O envelhecimento implica finitude e vem marcado de desafios. Muito embora a Filosofia entender a velhice como período de sabedoria, haja vista o acúmulo de experiências, percebe-se certa estigmatização, pois que convive face a face com uma juventude que se autovaloriza em demasia. Tradicionalmente, há culturas que celebram a vetustez, pois veem-na como sinônimo de respeito e sabedoria. Ainda a evocar a Filosofia, Aristóteles reputava a cultura como conforto à velhice.
Eis aqui o probleminha em particular:
Que cultura? Redes sociais? Internet? Filmes e séries que esbanjam violência ou
ideologias? Músicas distantes de melodia, harmonia e ritmo? Canções que violam
a poesia basilar? Versos sem métrica ou rimas? A nostalgia como tendência? Ora,
fazei-me o favor! E chamam-me tiozão, brega, careta. Chego a sentir saudades do
antiquado, do obsoleto, do anacrônico, do bokomoko enfim.
Alguns há que exigem-me maior
participação no cotidiano. Pergunto-vos então: Como? O que diriam meus filhos
ao observarem meu corpo coberto de tatuagens? Que tal piercings, independente se no nariz ou em outros cantos? Que tal
voltar-me à microestética, muito embora o uso de prótese? Quem sabe aderir ao
estilo blokecore, exibindo sempre as
camisetas do meu time de coração? Talvez uma academia de CrossFit, a empurrar pneus pela casa? Certamente deixaria alguém
feliz ao assistir um show do Alok...
Definitivamente não! Não mais me
identifico com o mundo. Inda que atônito, declaro que a cultura deixou de fazer
parte da minha vida. A arte está em crise, em decadência, vandalizou-se. Desculpo-me
não só com Aristóteles, mas também com toda a história da Filosofia, pois a
cultura hodierna não mais proporciona conforto. Optei por isolar-me; nada mais de
interações. Restringi-me às paredes que me cercam. Na verdade, cumpro sentença autoimputada. Nada de "saidinhas"! Visita íntima? (risos) Nem pensar! Todavia, quem sabe, em dia bem próximo, uma progressão de pena?
Nenhum comentário:
Postar um comentário