quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Semelhanças

 

Conheci um ser humano que adorava cozinhar. Era de uma dedicação ímpar. Buscava sempre fazer o melhor; não visava lucros, reconhecimento ou notoriedade. Apenas cozinhava. Empenhava-se não só em proporcionar o melhor sabor, mas também com a questão nutricional, com o saudável dos alimentos. Chegou a instalar-se à beira de calçadas para fornecer suas iguarias, mesmo que gratuitamente ... Nada, as pessoas não mais gostam de tais alimentos; a população foi instada a fast foods, a alimentos industrializados, a rótulos.  E o mais intrigante, ninguém, absolutamente ninguém preocupou-se em alertá-los. Hoje observo um povo adoentado, desnutrido, esmorecido.

Conheci um ser humano que amava escrever. Eram romances, contos, crônicas, poemas. Tudo com o objetivo de aprimorar o conhecimento. Ele também buscava sempre o melhor, sem visar lucros, fama, glória, notoriedade. Apenas uma tentativa de informar os que com ele partilhavam o dia-a-dia. Não, não se tratava de um purista da língua, contudo diligenciava a linguagem escorreita. Sua dedicação fez com que ele publicasse e distribuísse gratuitamente seus escritos...

Mas, as pessoas não as liam, não as leem; as publicações são deixadas de lado. Infelizmente, gerações e gerações foram educadas de modo a desprezarem a literatura, as grandes obras literárias. Tudo que as pessoas “consomem” são breves textos repletos de erros crassos da gramática. Quando muito, comunicam-se por mensagens orais, imagens e/ou emojis. Curiosamente, ninguém, absolutamente ninguém buscou alertá-los. Hoje lamento as gerações insipientes, ociosas, indiferentes ao entorno e culturalmente desnutridas.

Soube que cozinheiro e escritor optaram pelo insulamento.

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