstante dito ultrapassado e por muitos demonizado, traz-me tão boas lembranças que, ainda hoje, arrisco-me por Santa Tereza. Lá fico a olhar para suas ruas, pedras, calçamentos, os trilhos...

Dentre tantas lembranças, no entanto, uma mais se destaca: O Bonde Alegria. Uma dúvida: a Rua da Alegria seria alegre ou como todos nós também conheceria a mágoa? Alegria, por vezes, rima com melancolia. Bem, eu embarcava geralmente no Largo da Cancela; ele vinha lotado. Embora bastante jovem, ainda recordo-me de alguns gracejos que a “elite” masculina dirigia às mulheres, haja vista a turbamulta. Eram coisas do tipo: “Sempre haverá um lugar em meu colo” ou então “A senhora pode vir, pois o engate está livre”. Apesar de a pervertida conotação, nosso bonde não se chamava Desejo, e asseguro-vos de que não haviam personagens como Blanche ou Stanley criados por um Tennessee Williams.  

De súbito, meu saudosismo sente-se acanhado, desmotivado; o rótulo de extemporâneo faz-se presente, o real impõe-se e exige reparação. O espírito, então, abate-se, esmorece e conhece algo de tristeza, de abatimento. Todavia, fica a pergunta: por que as boas lembranças sempre são capazes de nos proporcionar o refrigério que a vida, em si, empenha-se em negar?  


terça-feira, 17 de novembro de 2020

Amor de pandemia

 

Sinto-me desconfortável em tratar de semelhante tema, mas algumas coisas criam, por si mesmas, certas demandas. Esta é uma delas! Conceituá-la? Talvez eu nem consiga... Não, em nada se assemelha ao amor de carnaval, aquele que fala em “três dias de folia e brincadeira; você pra lá e eu pra cá até quarta-feira”. Não foram apenas três ou quatro dias... Pensando bem, esse ano “eu não brinquei, você também não brincou”. Fantasias? Não ficaram guardadas; simplesmente não existiram! Mas houve máscaras, e quantas... Pessoas usando máscaras. Como confiar em pessoas - personas (máscaras) a usar máscaras? E como entender o isolamento que quer comunicar-se, que quer convivência?

E fala-se em amor. Poderia, de fato, existir o amor sem a convivência? Seria possível um love home? Como surgiria a admiração entre pessoas - personas (máscaras) - que dispõem apenas de relacionamentos virtuais? Teria lugar o respeito? A falta de confiança, parece-me, subverte o amor. Mas, ... que digo eu? Limitei-me a observar o amor pelo ponto de vista eminentemente humano. Há que se entender o amor como sentimento que transcende toda humanidade; que de si mesmo alimenta-se; o amor não se preocupa em ser amado, pois mantém-se à custa de sua própria substância. Sim, embora de difícil compreensão, o amor simplesmente ama. Não nos preocupemos, portanto, em conceituar o amor, conhecer sua essência ou entender seu porquê. O amor é como a rosa de Silesius. Assim como o amor, “A rosa não tem porquê. Floresce porque floresce. Não cuida de si mesma. Nem pergunta se alguém a vê...”


segunda-feira, 16 de novembro de 2020

O tempo como recurso

 

A falta de assunto, a apatia provocada pela obrigação de ser simpático, ou até mesmo o desinteresse por qualquer informação advinda dos que nos são indiferentes, faz com que falemos do tempo. Leandro Karnal há pouco nos falou algo similar. E a coisa começa mais ou menos assim, geralmente em um elevador ou em ambiente que não permite o escape furtivo: “Bom Dia!” Alguém responde: “Bom Dia!” E o diálogo prossegue: “Está quente hoje, não?” E o outro responde: “É, acho que vem uma chuvinha por aí no final da tarde”. Sim, as previsões meteorológicas são permitidas. Todavia, não fazei como certa apresentadora que, além das previsões mentirológicas, deu-se ao desplante de criar neologismo, ao prever uma chuvica para o início da noite.

Fato curioso: uns falam em final da tarde, outros em início da noite. Mas, não se trata da mesma coisa? Ou entre estes haveria um breve lapso de tempo, o eterno desencontro entre Isabeau e Etienne em O Feitiço de Áquila? As relações sociais impostas deveriam assimilar a síndrome da não interação entre a águia e o lobo. Estranho, ... ainda falamos de tempo. Não mais do clima, evidentemente, mas do espaço que se interpõe aos acontecimentos. Sim, no romance citado, manifesta-se outro tipo de tempo: o tempo psicológico. Krishnamurti nos alerta: A distância entre o amante e o ser amado cria um tempo psicológico, pois que essa distância é nada mais que desejo, posse ...  Isso traduz-se como sofrimento. Poetas vários já declararam: “Amar é sofrer”.

Não obstante, amor e posse são inconciliáveis. Seres humanos, contudo, talvez devido à própria limitação, mostram-se obstinados na conciliação de desarmônicos, onde a polissemia é recurso profícuo. Já percebestes que a própria limitação humana faz com que, a título de dominar o conhecimento, busca a tudo mensurar? Os seres humanos querem mensurar, inclusive, o tempo. Como? De modo arbitrário criam medidas, convenções. E isso é possível? O tempo passado já não existe, o tempo presente não tem extensão, o tempo futuro ainda não existiu. Santo agostinho deve ter-se rido à larga com as patranhas dos que se lhes assemelhava.  

