Questiono-me, com frequência, se palavras, de fato, influenciam emoções e/ou comportamentos. Por vezes sou levado a duvidar até mesmo de seus significados. E vós me perguntais por que? Ora, o substantivo próprio nomeia um ser específico. Pois bem, conheço uma moça por nome Linda, porém, adjetivamente falando, de linda ela nada tem. “Palavras são palavras, nada mais que palavras”. Na música - na arte como um todo - a ter como respaldo a licença poética, a coisa foge ainda mais ao controle, pois outra moça vem nos declarar que está grávida, grávida de um beija-flor, de um liquidificador; e vai parir uma bomba, uma locomotiva a vapor...
Não obstante a poesia, identifico algo
como uma terminologia... digamos fugaz. Explico-me: muito embora ser
considerado cidadão, a cidadania, por vezes, ignora-me. Sim, e o político a
falar em ética? Creio, entretanto, que a fugacidade atém-se ao vício imoderado
de a tudo rotular. Conheço alguém que deveria chamar-se Fracasso. E os títulos
que permeiam currículos? Currículos não só ocultam valores, mas também
dissimulam baixezas. E a polissemia nos auxilia na baita confusão, afinal
conheci um mineirinho que considerava certo “trem muito bão”.
Ora, um linguajar hermético
dificultaria a compreensão, se bem que o hermético mostra-se como empecilho ao
herético. A linguagem vulgar, por sua vez, a ignorar regras gramaticais,
facilitaria o chulo, o obsceno. Não falar é contraproducente. Voltemo-nos,
então, à artificialidade linguística. O artifício envolve expediente
habilidoso, foge à natureza, trata-se do postiço. E lá estamos nós, de novo, às
voltas com o inescrupuloso, com a fugacidade, com o frenético rotular, com as titulações
estapafúrdias, com a peculiar adjetivação, com o ser humano afinal.
Perdoai-me a irrisão! Linguagens são características
típica e exclusivamente humanas. Consigo entender porque Prometeu foi
acorrentado à pedra e ter seu fígado devorado ad eternum por um abutre.
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