sábado, 22 de novembro de 2025

Autocondenação

 

O envelhecimento implica finitude e vem marcado de desafios. Muito embora a Filosofia entender a velhice como período de sabedoria, haja vista o acúmulo de experiências, percebe-se certa estigmatização, pois que convive face a face com uma juventude que se autovaloriza em demasia. Tradicionalmente, há culturas que celebram a vetustez, pois veem-na como sinônimo de respeito e sabedoria. Ainda a evocar a Filosofia, Aristóteles reputava a cultura como conforto à velhice.

Eis aqui o probleminha em particular: Que cultura? Redes sociais? Internet? Filmes e séries que esbanjam violência ou ideologias? Músicas distantes de melodia, harmonia e ritmo? Canções que violam a poesia basilar? Versos sem métrica ou rimas? A nostalgia como tendência? Ora, fazei-me o favor! E chamam-me tiozão, brega, careta. Chego a sentir saudades do antiquado, do obsoleto, do anacrônico, do bokomoko enfim.

Alguns há que exigem-me maior participação no cotidiano. Pergunto-vos então: Como? O que diriam meus filhos ao observarem meu corpo coberto de tatuagens? Que tal piercings, independente se no nariz ou em outros cantos? Que tal voltar-me à microestética, muito embora o uso de prótese? Quem sabe aderir ao estilo blokecore, exibindo sempre as camisetas do meu time de coração? Talvez uma academia de CrossFit, a empurrar pneus pela casa? Certamente deixaria alguém feliz ao assistir um show do Alok...

Definitivamente não! Não mais me identifico com o mundo. Inda que atônito, declaro que a cultura deixou de fazer parte da minha vida. A arte está em crise, em decadência, vandalizou-se. Desculpo-me não só com Aristóteles, mas também com toda a história da Filosofia, pois a cultura hodierna não mais proporciona conforto. Optei por isolar-me; nada mais de interações. Restringi-me às paredes que me cercam. Na verdade, cumpro sentença autoimputada. Nada de "saidinhas"! Visita íntima? (risos) Nem pensar! Todavia, quem sabe, em dia bem próximo, uma progressão de pena?  

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