A primeira pergunta a ser feita é: como viver em um mundo no qual não mais se acredita? A história foi deformada para atender interesses outros; as notícias foram e são, então, manipuladas. Como crer em uma ciência submetida a interesses econômicos? O que esperar de uma educação que atende a desmandos políticos? As religiões sofreram distorções e por isso tornadas convulsas. À contragosto, portanto, constato um viver “de araque” (arak). Vivemos somente sofismas; falácias para justificarem falácias. Até mesmo princípios e valores tornaram-se reféns de embustes.
E de novo a pergunta: Como viver este
teatro do absurdo? As relações, em si, perderam-se no fantasioso. Não quero
representar! Digo não à intrujice, ao logro! A pantomina exige de mim algo que
não pretendo disponibilizar: dramaticidade, ilusão, aparência. Enfim, o mundo
não é, ou nunca foi, a imagem que temos dele. Ora, o que somos então? Eu sou o
não de mim mesmo; há um eu - fabricado - que busca a mim se incorporar, que
insiste em me representar. Se aceito, torno-me farsa; se rebelo-me incorporo
adjetivos, títulos do tipo sociopata.
E para fazer jus a imposta sociopatia,
pretendo rejeitar tudo que me foi passado, tudo que foi vivido e vivenciado. Não,
não quero um novo René Descartes, tampouco algo similar a outro Discurso do
Método. Não sei se com pesar ou extrema alegria informo-vos: tornei-me um novo
mundo, o meu mundo. Sou, então, um novo mundo! Eu escrevo a história, as
notícias; sou a ciência, mesmo que em desalinho. Determino os princípios
educacionais e amo a um Deus exclusivo; esse Deus que dá-me certeza e torna-me
ousado para enfrentar quaisquer outros mundinhos inflados de farsa e
arrogância.
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