Conheci um ser humano que adorava cozinhar. Era de uma dedicação ímpar. Buscava sempre fazer o melhor; não visava lucros, reconhecimento ou notoriedade. Apenas cozinhava. Empenhava-se não só em proporcionar o melhor sabor, mas também com a questão nutricional, com o saudável dos alimentos. Chegou a instalar-se à beira de calçadas para fornecer suas iguarias, mesmo que gratuitamente ... Nada, as pessoas não mais gostam de tais alimentos; a população foi instada a fast foods, a alimentos industrializados, a rótulos. E o mais intrigante, ninguém, absolutamente ninguém preocupou-se em alertá-los. Hoje observo um povo adoentado, desnutrido, esmorecido.
Conheci um ser humano que amava
escrever. Eram romances, contos, crônicas, poemas. Tudo com o objetivo de aprimorar
o conhecimento. Ele também buscava sempre o melhor, sem visar lucros, fama,
glória, notoriedade. Apenas uma tentativa de informar os que com ele
partilhavam o dia-a-dia. Não, não se tratava de um purista da língua, contudo
diligenciava a linguagem escorreita. Sua dedicação fez com que ele publicasse e
distribuísse gratuitamente seus escritos...
Mas, as pessoas não as liam, não as
leem; as publicações são deixadas de lado. Infelizmente, gerações e gerações
foram educadas de modo a desprezarem a literatura, as grandes obras literárias.
Tudo que as pessoas “consomem” são breves textos repletos de erros crassos da
gramática. Quando muito, comunicam-se por mensagens orais, imagens e/ou emojis. Curiosamente, ninguém,
absolutamente ninguém buscou alertá-los. Hoje lamento as gerações insipientes, ociosas,
indiferentes ao entorno e culturalmente desnutridas.
Soube que cozinheiro e escritor
optaram pelo insulamento.
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