E na presente atmosfera (que também é tempo) percebo o surgimento de uma tormenta, um temporal (outra vez o tempo). Transitório porque prenhe de obrigações; a simpatia como obrigação; a solidariedade como imposição. A tormenta a que me refiro tem sentido figurado, pois significa agitação, tumulto, episódios que em muito destoam e destoarão de minha realidade, pois que vivo em outro tempo. Vivo em paisagens eivadas de branca areia, coqueiros e jandaias; eu não vivo a agressividade, não vivo o reformismo... Eu vivo o estar incauto em nômades acampamentos; eu vivo o deixar fazer-se poeta pela própria natureza e não pela crueza... de relações, de sentimentos.  

Oxalá, nesse caso, o tempo se me revele seu mais implacável e bem-vindo recurso: as cãs, as rugas, as limitações, o caminhar lento e olhares profundos a demonstrar cansaço, talvez algo furtivo, talvez lasso. A velhice é o tempo a demonstrar sabedoria: ele nos vem arrebatar para que não soframos os desgastes de novas circunstâncias, nem para que nos submetamos ao ridículo de uma imposição modal. O tempo, enfim, vem nos brindar com seu mais valoroso troféu: o depreciado e decantado funeral.

sábado, 14 de novembro de 2020

Comer faz mal à saúde

 

Não vou perder meu tempo em apontar os malefícios causados pelos alimentos industrializados. E aqui refiro-me pontualmente às refeições prontas e congeladas, aos alimentos embutidos, aos caldos e temperos, aos biscoitos recheados, aos salgadinhos, às margarinas, refrigerantes, adoçantes artificiais, pipocas de micro-ondas, macarrão instantâneo. As frituras, de fato, são prejudiciais. Existem ainda os que veem no churrasco um inimigo, afrontando a gauchada sôfrega por carnear.

O açúcar e o chocolate ficam interditos não só aos diabéticos. Nada obstante, vem a turma que coloca-se contra os pães, principalmente o pão branco, dizendo-o muito calórico, responsável por altas taxas de glicose, aumento de peso, glúten, etc. e que prejudicam a pele. Mas a pele também pode ser afetada pelo açúcar e sal refinados, temperos industrializados, pela soja, pela pizza, o hambúrguer (carnes vermelhas) e bebidas alcoólicas.

Sim, e por falar em carne, o excesso de proteína prejudica os rins. Portanto, abstenhamo-nos de carnes vermelhas, brancas, de peixe, de leite e ovos. As carnes vermelhas são prejudiciais também ao fígado, assim como a manteiga, queijos, leite integral, iogurtes com açúcar. Por outro lado, nosso coraçãozinho pode sofrer com os hambúrgueres de fast food, com as carnes processadas, doces, biscoitos, bolos, pizza. Nossos olhos jamais voltarão a lançar o famoso “olhar 43” se em presença de óleos vegetais, açúcares e boas doses de vinho.

Bem, a batata inglesa há muito foi defenestrada; tornou-se a vilã por conta de um novo imperativo estético. Sim, e depois de frita, produz acrilamida, uma substância altamente tóxica e nociva à saúde. Mas...e a batata doce? Dizem que a vitamina A nela abundante, quando armazenada pelo corpo, faz com que pele e unhas ganhem cor alaranjada. Oh, my God! The Orange is a new black! Mas a pobre da batatinha doce, por possuir oxalato, contribui para a formação de cálculos renais.

Ficamos por aqui? Não, a berinjela tem muito fósforo, a cenoura pode causar hipertensão. Ervilha e espinafre, por conta do muito fitato, impedem a absorção de seus próprios nutrientes. Não vos enganeis com as aparências, pois apesar do aspecto angelical, alimentos ricos em purina pode provocar gota úrica, inclusive, aumentando sobremodo as dores. E atenção: o pimentão pode causar inflamação. O trigo, a aveia e a cevada possuem glúten, sem contar que a ingestão de grãos, haja vista o flato, prejudicam o meio ambiente.

Sabíeis que existem frutas consideradas tóxicas e que podem afetar rins, estômago, intestino e até o pulmão? Sim, são elas: a banana, por causa do potássio, a cereja, porque pode liberar ácido cianídrico, o tomate e seu glicoalcaloide, maçãs, pêssegos e ameixas possuem cianeto, o melão agrava a candidíase e a carambola pode causar desordem neurológica. Atônito, descobri que o excesso de frutas faz mal. Nesse caso, a salada de frutas tornar-se-ia um prazeroso tipo de castigo a ser ministrado aos sentenciados.

O curioso, entretanto, é que ninguém, em momento algum, questionou as práticas utilizadas no plantio, semeadura, manutenção de lavouras, hortos e experiências laboratoriais da indústria alimentícia; coisa do tipo: pesticidas, fertilizantes sintéticos, o lodo, a água provinda de esgoto, os organismos geneticamente modificados, as radiações ionizantes e um abrangente etc.  

Bem, eu, cientista amador que sou, pesquisador insipiente quiçá, pautado nos presentes dados, por inferência, sou levado a declarar o insólito: comer faz mal à saúde!