O ser humano sempre quis conhecer a Deus. A pergunta é: Deus pode ser conhecido? Segundo Baruch Spinoza, o que temos de Deus é apenas a ideia e a extensão. Aos seres humanos, contudo, não basta a certeza da existência; ele quer ter um substantivo como referência, seria uma “exigência” comunicativa - culpa de Hermes. Mas o que se pode conhecer de Deus? Ora, os hebreus a Ele atribuíram um nome: YHWH. Algo a não ser pronunciado, isto porque divindades não se valem da comunicação verbal. O que significa YHWH? Eu sou o que sou! Yod = Eu; Heh = Sou; Wav = O que; Heh = Sou.
Bem, parece que as dúvidas persistem.
Proponho-me então entender - perdoai-me a pretensão - o significado da palavra
hebraica. E para tal lanço mão da Tetraktys de Pitágoras. Reclamo vosso atenção
para o fato de eu tentar compreender o significado (o grifo é meu) de
YHWH; não falo em conhecer a Deus (isso sim seria muita pretensão). Creio que
desse modo, perceberíamos, pelo menos, o que Spínoza quis dizer com a ideia de
Deus. E por que valer-me de Pitágoras? Simples: além de médico, matemático,
músico e filósofo, era seguidor do orfismo, (século VI a.C.) religião que já
pregava a unicidade de Deus.
Aqui dou início a análise da palavra,
através da Tetraktys. Bem, Yod (Eu) vincula-se ao número 10, que representa o
Todo, a completude, a plena realização. A unidade (1) representa o universo
antes de sua manifestação; o não-algarismo zero (0), à direita da unidade, vem potencializar
a própria unidade. A palavra Heh, número 5, fala de união, representaria o ser
humano, ou seja, o meio entre dois extremos. A palavra Wav, ligada ao número 6,
vem representar a geração do filho, casamento entre o macro e o micro, repouso
e movimento, o intermédio entre espírito e matéria. Outra vez a palavra Heh, e
o número 5 vem manifestar equilíbrio. Ao se somar os algarismos, teríamos como
resultado o número 8, que estaria a representar harmonia, o infinito e
perfeito.
Falemos agora acerca da extensão de
Deus. Extensão? Sim, falo de um espaço contido, ocupado; falo em porção de
espaço ou tempo. Simples, a lançar mão de uma metáfora posso vos afirmar que
algo do autor sempre está presente em sua criação, indiferentemente se na
música, na tela, no poema etc. Algo de Deus sempre está presente em nós, mesmo
que não tenhamos consciência disso. Temos o DNA de Deus. Essa presença fica latente,
até que ampliada pela fé. E a muita fé faz com que a presença de Deus nos
arrebate; passe a conduzir-nos. A unicidade de Deus não pode ser entendida
matematicamente, mas tão somente porque se revela a cada um de nós de modo
único. A maneira de recepcionarmos a semente divina é única. Então, a experiência, o convívio, a relação com Deus é única; não pode ser transmitida. Por
isso Deus é único!
Quanto a todos vós que clamais por
adjetivos, inclusive no que se refere a Deus, eu acrescentaria o Inefável. Portanto,
já que às voltas com o Inominado, com o Inefável, mais uma sugestão nada
original: para nos comunicarmos com Deus, já que O temos tão presente em nós,
além da prece muda, sentida, calada, estai atentos às atitudes, aos pensamentos,
aos sentimentos, às palavras. E para louvá-lo, lacemo-nos às emissões;
busquemos a musicalidade que envolve-nos, acalenta-nos, conforta-nos.
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