Pessoas há, que, por certo, recordarão dos versos: “Ando devagar porque já tive pressa...” Em face da proximidade semântica esclareço-vos que, pelo menos o meu divagar mostra-se devagar. Nada ao acaso; eu fora convidado exatamente a passear pelo mundo semântico. Os meus - quase nenhum - leitores perguntar-me-ão: o que significa mundo semântico? Poxa, falar em significar na semântica seria pleonasmo vicioso.
Todavia, a semântica, haja vista sua
amplitude dimensional, abriga um sem número de “comunidades”, entendidas aqui
apenas como agremiações. Dentre estas encontramos diversos tipos de oratória,
que, a depender de orador e ouvinte, assimilarão as mais variegadas
significações. Talvez, justamente por isso, seja melhor usar o substantivo
retórica para delas tratarmos. Observemo-las, pois!
A persuasiva, utilizada por políticos
para convencer possíveis eleitores, passa a meu lado com seu jeito pretensioso.
A de impacto, não menos pretensiosa, bastante utilizada pela imprensa na
tentativa de causar emoção, encarou-me de modo acintoso. A pedagógica, longe de
manifestar sabedoria, e que a princípio deveria apenas levar conhecimentos,
revela-se tendenciosa, até por exibir bandeiras e símbolos. A religiosa, por
sua vez, ao invés de ater-se no disseminar da moral, exibe uma fabricada
humildade.
Não obstante, dou continuidade ao meu
vaguear pelo mundo semântico, onde, até então, nada me sugeria o insólito. Contudo,
tem lugar o imprevisto: por mais que tentasse manter-se absconsa, a mais
afamada das inquinadas aberrações mostra sua cara. Eis a narrativa, o recurso
caviloso apoiado por políticos, imprensa, educadores e religiosos. Esbirros a
seguiam e aclamavam; iconólatras a ovacionavam e aplaudiam sua mais recente
criação acorrentada ao final do préstito: a trama golpista!
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